O Rio Branco, espinha dorsal de Roraima, com seus 577 km serpenteando desde a confluência dos rios Uraricoera e Tacutu até desaguar no Rio Negro, no Amazonas, foi palco de uma aventura inesquecível na adolescência do autor. A experiência, a bordo de uma jangada construída com cerca de 1300 estacas de madeira, destinadas à comercialização, marcou profundamente sua memória.
A princípio, a participação do jovem sonhador foi vetada, mas a insistência prevaleceu, e ele foi aceito na empreitada. A viagem foi estrategicamente programada para o período da cheia do rio, garantindo uma navegação mais segura e a contemplação de paisagens exuberantes. “A beleza das lâminas d’água em constante movimento e da revoada de pássaros e de animais às margens do rio, faziam daquele lugar uma natureza irretocável. Perfeita!”, relata o autor.
O período de cheia do rio Branco transforma a região em um espetáculo natural, com o transbordamento criando os igapós, verdadeiros berçários de vida. A correnteza, impulsionada pelo volume colossal de água, arrasta consigo galhos, troncos e diversas espécies da fauna local. Foi nesse cenário dinâmico que a jangada foi lançada, impulsionada pela correnteza.
A jornada, apesar de alguns momentos de tensão com o desprendimento de estacas, transcorreu relativamente tranquila. A imaginação, no entanto, foi constantemente testada por toras de madeira à deriva, que se assemelhavam a jacarés e sucuris gigantes. A presença constante da água na superfície da jangada impedia o sono, mantendo todos em estado de alerta.
A jangada era acompanhada por um barco, guiado por um timoneiro experiente, conhecedor dos caminhos sinuosos do Rio Branco. Ao final, a aventura se revelou enriquecedora, estimulando o físico, o mental e promovendo um convívio social positivo. “As aventuras são enriquecedoras em todos os sentidos (…) E potencializam a ideia de que viver é o maior espetáculo da Terra!”, conclui o autor, Brasilmar do Nascimento Araújo, jornalista e poeta.
Fonte: http://www.folhabv.com.br










