Eduardo Pimentel se encontra com autoridades mundiais em evento nos EUA

Eduardo Pimentel apresentou plano de revitalização do Centro da capital e manteve conversas com líderes de grandes cidades do mundo em agenda em Nova York O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), participa de uma série de encontros com autoridades de diversos países durante o programa de formação em gestão executiva da Bloomberg Harvard para líderes municipais, realizado em Nova York, nos Estados Unidos. Durante o evento, Pimentel teve conversas com prefeitos de grandes centros urbanos, como Shelley Berkley (Las Vegas, EUA), Jorge Macri (Buenos Aires, Argentina), Dada Morero (Joanesburgo, África do Sul), Haris Doukas (Atenas, Grécia) e Adrian Schrinner (Brisbane, Austrália). Também dialogou com o governador queniano Abdullswamad Shariff Nassir, do condado de Mombaça. Além da troca de experiências sobre políticas públicas, urbanismo e sustentabilidade, o prefeito apresentou o projeto de revitalização do Centro de Curitiba como um dos cases selecionados pelo PNUD para a “Plataforma de Aceleração para Cidades Sustentáveis”. O plano curitibano contempla intervenções em áreas estratégicas como a Praça Rui Barbosa, Alameda Dr. Muricy e Avenida Marechal Floriano, com foco em habitação, mobilidade, segurança e incentivo à economia criativa. Leia mais: Pimentel freia a indústria da multa e muda a lógica dos radares em Curitiba “Devolvemos a atratividade do Centro, com a realização de eventos como o Domingo no Centro, que leva milhares de curitibanos para o calçadão da Rua XV; a requalificação urbanística; a ampliação da segurança; o reforço da ação social; a preservação histórica, entre outras ações”, disse Pimentel. A presença do prefeito no evento internacional também incluiu reuniões com professores, funcionários e estudantes de Harvard, além de especialistas da rede global da Bloomberg Philanthropies. A estratégia da prefeitura é atrair recursos internacionais e consolidar Curitiba como referência mundial em urbanismo sustentável e inovação social. “O compartilhamento de experiências é muito importante para todos nós, que temos desafios em comum”, concluiu Eduardo Pimentel. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

