Fogo amigo

A pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro esbarrou no primeiro ruído relevante — e ele veio do próprio núcleo familiar. Ao comentar a atuação de Eduardo Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia foi cirúrgico: “Calado, vai ajudar muito mais o irmão do que abrindo a boca para falar asneira.” A crítica surge após Eduardo cobrar publicamente Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira por maior engajamento na construção da candidatura do senador. A resposta veio rápida. Nikolas negou qualquer “amnésia”, relativizou a divergência e preferiu mirar no discurso de unidade, ainda que o estrago já estivesse feito. Nos bastidores, a fala de Malafaia escancara o incômodo de aliados com a postura do ex-deputado, hoje nos Estados Unidos e politicamente enfraquecido após perder o mandato por faltas reiteradas. Distante do front e sem mandato, Eduardo passou a produzir mais ruído do que mobilização. Para Flávio, que tenta vender a imagem de coesão e amplitude, o episódio funciona como alerta precoce: a maior ameaça à narrativa de unidade pode não estar na oposição — mas dentro do próprio sobrenome.
PL ensaia Bolsonaro versão controlada

O jantar promovido pela Esfera Brasil, na noite de ontem, na Faria Lima virou vitrine de um movimento político calculado do PL. Diante de empresários, Valdemar Costa Neto tratou de posicionar Flávio Bolsonaro como alternativa mais previsível ao mercado, resumindo a estratégia em uma frase que repercutiu entre os presentes: “Flávio não tem os destemperos do pai.” Ao sugerir que o senador poderia inclusive fazer um governo melhor que o de Jair Bolsonaro, Valdemar deixou implícito o diagnóstico interno do partido — o capital eleitoral do sobrenome segue intacto, mas o desgaste político do estilo precisa ser administrado. Nos bastidores, o gesto revelou o início de uma operação de reposicionamento: manter a força do bolsonarismo enquanto se testa uma versão mais controlada e palatável ao mercado. Mais do que elogio, o jantar funcionou como termômetro de viabilidade.
Fila de 20 mil consolida marca dos cívico-militares no Paranácivico

A fila de mais de 20 mil estudantes por vagas em colégios cívico-militares no Paraná deixou de ser apenas estatística educacional e passou a circular nos bastidores como ativo político relevante. Implementado pelo governo estadual em 2021, o programa se expandiu rapidamente e hoje reúne 345 unidades — a maior rede do país —, mas ainda assim convive com demanda crescente. No Centro Cívico, a leitura é direta: quando a espera praticamente dobra em um ano, saltando de cerca de 11 mil para mais de 20 mil alunos, o debate deixa de ser conceitual e passa a ser de escala. A política pública, que nasceu como aposta de gestão, consolidou base de adesão social capaz de gerar pressão por ampliação e, sobretudo, capital político para quem a conduz. O movimento revela um fenômeno típico de políticas com identidade forte: quanto mais se expande, mais interesse produz. E, no ambiente político, poucos indicadores são tão eloquentes quanto famílias disputando acesso a um modelo específico de escola — sinal de que a pauta já ultrapassou o campo técnico e passou a render dividendos políticos concretos.
A esquerda acende o pavio da crise

A esquerda brasileira está flertando abertamente com uma política capaz de provocar uma quebradeira em cadeia no país. O fim da escala 6×1, defendido e impulsionado por seus principais líderes e movimentos, é vendido como conquista social — mas, na prática, é um ataque direto à sobrevivência de empresas e empregos. Os números são devastadores. A redução da jornada sem redução de salários pode elevar o custo por trabalhador em mais de 20%. Na indústria, o impacto chega perto de R$ 180 bilhões. No setor público, mais de R$ 150 bilhões. É uma conta impagável, que não surge do nada: alguém paga. E esse alguém é o próprio país. O que a esquerda trata como “direito” é, na realidade, uma sentença para milhares de empresas que operam no limite. Pequenos negócios não terão margem para absorver esse choque. O resultado será inevitável: demissões em massa, fechamento de empresas e retração econômica. Não é teoria. É matemática. E o efeito dominó é claro: menos empresas, menos empregos, menos arrecadação e um país mais pobre. Simulações já apontam risco de queda brutal no PIB — um sinal inequívoco de que não se trata de ajuste, mas de destruição econômica. Ainda assim, a esquerda insiste. Ignora os alertas, ignora os números e ignora a realidade. Prefere a narrativa ao invés da responsabilidade. Prefere o casuísmo eleitoral e o voto demagogo, mesmo que isso custe o colapso amanhã. É assim que começa uma quebradeira nacional: quando a ideologia passa a mandar mais do que a economia. E a esquerda está empurrando o Brasil exatamente nessa direção
Reação de toga

A decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu os chamados penduricalhos abriu um foco de tensão incomum no Judiciário. Nos bastidores, magistrados reagiram com irritação ao corte de verbas que permitiam remunerações acima do teto e passaram a discutir formas de mobilização. Em grupos internos, surgiram relatos de operação tartaruga, paralisações e até menções — ainda incipientes — à hipótese de greve. O incômodo vai além do impacto financeiro e alcança o simbolismo de uma medida vista por parte da categoria como mudança abrupta de entendimento. O episódio coloca em rota de colisão a defesa corporativa por autonomia remuneratória e a crescente pressão pública contra supersalários. Greve formal permanece improvável, mas o simples debate já expõe o tamanho do desconforto. Quando magistrados discutem paralisação, o tema deixa de ser administrativo e passa a ser político — um sinal de que a decisão dificilmente será absorvida sem resistência.
O Movimento político da Câmara de Curitiba

