A ignorância sobre o autismo perpetua atitudes prejudiciais e distancia a sociedade de uma realidade mais inclusiva. Frases como “é só falta de surra” revelam a falta de compreensão sobre as necessidades e desafios enfrentados por crianças autistas e seus cuidadores. Essa desinformação contribui para o sofrimento e dificulta o desenvolvimento pleno dessas crianças.
Para ilustrar a complexidade da experiência autista, imagine-se na cabine de um Airbus A380, sem saber pilotar, em meio a alarmes e luzes piscando. Essa sensação de sobrecarga sensorial e falta de controle assemelha-se à vivência de muitas crianças autistas, especialmente aquelas com maiores necessidades de suporte. O mundo se apresenta como um turbilhão de estímulos, muitas vezes incompreensíveis e avassaladores.
Uma criança autista não verbal, por exemplo, pode ter dificuldades em expressar suas necessidades e sentimentos, intensificando o estresse e a frustração. A falta de compreensão por parte das pessoas ao redor pode agravar essa situação, transformando o que poderia ser um momento de aprendizado e conexão em uma fonte de angústia.
É crucial abandonar a ideia de que as atitudes de crianças autistas são resultado de falta de disciplina. No passado, o que se chamava de disciplina muitas vezes era, na verdade, um “adestramento humano” baseado em punição e recompensa. As crianças aprendiam a mascarar seus comportamentos apenas para evitar o castigo, suprimindo suas necessidades e individualidades.
Para construir uma convivência mais empática, é fundamental observar antes de julgar. Cada criança autista tem seus próprios gatilhos e formas de reagir a estímulos sensoriais e sociais. Em vez de punir ou repreender, devemos buscar compreender o que a criança está sentindo e como podemos ajudá-la a se acalmar e se sentir segura.
A comunicação também precisa ser adaptada às capacidades de cada criança. Para crianças não verbais, o uso de gestos, imagens ou dispositivos de comunicação alternativa pode ser fundamental. Pequenos sinais de atenção e reconhecimento das tentativas de comunicação já fazem uma grande diferença, diminuindo a frustração e fortalecendo o vínculo.
É essencial desmistificar crenças ultrapassadas sobre disciplina. Métodos tradicionais, como gritos e castigos, podem aumentar o estresse e prejudicar a confiança. Estratégias de reforço positivo, incentivo à autonomia e criação de rotinas previsíveis são muito mais eficazes para promover o bem-estar e o desenvolvimento da criança.
Como afirma Temple Grandin, renomada defensora dos direitos das pessoas autistas, “Eu sou diferente, não inferior”. Toda criança merece ser compreendida e acolhida, independentemente de sua forma de aprender, se comunicar ou se comportar. A construção de uma sociedade inclusiva é responsabilidade de todos, e a informação e a empatia são as chaves para transformar o preconceito em respeito e oportunidade.
Fonte: http://soudepalmas.com.br