TRE cassa prefeito e vice de São João e manda fazer nova eleição

Justiça apontou abuso de poder político e econômico durante a campanha de 2024 O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) cassou o mandato do prefeito de São João, Clóvis Mateus Cuccolotto (PSD), e do vice Valdir Wiesenhutter (PL), por abuso de poder político e econômico. Os dois também ficaram inelegíveis por oito anos, a partir do pleito de 2024. A Justiça determinou a convocação de novas eleições no município, que fica no Sudoeste do Estado. Ainda cabe recurso ao TSE. A condenação foi baseada numa Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apontou uso indevido do programa “Frente de Trabalho”, mantido pela prefeitura. Segundo o TRE, houve contratações temporárias contínuas desde janeiro de 2022, com renovações a cada 90 dias, encerradas só em setembro daquele ano após ordem judicial. A cada renovação, o gasto era de R$ 213,7 mil. No total, o programa consumiu mais de R$ 2 milhões, com pico de contratações no período eleitoral. De acordo com a decisão, o programa foi usado como forma de empregar as mesmas pessoas, sem rodízio, com base em critérios subjetivos como “melhor serviço prestado”. O relator, desembargador José Rodrigo Sade, apontou que o objetivo real não era assistência social, e sim a substituição irregular da mão de obra pública. “O Programa Frente de Trabalho foi usado como forma de obter mão de obra e não como um programa social”, escreveu. A defesa alegou que as atividades eram essenciais e que os serviços parariam sem essas contratações. Mas o TRE não comprou a justificativa. O relator destacou que, em dois decretos assinados já em 2024, a prefeitura contratou até 25 pessoas por dia para funções de auxiliar de serviços gerais, cargo que tinha sido extinto e que, pela regra, deveria ser ocupado por servidores concursados. “O Município de São João, seja por desorganização, incompetência ou dolo de improbidade administrativa, NÃO REALIZOU SUFICIENTEMENTE processos de contratação”, afirmou Sade. Além do desvio de finalidade no uso do programa, a Justiça também apontou outras irregularidades, como a distribuição de brindes durante evento de saúde pública. Copos térmicos do tipo “Stanley” teriam sido entregues no programa “Agosto Azul”, o que é proibido pela legislação eleitoral. A sentença ainda cita uso da estrutura pública para beneficiar particulares. Leia mais: Vereadores de Matinhos colocam em pauta criação de auxílio-alimentação para eles mesmos Para o TRE, ficou claro que prefeito e vice criaram um cenário deliberado de escassez de servidores para justificar contratações emergenciais, concentradas justamente no período eleitoral. “Não apenas houve o desvio de finalidade do programa Viver Melhor, em especial quanto à utilização das suas frentes de trabalho para atividades não essenciais, típicas de servidor público, mas esse desvio foi construído ao longo do tempo, com aumento significativo no período eleitoral”, afirmou o relator. A única vitória parcial dos dois foi a redução da multa aplicada: de R$ 100 mil para R$ 50 mil. Mas a situação pode piorar. Isso porque, após o pleito de 2024, a prefeitura republicou um edital de quase R$ 430 mil para contratar pessoal, agora com exigência de pejotização. Até dezembro, mais de 40 pessoas se credenciaram como MEI para prestar os mesmos serviços de auxiliar de serviços gerais, função que a própria gestão tinha extinguido nos quadros efetivos. A nova contratação já é alvo de questionamentos e pode gerar outra AIJE contra Clóvis e Valdir. Enquanto isso, o município aguarda a definição de data para escolher novos gestores nas urnas. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

PGR pede condenação de Bolsonaro por tentativa de Golpe de Estado

Ex-presidente é acusado de liderar organização criminosa para impedir a posse de Lula após eleições de 2022 A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por envolvimento direto na tentativa de Golpe de Estado após as eleições de 2022. A manifestação foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no final da noite desta segunda-feira (14) e acusa Bolsonaro de integrar e liderar o núcleo central de uma organização criminosa que tentou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parecer foi assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet e entregue ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Trata-se das alegações finais da PGR em uma ação penal que envolve oito réus, todos apontados como parte da cúpula da trama golpista. Além de Bolsonaro, estão no mesmo processo os ex-ministros Braga Netto, Augusto Heleno e Anderson Torres, além do tenente-coronel Mauro Cid, que firmou acordo de delação premiada. Entre os crimes atribuídos ao grupo estão Golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A PGR sustenta que os envolvidos atuaram em conjunto para “deslegitimar o resultado das eleições” e “mobilizar as Forças Armadas contra os demais Poderes da República”. No caso específico de Bolsonaro, o Ministério Público destaca que o ex-presidente foi o principal beneficiário e articulador da tentativa de ruptura institucional. A chamada “minuta do golpe”, que previa a prisão de ministros do STF e a convocação de novas eleições, é citada como peça-chave das investigações. Leia mais: Bolsonaro afirma que querem destruí-lo no dia da entrega das alegações finais da PGR “As ações de JAIR MESSIAS BOLSONARO não se limitaram a uma postura passiva de resistência à derrota, mas configuraram uma articulação consciente para gerar um ambiente propício à violência e ao golpe. O controle da máquina pública, a instrumentalização de recursos do Estado e a manipulação de suas funções foram usados para fomentar a radicalização e a ruptura da ordem democrática”, escreveu Paulo Gonet. Com a apresentação das alegações finais, abre-se agora prazo de 15 dias para manifestações de Mauro Cid, que é réu colaborador, e, na sequência, para as defesas dos demais réus. Depois disso, o caso será julgado pela Primeira Turma do STF, que poderá absolver ou condenar os acusados. Em caso de condenação, as penas serão fixadas individualmente. No mesmo dia em que a PGR apresentou o documento, Bolsonaro publicou mensagem nas redes sociais dizendo que o sistema quer “destruí-lo por completo” e afirmou que está sendo perseguido por ser uma voz de oposição. Se condenado por todos os crimes, o ex-presidente pode pegar mais de 40 anos de prisão, embora o Código Penal estabeleça limites máximos para cumprimento de pena. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Eduardo Bolsonaro diz que vai abandonar o mandato para seguir nos EUA

