Qual é a música?

O medo do PT neste desfile não é o TSE. Multa se paga, recurso se apresenta, narrativa se fabrica. O que não se controla é a vaia. O verdadeiro pavor é a desaprovação popular, ao vivo, em escala mundial e sem roteiro. A Sapucaí pode se transformar hoje no maior constrangimento público da vida de Lula. E ele sabe disso porque já viveu. Em 2007, no Engenhão, a poucos quilômetros dali, quase 60 mil pessoas vaiaram o presidente na abertura do Pan-Americano. Tentou-se evitar o vexame com um pedido para que as câmeras não o mostrassem. Inútil. O mundo viu. E o constrangimento entrou para a história. Há uma ironia cruel no cenário. Em 2001, a escola de samba Tradição transformou Silvio Santos em enredo com o emblemático título: “Hoje é domingo, é alegria, vamos sorrir e cantar.” E foi exatamente isso que aconteceu. A Sapucaí parou, mas para aplaudir. Foi consagração popular, espontânea e inequívoca. Talvez esse fosse o sonho íntimo de Lula: viver cena semelhante, ter sua história embalada por esse mesmo título. Mas não deverá ser assim. Se a reação vier no tom que o Planalto teme, Lula pode acabar protagonista involuntário de um outro clássico da TV brasileira: o “Qual é a música?”. No futebol, virou jargão: “pedir música no Fantástico” é privilégio de quem marca três gols no mesmo palco. Na política, a analogia é menos gloriosa. O primeiro gol foi a vaia ensurdecedora no Pan de 2007, no Engenhão. O segundo veio com Dilma Rousseff, no Maracanã, sob um coro hostil ao entregar a taça à Alemanha. A Sapucaí, hoje, pode completar a trilogia — e transformar o constrangimento em série histórica, transmitida em rede mundial. Então qual é a música? O TSE não é o maior risco. O que assombra o Planalto é algo mais simples e mais devastador: o som inconfundível de um país que já não canta junto.

Supremo dividido e sob pressão interna

As menções a Dias Toffoli no celular de Daniel Vorcaro abriram uma fissura rara — e grave — dentro do Supremo. Nos bastidores, o tribunal hoje está dividido em três alas, nenhuma delas confortável com o cenário. A primeira, liderada por Alexandre de Moraes, defende manter Toffoli na relatoria. O argumento é institucional: recuar agora seria admitir que o STF se curva à pressão externa, abrindo um precedente que o tribunal não pode se permitir. Uma segunda ala avalia que a permanência de Toffoli amplia o desgaste e defende transferir a decisão ao presidente da Corte, numa tentativa de preservar a autoridade formal e conter o dano. Já um terceiro grupo quer levar o caso ao plenário. Não por convicção jurídica, mas por estratégia: dividir a responsabilidade é, neste momento, uma forma de dividir o custo político O pano de fundo é claro. O STF, acostumado a arbitrar crises alheias, agora enfrenta uma crise interna. Analistas que acompanham a Corte há décadas são categóricos: nunca houve um ambiente tão delicado entre os próprios ministros. Mais do que decidir um caso, o Supremo tenta proteger algo maior — a percepção de que continua acima de qualquer suspeita.

Ratinho cresce no eleitor fora do conflito

A nova Quaest , divulgada ontem, revelou o que já se comenta em silêncio nos bastidores: o eleitor que decide eleição começou a abandonar a polarização. Lula enfrenta 49% de desaprovação e 45% de aprovação — um empate que, para quem governa, é sinal claro de desgaste. Esse afastamento é mais forte justamente onde eleições são definidas: Sul, Sudeste e Centro-Oeste. No Sul, 61% desaprovam o governo. É também o eleitor de maior renda e escolaridade, onde a desaprovação ultrapassa 60%. Nos bastidores, esse grupo já é tratado como o ativo mais valioso da próxima eleição. É o eleitor que rejeita os dois polos e que inevitavelmente será capturado por uma nova opção. É nesse espaço que Ratinho Junior começa a se posicionar com naturalidade. Sem o desgaste direto da polarização e associado a uma gestão bem avaliada, seu nome passa a circular como alternativa viável justamente entre os que não querem nem repetir o passado, nem reviver o conflito. A eleição de 2026 começa a ser definida ali — no eleitor que deixou de escolher entre dois lados e passou a procurar uma nova opção.  

