Código de Conduta ou de Hábitos

Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, a discussão já não é exatamente sobre um Código de Conduta, mas sobre um código de hábitos. Os 10 pontos relatados por Cármen Lúcia até soam razoáveis no papel. O problema é que, na prática, confrontam rotinas consolidadas — e rotina, no STF, virou direito adquirido. A reação é corporativa e previsível. Cada ministro mede o texto não pela régua institucional, mas pela própria zona de conforto. Uns topam “ajustes”, outros pedem tempo, outros simplesmente não querem saber. Baliza, limite, parâmetro comum? Só se for para o outro cumprir. O jogo de palavras é revelador: ninguém rejeita um Código de Conduta em tese. O que se rejeita é mexer no código de hábitos — falar fora dos autos, ocupar holofotes, agir como ilha. Assim, o STF segue tratando excessos como estilo pessoal. E, desse jeito, o código nasce com nome nobre, mas destino conhecido: virar peça decorativa em tribunal que prefere costume à contenção.
O Colapso de Lula no Nordeste

O Lula e o PT atravessam o pior momento de sua relação com o Nordeste. A região que sustentou o lulismo por décadas hoje exibe desgaste político, rupturas internas e perda clara de controle eleitoral. Na Bahia, ACM Neto aparece à frente do governador Jerônimo Rodrigues, do PT, expondo o enfraquecimento petista no maior colégio eleitoral do Nordeste. No Ceará, o cenário é igualmente simbólico: Ciro Gomes lidera contra o projeto de reeleição de Elmano de Freitas, candidato apoiado pelo PT, escancarando a fragmentação do campo progressista no estado. No Maranhão, o governador Carlos Brandão, aliado histórico do lulismo, rompeu com seu vice Felipe Camarão, do PT, desarticulando a esquerda local e esvaziando a influência petista no estado. Já no Rio Grande do Norte, o quadro é ainda mais constrangedor: o vice da governadora Fátima Bezerra, também do PT, anunciou que não disputará o governo. As pesquisas indicam um empate técnico entre Rogério Marinho, do PL, e o União Brasil, deixando o PT fora do protagonismo. O fato é simples: o Nordeste já não responde automaticamente a Lula. O lulismo envelheceu, o PT se fragmentou e a região deixou de ser território cativo. Para Lula, o cenário é feio. Para o PT, é sinal claro de colapso político.
No Japão, maybe

Durante sua viagem ao Japão nas últimas semanas, o senador Sergio Moro teve tempo de sobra para absorver um dos conceitos mais conhecidos da cultura japonesa: Shikata ganai — algo como “não há o que fazer”, a aceitação resignada diante do inevitável. A ironia é que, politicamente, essa filosofia parece descrever com precisão desconfortável o momento vivido por Moro no Paraná. Líder nas pesquisas para o governo do Estado, Moro descobre que intenção de voto não assina ficha nem garante posse no Palácio Iguaçu em 1º de janeiro. Entre o desejo e a realidade, há um caminho repleto de obstáculos — muitos deles dentro da própria casa. A federação que sustenta seu mandato, formada por Progressistas e União Brasil, não chegou a um acordo sobre sua candidatura. Pior: o Progressistas já avisou, sem rodeios, que não assina a ficha de homologação. Sem partido, não há candidatura. Simples assim. O grande fiador político de Moro, o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, parece hoje mais ocupado em resolver pendências ligadas ao Banco Master e à Rioprev, onde mantém influência há anos, do que em arbitrar uma disputa estadual que exige pulso firme e dedicação total. Para completar o cenário, outro aliado relevante, Davi Alcolumbre, ensaia uma reaproximação com Lula e o PT — justamente em pleno período pré-eleitoral. O recado é cristalino: Moro já não é prioridade nem consenso. Assim, enquanto o senador retorna do Japão liderando pesquisas, mas cercado de indefinições, o ensinamento do Shikata ganai deixa de ser filosofia distante e passa a soar como diagnóstico político. Nada parece conspirar a favor. E, no tabuleiro real da política, aceitar que “não há o que fazer” costuma ser o primeiro passo para ficar pelo caminho. Nada, absolutamente nada, parece bom para o senador.
Governo do Paraná: Familia Guerra em guerra?