Deputado afirmou que não pretende retornar ao Brasil e que considera mais importante o trabalho que realiza no exterior O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse que deve abandonar o mandato na Câmara dos Deputados. Em entrevista publicada nesta segunda-feira (14) pelo jornal O Estado de S. Paulo, ele afirmou que não pretende voltar ao Brasil e declarou que o trabalho que tem feito nos Estados Unidos “é mais importante” do que qualquer atividade que poderia exercer no país. “Se eu perder o mandato, perco, mas continuo aqui. O trabalho que estou fazendo aqui é mais importante do que aquilo que eu poderia fazer no Brasil”, afirmou. O parlamentar está licenciado desde março e permanece nos EUA, onde atua em articulações políticas com figuras ligadas à direita norte-americana. Eduardo também disse que só retornaria ao Brasil quando, segundo ele, o ministro Alexandre de Moraes “não tiver mais força para prendê-lo”. Moraes é relator no STF de inquéritos que investigam a atuação da família Bolsonaro em articulações antidemocráticas. A licença de Eduardo Bolsonaro termina no próximo sábado (20). Caso não reassuma o mandato, poderá ser enquadrado por faltas e perder automaticamente o cargo. A justificativa apresentada à Câmara foi de “interesse particular”, mas ele não revelou onde está residindo ou trabalhando exatamente. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu abertura de inquérito no STF para apurar se Eduardo cometeu crimes como obstrução de justiça, coação e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito. O deputado é acusado de atuar para influenciar o governo dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras, especialmente Alexandre de Moraes. Leia mais: Congresso entra em recesso com LDO travada e pauta cheia de pendências Além da investigação da PGR, o PT entrou com ação no Supremo pedindo a cassação do mandato de Eduardo. A legenda alega que ele articulou nos EUA a imposição de tarifas contra produtos brasileiros, durante negociações com aliados de Donald Trump, o que teria causado prejuízos ao país. Se a saída do cargo for confirmada, a vaga fica com o suplente Missionário José Olímpio (PL-SP), que já ocupa provisioriamente a vaga desde a licença solicitada por Eduardo Bolsonaro. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Congresso entra em recesso com LDO travada e pauta cheia de pendências

Parlamentares terão 15 dias de folga, mas deixam para agosto votações importantes como a LDO, isenção do IR e PECs polêmicas Com o fim dos trabalhos nesta semana, o Congresso Nacional inicia o recesso parlamentar de julho a partir da próxima sexta-feira (18), e só retoma as atividades no dia 4 de agosto. Serão 17 dias de pausa mesmo com diversas pautas importantes ainda pendentes de votação. Entre os projetos que ficam represados está a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que deveria orientar a elaboração do Orçamento. A votação da LDO é, em tese, pré-requisito para o recesso, mas a prática política tem permitido que o recesso ocorra mesmo sem a análise da proposta. Até agora, a LDO não foi pautada nem no Senado nem na Câmara. Outro item que não será votado nesta semana é o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil. A proposta encabeçada pelo governo foi ajustada pelo relator Arthur Lira (Progressistas-AL), mas deve ter a análise em plenário empurrada para para o segundo semestre. Também seguem empacadas a PEC da Segurança Pública, que define competências da União e dos estados na área, e a proposta que muda as regras de licenciamento ambiental, criticada por ambientalistas e defendida por setores do agronegócio. Ambas chegaram a ser discutidas nas últimas semanas, mas enfrentaram resistência dentro e fora do Congresso. Leia mais: Taxação: Uma das maiores madeireiras do Paraná, Millpar, anuncia férias coletivas Ao longo desta semana, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda tenta aprovar alguns projetos de menor impacto, mas as votações mais sensíveis devem ficar para agosto. Podem ser votados até a quinta-feira (17): Criação do Cadastro Nacional para Pessoas com Alzheimer; Projeto que institui a Força Nacional do SUS; e Lei de Incentivo ao Esporte. O recesso parlamentar, previsto pela Constituição, só pode ser interrompido em caso de convocação extraordinária, o que não está no horizonte neste momento. A previsão é que o Congresso volte ao ritmo normal só em agosto, com as comissões retomando os trabalhos e as pautas represadas voltando ao centro do debate político. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