Nos bastidores, o concurso nacional lançado pela Câmara Municipal para sua nova sede é interpretado como parte direta do redesenho estrutural que o governador Ratinho Junior vem conduzindo em Curitiba, com execução política do prefeito Eduardo Pimentel e adesão estratégica do presidente do Legislativo, Tico Kuzma. O argumento técnico é consistente: o atual prédio, ocupado desde 1963, enfrenta limitações estruturais, não atende plenamente às normas modernas de acessibilidade, segurança e eficiência, e já exigiu sucessivas intervenções corretivas sem resolver sua obsolescência. O novo projeto, organizado sob as regras do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), prevê uma estrutura compatível com as exigências contemporâneas de funcionamento institucional, integração urbana e transparência pública. Mas é o contexto político que dá dimensão real ao movimento. A nova sede está inserida no perímetro da revitalização do centro, eixo que concentra investimentos diretos do governo estadual em infraestrutura e requalificação urbana. Ao se posicionar dentro desse novo mapa, a Câmara, sob o comando de Kuzma, se alinha formalmente ao ciclo de transformação impulsionado por Ratinho. Mais do que modernizar um edifício, o Legislativo se insere no projeto político que redefine o centro e consolida um alinhamento claro entre Câmara, prefeitura e Palácio Iguaçu. Em Curitiba, concreto e poder voltam a caminhar lado a lado.
Ratinho confirma apoio a Filipe Barros e mantém alinhamento com PL

Mesmo com o nome cada vez mais presente nas discussões sobre a sucessão presidencial, Ratinho Junior deixa claro que sua prioridade estratégica passa, antes de tudo, por garantir sua própria sucessão no Paraná. Em entrevista à Jovem Pan News, o governador antecipou apoio a Filipe Barros como pré-candidato ao Senado, num gesto que vai muito além de uma simples sinalização política. A declaração revela método e timing. Ratinho não espera o calendário eleitoral. Age antes, organiza o tabuleiro e posiciona peças-chave para evitar qualquer vazio de poder quando deixar o cargo. É o comportamento típico de quem trata a sucessão como processo — não como evento. Enquanto seu nome circula com força no debate nacional, Ratinho mantém o foco no controle do cenário estadual. O apoio antecipado é um recado claro: não pretende deixar espaços abertos nem permitir que adversários ocupem o terreno que construiu. Ratinho pode até estar no radar presidencial. Mas trabalha, com precisão, para garantir que sua sucessão no Paraná já esteja encaminhada.
Arremedo de Nikolas

180 quilômetros. Seis dias de caminhada. E, em vários trechos, menos de 20 pessoas ao redor. A chamada “Acorda Brasil Paraná”, liderada por Cristina Graeml, escancara uma realidade constrangedora: não é um movimento. É uma tentativa desesperada de parecer relevante. Vinte pessoas não sustentam uma mobilização. Foi, no máximo, vergonha alheia. Cristina tenta se vender como antissistema, mas segue exatamente o manual mais previsível da velha política: criar factóides, encenar atos simbólicos e implorar por atenção. Nada ali é espontâneo. Tudo é calculado para gerar a ilusão de força onde não existe base real. O chamado “fenômeno Cristina” durou duas semanas, antes do primeiro turno em Curitiba. Bastou o segundo turno. Bastou que fosse ouvida. O verniz caiu. Restou o vazio. Hoje, a imagem é clara: uma caminhada longa demais para esconder uma verdade curta demais. Cristina Graeml anda quilômetros tentando provar que ainda existe politicamente. Mas a realidade é implacável: caminha muito e não sai do lugar.
Moro ainda pensa que é juiz

O isolamento político de Sergio Moro dentro da própria federação ficou explícito — e público. Em entrevista à rádio União FM de Toledo, o deputado federal Ricardo Barros não deixou margem para dúvida ao expor a falha central do senador: “Nesses oito meses, o senador Sergio Moro não buscou conquistar o apoio do Progressistas.” Moro sequer procurou o partido para uma aproximação, ignorando uma estrutura decisiva para validar qualquer candidatura. Barros também desmontou o discurso que Moro tenta sustentar ao afirmar que “o União Progressista não é antissistema.” O recado foi direto: a federação é formada por lideranças que operam dentro da política real, com diálogo e articulação — não por narrativas de isolamento. Nos bastidores, a avaliação é que Moro ainda age como se estivesse de toga. Um juiz pode dar uma decisão monocrática e todos são obrigados a cumprir. A política não funciona assim. Moro não é mais juiz — mas ainda não parece ter percebido.
PT rasga a Lei

Nos bastidores, o PT já decidiu que a lei eleitoral é um detalhe incômodo — não um limite real. No Carnaval de São Paulo, leques com o rosto de Lula, o número 13 e slogans de reeleição foram produzidos dentro da estrutura do próprio partido, a partir do gabinete da deputada Juliana Cardoso (PT‑SP), e distribuídos em blocos como o Tarado Ni Você e o Bloco dos Bancários, no centro da capital. Não foi ato espontâneo. Foi ação planejada, financiada e executada com objetivo explícito: iniciar a campanha de Lula antes da hora. Sem pudor, sem disfarce e sem qualquer respeito ao calendário eleitoral que o próprio PT costuma exigir com fervor quando se trata de seus adversários. O lulismo opera com uma certeza perigosa: a de que as regras existem para conter os outros, nunca a si mesmo. Avança, ocupa, distribui material e aposta na velha tática da impunidade — transformar o ilegal em fato consumado e constranger qualquer reação. É o retrato de um partido que já não se preocupa em respeitar a lei, apenas em dobrá‑la até que se adapte aos seus interesses. Para o PT, a eleição nunca termina. E a lei, quando atrapalha, simplesmente deixa de valer.