A informação revelada pelo Blog Politicamente, do jornalista Karlos Kolbach, de que Alceni Guerra pode ser vice de Requião Filho em uma aliança da esquerda no Paraná é mais do que uma curiosidade eleitoral. É um retrato cru do vale-tudo político — inclusive dentro de casa. Enquanto Alceni flerta com um palanque à esquerda, seu sobrinho, Ricardo Guerra, atua com destaque no campo oposto. Ricardo é segundo suplente de Sergio Moro e um dos coordenadores da campanha do senador ao governo do Estado. Ou seja: um Guerra ajuda a organizar um projeto que existe justamente para derrotar o outro. Não é pluralidade. É contradição explícita. A eventual chapa com Requião Filho pode até tentar vender unidade da esquerda, mas escancara, na prática, a confusão estratégica de um campo que aceita qualquer arranjo — mesmo que isso signifique atravessar o almoço de domingo com panfleto adversário na mão. Se confirmada, a aliança não produzirá apenas ruído eleitoral. Produzirá símbolo. Nesse caso a política chegou a um ponto em que nem sobrenome garante coerência. E, ao que tudo indica, esta eleição pode entrar para a história como a verdadeira guerra entre os Guerras.
O Dilema de Fachin

A volta do STF hoje, com discurso de Edson Fachin, acontece sob um clima de pressão máxima. Não há espaço para gesto neutro. Qualquer palavra, pausa ou ausência de sinal será lida como escolha política. Se Fachin tentar falar para dentro, buscando pacificar um Supremo dividido, será acusado de recuar diante da crise e varrer o conflito para debaixo do tapete. Se falar para fora, defendendo pautas como o Código de Conduta, que já incomoda parte da Corte, aprofundará o isolamento interno e ampliará o desgaste público. E se optar pelo silêncio elegante ou pelo discurso técnico, “em cima do muro”, o efeito será igualmente explosivo. Em um STF tensionado, neutralidade não é prudência — é omissão. O fato é simples: qualquer caminho escolhido por Fachin será interpretado politicamente. No Supremo atual, até o silêncio faz barulho.
Paraná: Guto Silva intensifica agenda

A recente intensificação da agenda de Guto Silva deixou de ser apenas administrativa e passou a ter contornos eleitorais. O secretário das Cidades tem afirmado que pretende se desincompatibilizar do cargo em abril para disputar o governo do Paraná, movimento que o coloca de vez no tabuleiro da sucessão estadual. O discurso é direto: Guto se apresenta como continuidade do projeto liderado por Ratinho Junior. Ao reforçar esse vínculo, busca se credenciar como um dos nomes mais alinhados à atual gestão, que ainda concentra alto poder de influência no processo sucessório. A agenda mais intensa, com presença regional e articulações políticas, cumpre papel claro: ampliar visibilidade e sinalizar disposição para a disputa, à espera da decisão final de Ratinho sobre quem será o candidato do grupo. Em síntese, Guto não apenas se movimenta — ele se posiciona. E, numa sucessão fortemente condicionada ao peso de Ratinho Junior, esse gesto pode ser determinante.
Judiciário na pauta de Ratinho Junior

Declarações à CNN sinalizam mudança de patamar político e aproximação do discurso nacional sobre equilíbrio entre Poderes As declarações de Ratinho Junior à CNN Brasil sobre a necessidade de o próximo Congresso discutir uma reforma no Judiciário não foram casuais. Elas marcam a entrada definitiva do governador do Paraná em um debate típico de quem já se posiciona como presidenciável. Ratinho mencionou pontos sensíveis como a criação de mandatos para ministros do Supremo, critérios mais objetivos para nomeações e a discussão sobre limites institucionais à atuação da Corte, temas que ganharam força após anos de tensão entre os Poderes. Ao fazer isso, evitou o discurso de ataque e apostou na ideia de reforma como instrumento de equilíbrio, não de confronto. O gesto é político. Ao vocalizar essas propostas, Ratinho dialoga com um eleitorado que cobra previsibilidade jurídica, segurança institucional e regras mais claras no funcionamento do Estado. Mais do que o conteúdo, pesa o momento: governadores costumam evitar esse tipo de pauta; candidatos à Presidência, não.
A semana que colocou Ratinho Junior na corrida presidencial