EDITORIAL: Escala 6×1: Lula se apropria de pauta eleitoreira na busca por mais 4 anos no poder

Presidente viu que bandeira do “rico contra pobre” rendeu crescimento em sua popularidade e nas redes sociais A súbita guinada do Governo Federal em apoio à proibição da escala de trabalho 6×1 chama atenção não apenas pelo conteúdo da proposta, mas, sobretudo, pela conveniência política de seu timing. Trata-se de uma reviravolta que escancara um velho vício da política brasileira: a apropriação de pautas como moeda de troca para salvar popularidade em baixa. Neste caso, o Partido dos Trabalhadores, que até pouco tempo ignorava ou minimizava o debate, agora se veste de defensor aguerrido dos direitos trabalhistas. Não por princípio, mas por cálculos óbvios: 2026 está logo ali. Mas afinal, por que o governo não embarcou na proposta em 2024 ou no início de 2025? A razão para isso estava diretamente ligada ao xadrez político e econômico daquele momento. De um lado, a equipe econômica tentava a todo custo manter o discurso de previsibilidade fiscal e agradar o mercado. Logo, alterar regras trabalhistas poderia gerar ruído entre investidores e setores empresariais. De outro, havia uma preocupação clara em não tensionar a relação com o varejo e as federações do comércio, que fazem forte lobby no Congresso e têm influência direta sobre empregos e arrecadação. Mesmo a base do PT evitou tocar no tema, receosa de provocar um racha em setores que, embora não sejam aliados históricos, poderiam se mostrar úteis no avanço de outras pautas mais prioritárias ao Planalto. O resultado foi um silêncio conveniente e agora, em julho de 2025, uma reviravolta incoerente. A chamada escala 6×1, prevista no artigo 67 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), determina que o trabalhador deve ter direito a um repouso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos domingos. Esse modelo vem sendo historicamente flexibilizado por decisões judiciais e acordos coletivos, especialmente no setor de comércio e serviços. Mas, muitas outras áreas de atuação já exercem historicamente a escala 5×2, majoritariamente de segunda a sexta-feira, com folga para os funcionários nos sábados e domingos. A proposta em discussão, encabeçada por parlamentares do PSOL e agora endossada pelo próprio presidente da República, primeiro em seu discurso à nação às vésperas do feriado do Dia do Trabalho, e mais recentemente em uma fala pública na última sexta-feira (11), visa assegurar que, no mínimo, o trabalhador tenha dois dias de folga obrigatoriamente por semana. A proposta encontra respaldo na demanda de sindicatos, especialmente ligados ao setor comerciário, que denunciam a precarização dos vínculos familiares e sociais de trabalhadores submetidos a escalas ininterruptas. Não se trata de uma demanda nova. A luta contra a escala 6×1 no comércio é histórica, sobretudo entre os sindicatos urbanos. O que chama atenção é que, em 2023, o governo Lul, o mesmo que hoje levanta a bandeira de uma jornada de trabalho reduzida, não moveu um dedo quando a pauta foi discutida. Na prática, virou as costas. A então proposta de alteração da escala sequer foi pautada como prioridade no Executivo, e integrantes da