De gestor eficiente ao homem da sustentabilidade estadual: Rafael Greca se consolida como player em 2026

Ex-prefeito de Curitiba e com mais de 40 anos de vida pública, Greca assumiu papel estratégico no governo Ratinho Junior Rafael Valdomiro Greca de Macedo, 69 anos, é uma das figuras mais conhecidas e duradouras da política paranaense. Atual secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável, ele assumiu o novo cargo em março de 2025, após dois mandatos consecutivos à frente da Prefeitura de Curitiba, cidade que governou com forte marca pessoal, voltada à inovação urbana e à gestão ambiental. Greca tem no currículo uma trajetória que atravessa quatro décadas, vários partidos políticos e diferentes cargos no Legislativo e no Executivo. Economista e engenheiro civil com especialização em urbanismo, começou a vida pública ainda nos anos 1980. Foi deputado estadual, deputado federal, secretário Estadual de Planejamento e Coordenação Geral do Paraná e ministro do Turismo e Esporte no governo Fernando Henrique Cardoso. Mas foi como prefeito da capital paranaense, primeiro nos anos 1990 e depois no ciclo 2017-2024, que consolidou sua imagem de gestor eloquente, popular e apaixonado por cidades inteligentes. No comando da Prefeitura, Greca implementou projetos como a Rede Integrada de Transporte Elétrico, o Plano de Mobilidade Sustentável, a ampliação dos Faróis do Saber e da Inovação, além de parcerias internacionais que renderam prêmios à capital. Sob sua gestão, Curitiba foi reconhecida como a “Cidade Mais Inteligente do Mundo” em Barcelona (2023) e como a “Comunidade Mais Inteligente do Mundo” em Nova York (2024), sendo também apontada como a cidade mais sustentável da América Latina pela revista Corporate Knights, do Canadá. Ao deixar o cargo de prefeito no fim de 2024, passou a ocupar uma das posições mais estratégicas do governo Ratinho Júnior: o comando da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (Sedest). A escolha teve forte peso político e técnico. Na nova função, Greca articula políticas estaduais para áreas como meio ambiente, segurança hídrica, energia limpa, gestão de resíduos e mudanças climáticas. Já lançou, por exemplo, o programa “Empreendedoras da Reciclagem”, que capacita mulheres da Região Metropolitana de Curitiba para atuar como lideranças em cooperativas e negócios sustentáveis. Leia mais: Guto Silva: o homem que pode carregar o legado de Ratinho Junior Um dos eixos de sua atuação atual também é a implementação da chamada “Reserva Hídrica do Futuro”, um projeto que busca garantir segurança no abastecimento de água em tempos de crise climática. Ao lado disso, Greca tem defendido maior incentivo à mobilidade elétrica e à geração de energia solar em equipamentos públicos, uma linha que já vinha sendo fortalecida em Curitiba, com terminais de ônibus abastecidos por placas solares e corredores sustentáveis em obras de BRT, além da Pirâmide Solar do Caximba. Sua paixão pela capital paranaense não encerrou junto com o fim de seu mandato. Mesmo tendo passado o bastão para seu então vice, Eduardo Pimentel (PSD), Rafael Greca é prefeito emerito da cidade e reconhecido em todos os cantos do Paraná por sua