A semana de Ratinho Junior não foi de governador em fim de mandato. Foi de candidato. E mais do que isso: de alguém que decidiu sair do aquecimento e entrar, de fato, na corrida presidencial. O roteiro não foi aleatório. Ratinho abriu essa agenda em um ambiente pouco usual para políticos em pré-campanha ao participar de um podcast da Warren Investimentos, falando diretamente para o mercado, investidores e formadores de opinião econômica — um público decisivo para quem pretende se apresentar como alternativa viável ao eixo Lula–Bolsonaro. Na sequência, sua presença em evento do UBS reforçou o mesmo recado. Ali, Ratinho sustentou um discurso alinhado à previsibilidade fiscal, responsabilidade e pragmatismo, sinalizando disposição para dialogar com uma agenda econômica mais madura e distante do improviso que hoje domina o debate nacional. O ponto alto dessa incursão pelo mercado, porém, ocorreu na noite de ontem, no tradicional Prédio da Baleia, coração simbólico da Faria Lima. Diante de investidores atentos a qualquer sinal concreto sobre uma agenda de reformas econômicas, Ratinho foi aplaudido de pé. Ali, deixou de ser tratado como gestor regional e passou a ser observado como potencial liderança nacional. Paralelamente, Ratinho ocupou espaços de alcance nacional. Entrevistas em veículos como CNN Brasil e GloboNews não serviram apenas para falar do Paraná, mas para consolidar uma narrativa nacional: menos ideológica, mais ancorada em gestão, resultados e estabilidade. No campo político-partidário, o movimento mais ruidoso da semana foi sua atuação como protagonista na filiação de Ronaldo Caiado ao PSD. Caiado é um dos principais nomes da direita no país, e sua chegada amplia musculatura, capilaridade e densidade política do projeto que Ratinho ajuda a organizar. Não foi gesto protocolar; foi construção de campo. Somados, os movimentos da semana deixam uma mensagem difícil de ignorar: Ratinho Junior já se comporta como presidenciável. Falta o anúncio formal, mas os palcos, os aplausos e as articulações indicam que, para ele, a corrida presidencial já começou.
Juntos e Misturados

Registro ao lado de Caiado, Zema e Eduardo Leite em conferência internacional reforça leitura de que o grupo já ocupa o centro do debate sucessório A selfie feita pelo Governador Ratinho Junior ao lado dos colegas Governadores Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Eduardo Leite durante a Latin America Investment Conference, do banco UBS, vai além do registro institucional. O evento reúne investidores globais e lideranças com peso econômico real — e a imagem expõe um recorte claro do poder político que hoje dialoga com o mercado. No enquadramento da foto, não estão apenas governadores em exercício, mas nomes que já orbitam o debate nacional. Para os mais atentos, a cena levanta uma leitura inevitável: ali, diante do capital internacional, pode estar o futuro presidente do Brasil.
Pimentel combate lacradores

Prefeito assume custo político ao defender ação prevista em lei e reforça postura de enfrentamento a problemas reais da cidade Ao reagir às críticas nas redes sobre a internação involuntária em Curitiba, Eduardo Pimentel escolheu enfrentar a pressão dos lacradores de internet e sustentar uma decisão impopular, porém necessária. A prefeitura afirma que a medida segue a lei e é aplicada apenas em casos extremos, quando a omissão do poder público deixa de ser opção. O barulho virtual, nesse contexto, simplifica um debate que exige responsabilidade e decisão. Pimentel assume o custo político e sinaliza que prefere governar lidando com a realidade das ruas a se render à lógica da lacração.