base aliada a criticaram abertamente. O silêncio de Lula e de seus ministros à época foi interpretado como um aceno ao empresariado. Agora, diante de uma crise de imagem crescente, a retórica muda e com ela, o alinhamento ideológico do governo. Segundo as última pesquisas, a desaprovação do governo Lula vem caindo após alcançar patamares recordes. Tudo isso pela campanha de que é preciso taxar ricos e também devido a taxação de 50% definada por Donald Trump em todos os produtos exportados pelo Brasil. Apesar disso, o cenário para Lula é ainda preocupante quando se observam os dados mais recentes da Paraná Pesquisas, que apontam rejeição majoritária ao governo em estados-chave, inclusive entre eleitores que votaram no presidente em 2022. É nesse contexto que a pauta trabalhista volta ao centro do debate. Mas não por convicção, por conveniência. Leia mais: Pimentel freia a indústria da multa e muda a lógica dos radares em Curitiba A guinada não é isolada. Vem acompanhada de outras medidas de claro apelo eleitoral, como a proposta de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos que deve ser votada antes do recesso parlamentar. Economistas apontaram a falta de planejamento e a incoerência entre a renúncia de arrecadação e o discurso de responsabilidade fiscal. Os próprios parlamentares notaram que lá no Dia do Tabalho, o anúncio do enfrentamento a escala 6×1 foi feito de forma precipitada e politicamente calculada, ao lado de um pacote de ajuste fiscal que, na prática, anula boa parte do ganho social pretendido. A conta não fecha, mas o governo aposta que a narrativa compensa mais que a matemática. A tentativa do governo de reescrever sua postura frente à escala 6×1, agora com discursos cada vez mais inflamados e apoio público à PEC, é mais um capítulo dessa estratégia. A imprensa mesmo vem expondo, recentemente, que o PT decidiu “abraçar” a proposta para tentar conter o derretimento da imagem de Lula entre os trabalhadores. É o velho jogo do espelho: o que antes era incômodo, agora serve de bandeira, desde que possa render dividendos eleitorais. Do ponto de vista técnico, a proposta tem impactos diretos nas relações trabalhistas e operacionais do comércio. Estima-se que mais de 8 milhões de brasileiros atuem no setor varejista, boa parte em jornadas rotativas. A mudança na regra afetaria escalas de trabalho, políticas de compensação e até mesmo a precificação de serviços. Embora seja legítimo defender melhores condições de descanso e convivência familiar, o debate exige responsabilidade. Transformar isso em uma vitrine política arrisca banalizar uma conquista social em potencial. Além disso, a forma como o governo tenta se apropriar da pauta reforça um padrão problemático: quando a popularidade cai, retoma-se uma retórica progressista que havia sido convenientemente silenciada. Foi assim com a taxação das grandes fortunas, com o marco temporal indígena e agora com a escala 6×1. O resultado é um governo que, aos olhos do eleitor, parece cada vez mais movido por pesquisas de opinião do que por compromissos programáticos. A democracia perde quando políticas públicas

EDITORIAL: Pimentel freia a indústria da multa e muda a lógica dos radares em Curitiba