trajetória de dedicação e amor pela adminstração público. Fora da vida pública, Greca é conhecido por seu lado erudito e folclórico. É autor de livros, membro da Academia Paranaense de Letras e defensor declarado do “Paranismo”, movimento artístico-cultural que valoriza as raízes do Paraná. Também acumula homenagens nacionais e internacionais, como o World Habitat Award (ONU), a Ordem do Rio Branco (Itamaraty) e a Medalha de Jerusalém. Figura carismática, de discurso rebuscado e muitas vezes teatral, Greca combina erudição com um estilo popular e performático. Seus vídeos em redes sociais, onde fala com entusiasmo sobre arquitetura, literatura, culinária e urbanismo, viralizaram em diferentes momentos das últimas gestões. Ao assumir a Sedest, ele se reinventa mais uma vez, agora como porta-voz da sustentabilidade em escala estadual. O movimento também consolida a aproximação entre Greca e o governador Ratinho Júnior (PSD), em um tabuleiro político que já mira as eleições de 2026. Se o ex-prefeito será apenas um nome de luxo ou um articulador de primeira linha dentro do governo estadual, o tempo dirá. Por enquanto, sua presença dá peso político, experiência administrativa e visibilidade a uma área estratégica do governo. E reforça o protagonismo do Paraná nas pautas verdes do país. “Essa pasta me caiu como uma luva”, diz Greca Em entrevista exclusiva ao Politiza, o secretário falou sobre a atuação na nova pasta, o futuro político e as possibilidade de, mesmo aos 69 anos, entrar em uma disputa majoritária que promete ser acirrada. Sobre a atuação na secretaria de Desenvolvimento Sustentável, Greca diz que está muito satisfeito com a função que vem ocupando. “Essa pasta serve para mim como uma luva. Eu continuo o grande esforço que Curitiba sempre teve de se tornar a cidade mais inteligente do país, a cidade mais ambientalmente correta, a cidade com a melhor coleta seletiva de resíduos, a cidade mais limpa e saneada do Brasil. Tudo isso agora com um foco estadual, dando atenção para os 399 municípios. Estamos replicando o que deu certo na capital para todos os cantos do Paraná”, diz Greca. A carreira do adminstrador ressalta suas credenciais para, nas palavras dele, dar pitaco nas cidades dos outros: “Eu fui ministro do Turismo. Coordenei o programa de festividades dos 500 anos de Brasil, fiz a urbanização de Porto Seguro, fiz a Oca do Ibirapuera, arrumei o Cristo Redentor e trabalhei em muitos projetos de urbanismos e de sustentabilidade, mas me cansei de Brasília e quis voltar para o Paraná”, relembra. Sobre o orgulho de ter sido prefeito de Curitiba, o hoje secretário reforça que é preciso estar onde o povo está. “Ter sido prefeito de Curitiba de maneira venturosa como eu fui, que peguei a cidade ferrada, falida, devendo R$ 2 bilhões, com R$ 600 milhões de dividas previdenciária, devolvi uma cidade com R$ 8 bilhões e meio em caixa. Eu acho que a felicidade do povo nasce da virtude do governante”. diz. Leia mais: Requião Filho: do racha com o PT à candidatura majoritária em 2026 Em relação a não assumir a pasta da Cidade, como era o acordado, Rafael Greca afirma ter se surpreendido, mas destaca que gostou do cargo que ocupa. “Gostei mais de ser