Darci Piana, o governador da continuidade

Até o fim deste mês, Darci Piana é o governador do Paraná. Ratinho Junior está em férias, mas o Estado segue funcionando sem qualquer sobressalto. Não é novidade. Desde 2019, Piana já assumiu o comando do Executivo em cerca de 15 ocasiões oficiais, acumulando aproximadamente quatro meses no exercício direto do cargo. Não como formalidade. Como sustentação real de uma gestão que nunca perdeu o ritmo. Um exemplo concreto ocorreu em maio de 2023. Enquanto Ratinho Junior cumpria missão internacional nos Estados Unidos e em Portugal, foi Darci Piana quem conduziu o governo e participou diretamente das tratativas com o Banco Mundial relacionadas ao financiamento de US$ 130 milhões para modernização do Estado. Uma decisão estruturante, que exigia confiança absoluta. Essa dinâmica se repetiu ao longo dos anos. Enquanto Ratinho projetava o Paraná no exterior, atraindo investimentos e consolidando o Estado no cenário internacional, foi Piana quem garantiu a estabilidade interna. O entrosamento entre ambos não é circunstancial. É estrutural. Nos bastidores, Darci Piana é parte do núcleo mais restrito de confiança do governador. E com a perspectiva cada vez mais concreta de uma candidatura presidencial de Ratinho Junior em 2026, abril surge como ponto decisivo. Caso o governador renuncie, será Piana quem assumirá definitivamente o comando do Paraná. Não como surpresa. Mas como continuidade natural de quem já governou o Estado por meses e ajudou a sustentar um dos projetos políticos- administrativo mais bem-sucedidos do país. Darci Piana não é apenas o vice. É um garantidor da estabilidade — e, possivelmente, o próximo governador do Paraná.

Do plenário ao inferninho, o verdadeiro retrato dos 46 anos do PT

O PT comemorou seus 46 anos com a coerência que o define. Em Brasília, ocupou o plenário da Câmara e transformou uma sessão solene em ato de exaltação pessoal. Gleisi Hoffmann, ministra de Estado, puxou o samba-enredo em homenagem a Lula, convertendo a tribuna institucional — paga pelo contribuinte — em palco de devoção partidária. Por alguns minutos, o governo deixou de governar para se celebrar. Mas foi em Curitiba que o partido mostrou sua versão mais sincera. Segundo revelou o Blog do Tupan, a comemoração ocorreu em um bar no Água Verde, com clima típico de “inferninho” — ambiente apertado, informal e sem qualquer pretensão institucional. Ali, sem os lustres do Congresso e sem o disfarce da liturgia oficial, o PT apareceu em sua forma mais autêntica: um partido permanentemente em campanha, celebrando o próprio poder. O contraste é brutal. Em Brasília, encena grandeza sob o rito formal. No inferninho, revela sua essência sem maquiagem. Dois cenários diferentes, mesma prática: tratar o Estado como extensão do partido e o partido como extensão do líder. No fim, Gleisi não exagerou. Apenas foi coerente. O PT já não distingue governo de militância. Seja no plenário ou no inferninho, o importante é manter a festa — mesmo que o país não esteja no mesmo ritmo.

Moro ficou sozinho?

A candidatura de Sergio Moro começa a ruir de dentro para fora. No Paraná, o Progressistas já não esconde sua preferência. Rafael Greca é citado em verso e prosa como alternativa — mesmo sem sequer fazer parte da federação. Moro vê sua própria federação trabalhar por um substituto que nem é filiado. É o tipo de recado que dispensa explicação. Em Brasília, o cenário também mudou. Moro acreditava ter em Antonio Rueda e Davi Alcolumbre seus principais fiadores políticos. Já teve. Hoje, ambos se aproximam de Lula e reorganizam suas posições em torno de quem detém o poder real. O ex-juiz sobe à capital em busca de respaldo e encontra silêncio. Nos bastidores, a leitura é direta: Moro deixou de ser prioridade. No Paraná nunca foi consenso. Agora em Brasília nem projeto é mais. O esvaziamento é tão evidente que até entre seus próprios aliados surgem sinais involuntários de constrangimento. Um dos assessores mais empolgados com sua candidatura fez questão de prestigiar — com curtida e compartilhamento — uma publicação recente da Folha de S.Paulo no Instagram que destacava a articulação de Gilberto Kassab ao filiar novos deputados em São Paulo. Um gesto pequeno, mas politicamente devastador. Até quem está ao lado de Moro parece reconhecer, ainda que em silêncio, onde a política de verdade está sendo construída. Sua candidatura já não depende dele. Depende de alguém ainda querer sustentá-la. Tem alguém aí? Pois até o assessor…  