Em seis meses de gestão, prefeitura muda padrão da fiscalização e reduz em quase 20% o número de infrações registradas na cidade Por décadas, os radares de trânsito em Curitiba foram vistos com desconfiança. Apelidados de “radares pegadinhas” por motoristas, muitos desses equipamentos pareciam mais preocupados em gerar receita do que em salvar vidas. Mudanças súbitas de limite de velocidade, sinalização precária e pontos mal posicionados alimentaram a fama da “indústria da multa”, tema recorrente de críticas e insatisfação popular. E o fato é que, independente do prefeito, esse problema nunca foi realmente enfrentado, até agora. Em seus primeiros seis meses à frente da Prefeitura, Eduardo Pimentel (PSD) decidiu mudar o jogo. Embora seja sucessor e aliado político de Rafael Greca (PSD), o novo prefeito optou por fazer diferente onde era preciso. Cumprindo promessa de campanha, sua gestão implantou uma nova sinalização em todos os 155 pontos de radares da cidade. A medida, que incluiu faixas refletivas nas colunas dos equipamentos, pinturas chamativas no chão e reforço na visibilidade noturna, deu resultado: o número de infrações caiu quase 20% entre janeiro e maio de 2025 em relação ao mesmo período do ano passado. Mais do que um ajuste técnico, trata-se de uma mudança de postura. A prefeitura trocou o questionamento pela transparência, a armadilha por orientação. Ao deixar evidente onde estão os radares e quais são os limites de velocidade, o poder público devolve ao cidadão o direito de circular com clareza das regras, e, com isso, reforça a ideia de que o trânsito é uma responsabilidade compartilhada. A maior queda nas infrações ocorreu justamente onde o problema mais doía: nas multas por excesso de velocidade superior a 50% do limite da via. Foram mais de 34 mil infrações a menos nesse tipo de ocorrência. A redução também foi expressiva em outras categorias, como o desrespeito à faixa de rolamento, o que reforça o argumento da prefeitura de que, quando o motorista é bem informado, ele respeita as regras e o trânsito fica mais seguro para todos. Leia mais: Câmara de Curitiba bate recordes de produtividade e se destaca no Brasil Essa guinada na política de fiscalização também rompe com uma cultura punitivista enraizada em muitas cidades brasileiras, onde o Estado se esconde atrás de normas pouco objetivas para multar mais e explicar menos. Curitiba dá um passo na direção contrária, ao investir em iluminação adequada, padronização visual e sinalização horizontal antecipada, com a palavra “Radar” pintada no asfalto. São detalhes que parecem simples, mas fazem toda a diferença na experiência do motorista. A decisão de padronizar os radares, dar visibilidade total à fiscalização e acabar com a sensação de emboscada tem um impacto simbólico importante. A gestão Pimentel está dizendo, com ações, que os equipamentos estão ali para orientar e proteger, e não para punir de forma arbitrária. Ao deixar de tratar o cidadão como infrator em potencial, a Prefeitura passa a promover educação e prevenção. É evidente que a fiscalização segue sendo necessária e que os radares não deixarão de aplicar multas quando o limite for desrespeitado. Mas o mérito da atual gestão está em devolver legitimidade ao sistema, acabando com a lógica punitiva e aumentando a transparência. Nesse sentido, os avanços não são apenas técnicos: são políticos. Enfrentar a velha “indústria da multa” exigia coragem, já que se tratava de um sistema consolidado, historicamente lucrativo e amparado por uma burocracia que sempre resistiu a mudanças. Ao optar por uma abordagem mais honesta com o motorista, Eduardo Pimentel mostra que é possível fazer diferente, mesmo sendo continuidade e respeitando o seu antecessor. E, neste caso, fazer diferente do que vinha sendo feito é fazer melhor para o interesse do cidadão. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

De olho nas eleições, Moro inicia caravana por 32 cidades do Paraná

Senador vai percorrer o interior com foco em visibilidade política para a disputa do governo A partir deste sábado (12), o senador Sergio Moro (União Brasil) dá início a uma caravana por 32 cidades do Paraná. Ao lado da esposa, a deputada federal Rosangela Moro (União-SP), ele vai usar o recesso do Congresso Nacional para rodar o estado e reforçar sua presença política nos municípios, em um movimento claro de quem já está se posicionando para as eleições de 2026. O roteiro batizado de “Moro no Paraná” começa pelos Campos Gerais e vai até o fim do mês. Segundo o senador, a ideia é prestar contas do mandato e manter o compromisso de estar próximo da população, assumido ainda na campanha de 2022. Leia mais: Pimentel freia a indústria da multa e muda a lógica dos radares em Curitiba “Quando fui candidato, um dos compromissos que assumi foi que não me limitaria a ficar em Brasília, mas que teria constante contato com a população. Tenho feito isso nos finais de semana, e agora vou aproveitar o recesso para circular pelas cidades e conversar com as pessoas”, afirmou. Moro ainda deixou um recado: “Fique de olho aberto porque, de repente, a gente está passando na sua cidade”. Embora o discurso seja de prestação de contas, o giro pelo estado tem forte carga simbólica e eleitoral. Moro tenta manter o capital político ativo após enfrentar instabilidade jurídica no início do mandato e já articula os próximos passos no cenário estadual. Com o PSD dominando o governo do Paraná, o senador busca ocupar espaços e se consolidar como uma opção competitiva para 2026. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Hillary Clinton critica Trump por taxar produtos do Brasil: “Quer proteger amigo corrupto”

A ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, criticou duramente a decisão de Donald Trump de impor tarifas a produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, ela acusou o ex-presidente republicano de agir por interesse pessoal e político, com o objetivo de proteger Jair Bolsonaro (PL) “Donald Trump quer proteger seu amigo corrupto do Brasil. Não é surpresa. É assim que ele sempre agiu”, escreveu Hillary. A frase foi compartilhada dias após Trump anunciar que vai sobretaxar produtos de países que, segundo ele, “não respeitam os Estados Unidos”, o que incluiria o Brasil. Leia mais: Lula reage a Trump e ameaça retaliar EUA com Lei de Reciprocidade Comercial O governo brasileiro reagiu com firmeza à medida e à declaração. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu aplicar o princípio da reciprocidade comercial, o que pode levar a retaliações contra produtos norte-americanos. A avaliação interna é de que Trump tenta usar a política externa para reforçar alianças pessoais e eleitorais, mirando a comunidade brasileira nos Estados Unidos e o eleitorado conservador. A manifestação de Hillary reacende o embate entre democratas e republicanos, em um contexto em que Trump tem maioria na Câmara e Senado dos Estados Unidos. O Brasil, nesse cenário, acaba entrando no jogo geopolítico de força do presidente Trump, com possíveis impactos na balança comercial e nas relações bilaterais. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Lula não pretende telefonar para Trump e prepara retaliação comercial, diz Planalto

Presidente avalia aplicar a Lei de Reciprocidade após ameaça de sobretaxa a produtos brasileiros feita pelo governo dos Estados Unidos O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pretende telefonar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a ameaça de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, o governo brasileiro avalia aplicar a Lei de Reciprocidade Comercial, em caso de retaliação formal por parte dos norte-americanos. A decisão ocorre após Trump publicar, em uma rede social, que pretende rever acordos comerciais com o Brasil. Ele acusou o país de práticas desleais e disse que adotará medidas mais duras se não houver, segundo ele, “comércio justo”. De acordo com auxiliares, Lula já comunicou à equipe que não fará contato direto com Trump neste momento e determinou que a resposta institucional seja conduzida pelos canais diplomáticos e técnicos. Leia mais: Lula reage a Trump e ameaça retaliar EUA com Lei de Reciprocidade Comercial A Lei de Reciprocidade permite ao Brasil adotar restrições semelhantes às impostas por outros países. A medida está sendo analisada por ministérios da área econômica e pelo Itamaraty. O governo brasileiro considera que a declaração de Trump ainda não tem efeitos práticos, mas acompanha a situação. Caso as ameaças se concretizem, a resposta será imediata, afirmam fontes do Planalto. O Itamaraty deve divulgar uma nota oficial nos próximos dias reafirmando a posição brasileira e reiterando o compromisso com regras internacionais de comércio. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!