Arilson Chiorato vence Zeca Dirceu e seguirá no comando do PT do Paraná

Deputado estadual conquistou maioria dos votos no segundo turno do PED e garantiu mais quatro anos à frente da sigla no estado O deputado estadual Arilson Chiorato (PT) venceu a disputa interna contra o deputado federal Zeca Dirceu (PT) e continuará como presidente estadual do Partido dos Trabalhadores no Paraná pelos próximos quatro anos. O resultado foi confirmado nesta segunda-feira (28), após a apuração da maioria das urnas do segundo turno do Processo de Eleições Diretas (PED) da legenda. Com 100% das cidades apuradas, sendo 269 dos 275 municípios apurados, já que seis não realizaram a eleição, Chiorato somou 8.687 votos, contra 8.374 de Zeca. Mesmo com a disputa apertada e algumas viradas no decorrer da apuração, Arilson conseguiu se manter à frente na reta final e consolidou a vitória. A tendência é que os números se confirmem com a finalização da contagem, já que os votos restantes são de regiões onde ele tem maior força. Apesar de o resultado final não ter sido confirmado, a assessoria do PT do Paraná confirmou a recondução de Chiorato. A eleição interna definiu quem comandará o diretório estadual até 2029 e teve peso simbólico e político para o futuro da sigla no Paraná. Zeca Dirceu, que liderou o primeiro turno no início do mês, tentava retomar o controle do partido com um discurso mais voltado ao retorno às bases e maior protagonismo nos processos eleitorais. Já Chiorato defendeu o fortalecimento da atuação petista e uma direção mais orgânica. Leia mais: Racha no PT do Paraná opõe Gleisi, Chiorato e Ana Júlia a Renato Freitas e Zeca Dirceu nas eleições internas O resultado também tem impacto direto na construção das alianças e das candidaturas do partido para 2026, especialmente na montagem das chapas ao governo do estado, Senado e Câmara. A vitória de Arilson mantém no comando um grupo alinhado ao presidente Lula, mas com forte apoio nas bases e atuação crítica frente às alianças eleitorais. Com isso, o PT do Paraná mantém sua atual direção, mas deixa claro que a disputa interna segue acirrada e que o embate entre alas do partido continuará nos bastidores, especialmente à medida que 2026 se aproxima. Em nota, a assessoria de Zeca Dirceu afirmou que só reconhecerá o resultado após esgotados os questionamentos judiciais. “Não reconheceremos esses resultados até o julgamento das impugnações nas instâncias estadual e nacional. Já foram apresentados por ambos os representantes dos candidatos um número expressivo de impugnações e recursos, o que deverá ser devidamente analisado e julgado pelas instâncias competentes. Diante disso, só reconheceremos o resultado final do segundo turno do PED 2025 no Paraná após a decisão da instância nacional, direito previsto regimentalmente e assegurado para ambas as partes do processo eleitoral”, diz o comunicado. Em uma rede social Arilson Chiorato afirmou que “o PT é oficialmente dos petistas”. Segundo o deputado estadual, é hora de continuar construindo um partido unido, forte e democrático. “[Um PT] que dialoga com todas as forças, com cada filiado e filiada, que combate a extrema direita, e que defende o projeto do presidente Lula, rumo à sua reeleição em 2026”, escreveu. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

“Brasil estaria muito melhor com Ratinho Junior”, diz Eduardo Paes

Prefeito do Rio e aliado de Lula elogia governador do Paraná e provoca o governo federal ao comparar gestões O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), afirmou nesta sexta-feira (25) que o Brasil estaria em situação “muito melhor” se estivesse sendo governado pelo governador Ratinho Junior (PSD). A declaração foi feita durante um evento em Curitiba e gerou repercussão nos bastidores políticos, principalmente por se tratar de um aliado histórico do presidente Lula (PT). Paes fez a comparação ao elogiar o desempenho de Ratinho Junior à frente do governo estadual. “Se o Brasil estivesse sendo governado pelo Ratinho, a gente estaria muito melhor. O Paraná está melhor do que o Brasil”, afirmou o prefeito, que tem bom trânsito no Governo Federal, mas também articula nacionalmente dentro do PSD. A fala, mesmo em tom de elogio local, foi lida como recado político dentro do próprio partido e entre interlocutores do Planalto. Isso porque Ratinho Junior tem se consolidado como uma das apostas de Gilberto Kassab para disputar a Presidência da República em 2026. A legenda avalia lançar uma candidatura própria e o nome do governador paranaense é considerado viável, seja como cabeça de chapa ou até como vice numa composição com Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na mesma linha, pesquisas recentes reforçam o potencial de Ratinho Junior como figura nacional. Segundo levantamento da Paraná Pesquisas, o governador vence Lula no seu próprio estado por larga vantagem: 49% a 15,5%. Em um cenário mais amplo, aparece tecnicamente empatado com Jair Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. Leia mais: Paraná é o estado que mais constrói casas próprias no Brasil, diz Ratinho Junior em entrega de residencial Apesar da movimentação de bastidores, Ratinho Junior evita confronto direto com o governo federal. Em entrevista recente à CNN Brasil, afirmou manter uma relação “franca e institucional” com Lula, mesmo com diferenças políticas. O governador também tem buscado manter a imagem de gestor eficiente e moderado, apostando em uma plataforma de desenvolvimento regional que atrai tanto empresários quanto setores conservadores do eleitorado. A fala de Eduardo Paes, nesse contexto, acaba alimentando a narrativa de que o PSD pode de fato lançar um nome competitivo para 2026 e coloca Ratinho Junior ainda mais no centro do jogo político nacional. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Racha no PT do Paraná opõe Gleisi, Chiorato e Ana Júlia a Renato Freitas e Zeca Dirceu nas eleições internas

Lideranças históricas do partido se unem para reeleger Arilson Chiorato, enquanto Zeca Dirceu tenta romper hegemonia com apoio de Freitas O PT do Paraná vive um racha às vésperas da eleição que vai definir o comando estadual do partido. De um lado, estão as principais lideranças petistas no estado, como Gleisi Hoffmann, Tadeu Veneri e Ana Júlia, em apoio à recondução do deputado estadual Arilson Chiorato à presidência da sigla. Do outro, o deputado federal Zeca Dirceu tenta romper a hegemonia do grupo com o apoio do também deputado estadual Renato Freitas. A disputa acontece dentro do Processo de Eleições Diretas (PED) do partido, cujo segundo turno está marcado para o próximo sábado (27). No primeiro turno, Zeca Dirceu saiu na frente, com 7.616 votos, forçando a realização de nova votação contra Chiorato. O embate expõe uma divisão cada vez mais clara entre a direção tradicional do PT paranaense, ligada ao núcleo que comanda o partido desde o início dos anos 2000, e um grupo que defende mais espaço para as bases e para lideranças fora do eixo Curitiba-Londrina. Renato Freitas, que recentemente declarou apoio público a Zeca Dirceu, afirma que o PT vive hoje um distanciamento perigoso da militância. ““Quando fui acusado de invadir a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Curitiba, tive que lutar sozinho contra a mentira. Contei com as pessoas da base, da quebrada, mas não com o comando do partido. A direção municipal, a estadual e a nacional me jogaram na fogueira. Preferiram acreditar no MBL a defender um de seus militantes que estava sendo atacado por lutar pela vida” disse Freitas. Leia mais: Paraná lidera crescimento econômico do Brasil no início de 2025 Do outro lado, Arilson conta com o respaldo da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que atua diretamente na construção da chapa pela reeleição do aliado. Também estão com ele o deputado federal Tadeu Veneri e a deputada federal suplente Ana Júlia, além de dezenas de vereadores, prefeitos e dirigentes históricos da legenda. Nos bastidores, aliados de Zeca Dirceu acusam a cúpula do partido de centralizar decisões e sufocar lideranças emergentes. Já os defensores de Arilson afirmam que o grupo de Zeca tenta se impor à força, sem respeitar as instâncias internas da sigla. A definição da presidência estadual do PT terá impacto direto na organização do partido para as eleições de 2026. O presidente estadual é responsável por articular alianças, conduzir a montagem das chapas proporcionais e definir estratégias regionais. Quem vencer no sábado terá influência decisiva sobre os rumos da legenda no Paraná. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

“Se ele tiver trucando, vai tomar um 6”, diz Lula sobre Trump em tom de desafio

Presidente afirma que Trump evita diálogo com o Brasil O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou um recado direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (24). Em um evento em Minas Gerais, Lula disse que o republicano “não quer conversar” com o Brasil e, em tom provocativo ironizou o tarifaço de 50% em todos os produtos brasileiros: “Sou bom de truco. Se ele tiver trucando, ele vai tomar um seis”, disse. A fala de Lula acontece num momento em que as relações entre Brasil e Estados Unidos estão na escalada mais tensa desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. Questionado sobre como pretende lidar com o presidente norte-americano, Lula foi direto: “Ele não quer conversar com o Brasil, então o problema não é meu. Se ele quiser conversar, o Brasil está aqui”. Leia mais: Moraes acumula 29 pedidos de impeachment no Senado após decisão contra Bolsonaro O petista também voltou a criticar a extrema-direita global e citou a invasão ao Capitólio, em 2021, promovida por apoiadores de Trump, como um exemplo de ataque à democracia. Lula foi um dos primeiros líderes internacionais a se posicionar contra o episódio. Apesar de manter interlocução institucional com Washington, o governo brasileiro vê com cautela a nova gestão Trump, especialmente em temas como mudanças climáticas, proteção da Amazônia e inclusão social, áreas em que há divergência ideológica clara. A provocação no estilo “truco” deixa claro que Lula não pretende adotar uma postura submissa diante do republicano. Ao contrário, sinalizou que, se precisar, vai aumentar a aposta no confronto, contrariando os interesses do empresáriado e do trabalhador brasileiro. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Paraná lidera crescimento econômico do Brasil no início de 2025

Estado teve o maior avanço do PIB entre as unidades da federação nos cinco primeiros meses do ano, segundo levantamento do Banco Central O Paraná registrou o maior crescimento econômico do Brasil entre janeiro e maio de 2025. A informação consta em levantamento do Banco Central, com base no Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), considerado uma prévia do PIB. No período, a economia paranaense cresceu 6,48% em comparação com os cinco primeiros meses de 2024. O resultado coloca o estado na liderança nacional, à frente de outras economias fortes como Minas Gerais (5,84%) e São Paulo (5,34%). A média nacional foi de 4,47%. Segundo o governo estadual, o avanço foi puxado principalmente pelo desempenho da agropecuária, especialmente na produção de soja e milho, que se recuperou após a quebra de safra no ano passado. A indústria também contribuiu para o resultado, com destaque para os setores de alimentos e veículos. Já o setor de serviços teve crescimento mais tímido, mas ainda positivo. “Esse resultado reflete o dinamismo da nossa economia e o forte planejamento estratégico do Governo, que é parceiro do setor produtivo”, afirma o secretário de Planejamento, Ulisses Maia. Leia mais: PF Aprofunda Investigação sobre Tentativa de Golpe e Aponta Novos Suspeitos O estudo do Banco Central usa o IBCR como indicador da atividade econômica de curto prazo em cada estado. Apesar de não substituir o PIB oficial calculado pelo IBGE, o índice é amplamente utilizado por analistas para acompanhar a evolução regional da economia. A expectativa do governo é manter o ritmo de crescimento no segundo semestre, impulsionado por obras de infraestrutura, exportações via Porto de Paranaguá e investimentos em inovação e tecnologia no campo e na indústria. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Editorial: Os poderes sem contrapesos de Alexandre de Moraes

A ausência de freios institucionais diante dos superpoderes concentrados nas mãos do ministro do STF escancara um desequilíbrio perigoso para o Estado de Direito O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se nos últimos anos uma figura onipresente e incontornável na política brasileira. Não por meio de votos ou disputas eleitorais, mas pela força de decisões judiciais cada vez mais abrangentes, muitas vezes monocráticas, que extrapolam os limites do razoável para um juiz da mais alta Corte do país. A lista de decisões controversas é longa e crescente. Em junho, Moraes determinou, sozinho, a restituição da cobrança do IOF sobre operações de crédito, mesmo depois de o Congresso Nacional, órgão legítimo da representação popular, ter derrubado a medida. Com uma canetada, o ministro anulou uma decisão coletiva do Legislativo, colocando-se acima do Parlamento e reconfigurando a ordem democrática estabelecida pela Constituição. Foi também Moraes quem mandou prender o general Braga Netto, ex-ministro da Defesa e ex-candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PL), sem que houvesse julgamento, flagrante ou sequer um processo com direito ao contraditório e à ampla defesa. Em outro episódio emblemático, determinou a retirada do X (antigo Twitter) do ar durante as eleições de 2022, sob o argumento de que a plataforma descumpria ordens judiciais. A medida foi extrema e sem precedentes, atingindo em cheio a liberdade de expressão na reta final do pleito. Mais recentemente, