Pressão do governo não altera decisão do Copom

Em 5 de novembro de 2025, o Copom decidiu manter a Selic em 15% ao ano pela terceira vez, apesar das pressões do governo.
Em 5 de novembro de 2025, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pela terceira reunião seguida, apesar da pressão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por cortes. A manutenção dos juros no nível atual era dada como certa pelos agentes do mercado financeiro. Levantamento feito pela Bloomberg mostrava às vésperas do anúncio que essa era a expectativa de todas as 31 instituições consultadas.
Um dia antes da decisão, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) disse que, se fosse membro do colegiado do BC, votaria pela queda de juros. Na avaliação dele, o patamar da Selic hoje é insustentável e o momento atual permitiria a redução da taxa básica. O discurso de Haddad ecoa uma cobrança sobre o BC feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – responsável pela indicação de Gabriel Galípolo ao comando da autarquia.
Diferença entre juros dos EUA e Brasil
A decisão confirma o aumento da diferença entre os juros dos Estados Unidos e do Brasil. Na semana passada, o Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA) reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. A diferença, portanto, foi a 11 pontos percentuais, levando em conta o limite superior americano. A Selic está fixada em seu maior nível em quase duas décadas. O ciclo de alta de juros foi interrompido em julho após sete aumentos consecutivos.
Expectativas de inflação
Nos últimos meses, o Copom vinha sinalizando a necessidade de manter por um longo período a política de juros em um patamar alto o suficiente para moderar o crescimento da economia. A postura cautelosa ajudou no recuo das expectativas de inflação de médio prazo. No entanto, as projeções ainda seguem distantes do centro da meta. Segundo o último boletim Focus, os analistas projetam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) termine 2026 em 4,2% e feche 2027 em 3,8%.
Cenário econômico e perspectivas futuras
Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o Copom já tem hoje a inflação do segundo trimestre de 2027 na mira. O alvo central perseguido pelo BC é 3%. No modelo de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece por seis meses seguidos fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). O primeiro estouro do IPCA no novo formato ocorreu em junho.
No cenário doméstico, a atividade econômica continua perdendo fôlego sob efeito dos juros altos. O mercado de trabalho, contudo, mostra resiliência. A taxa de desemprego do Brasil foi de 5,6% no trimestre até setembro, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O indicador voltou a marcar o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Na semana passada, o Fed anunciou a redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros do país, para 3,75% a 4% ao ano. O Copom volta a se reunir nos dias 9 e 10 de dezembro, no último encontro do ano, que deve marcar a despedida dos diretores Diogo Guillen e Renato Gomes, indicados ao BC na gestão de Jair Bolsonaro.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br