Pesquisa aponta receio de Lula e Flávio, e abre caminho para uma nova opção

A nova pesquisa do Instituto Futura, realizada entre 3 e 7 de fevereiro, revela um eleitorado menos dividido e mais cansado. Hoje, 47,4% dizem temer a reeleição de Lula, enquanto 37,3% temem a eleição de Flávio Bolsonaro. Não é preferência. É rejeição consolidada. Ambos seguem competitivos, mas limitados. Lula aparece com 35,9%, tecnicamente empatado com Flávio, que registra 37,2%, e carrega uma rejeição de 51,3%. É um teto evidente para quem ocupa o Planalto. É nesse desgaste que emerge o dado mais sensível: Ratinho Junior aparece competitivo contra Lula e chega a 45,2% contra 42,1% em um cenário de segundo turno. Diferentemente de Tarcísio de Freitas — que, com reeleição praticamente assegurada em São Paulo, não disputará a Presidência — Ratinho está politicamente disponível e sem desgaste nacional. Nos bastidores, a leitura é objetiva: o eleitorado começa a sinalizar que pode aceitar uma alternativa fora da polarização. E quando os dois polos acumulam rejeição elevada, o espaço não fica vazio. Hoje, esse espaço começa a ser ocupado por Ratinho Junior.

Recado Dado

A declaração não foi feita em reservado, mas de forma pública e calculada. Durante o programa Ponto de Vista, da Rádio T e do portal D’Ponta News, ambos da cidade de Ponta Grossa, neste sábado, Ricardo Barros afirmou, sem rodeios, que “Guto Silva é o candidato de Ratinho Junior”. Não é uma confirmação formal — é um balão de ensaio lançado em ambiente controlado, onde cada palavra cumpre função. “Ratinho seguirá em silêncio até o prazo legal.” cravou Barros. Não por dúvida, mas por conveniência. Manter mais de um nome em circulação preserva alianças, evita ruídos e impede que o jogo se resolva antes da hora. Antecipar-se seria abrir mão do fator mais valioso neste momento: o controle do tempo. A menção a Rafael Greca, como possível candidato pela federação Progressistas/Uniao Brasil, condicionada a um eventual movimento de Sergio Moro, revela que o Progressistas também se movimenta. Greca surge como alternativa viável, pronta para ocupar espaço caso o cenário mude. Ao colocar Guto em voz alta, Barros ajuda a construir uma percepção política que antecede qualquer anúncio oficial. Em eleições desse porte, o candidato raramente surge de surpresa — ele é, antes, lentamente aceito como o desfecho natural.

Admiração enrustida de assessor de Moro pelo PSD

Nos bastidores, o entusiasmo de um dos mais empolgados assessores de Sergio Moro parece ter escorregado para algo mais próximo da inveja. Diante da organização cirúrgica do PSD, o União Brasil de Moro patina na tentativa de sustentar o próprio líder e, mais do que isso, coleciona dúvidas, ruídos e omissões.   A cena é reveladora. Em uma publicação da Folha de S.Paulo no Instagram, que destacava Gilberto Kassab filiando seis deputados estaduais em São Paulo, lá estava o assessor — sempre combativo nas redes — deixando seu discreto sinal de aprovação. Não apenas “curtiu”. Foi além: compartilhou a publicação. Um gesto público, inequívoco, que disse mais do que qualquer nota oficial ou discurso de bastidor. Talvez fosse apenas admiração. Talvez fosse frustração. Afinal, enquanto Kassab constrói maioria com método, Moro ainda aguarda que seu próprio partido decida se será alicerce ou obstáculo.  

Em estado de insolvência, Correios leiloa o próprio patrimônio

Os Correios decidiram leiloar 60 imóveis para conter o próprio rombo. É a estatal vendendo as paredes para sustentar o desabamento. O dado mais revelador é o que desmonta a narrativa oficial: a venda cobrirá pouco mais de 10% do buraco. Não é solução — é maquiagem. O déficit continua intacto, apenas com menos patrimônio público para mostrar. Não se corrige a causa, liquida-se o que resta. O prejuízo permanece. O patrimônio desaparece. E a gestão que produziu o desastre segue entregue, pontualmente, no mesmo endereço.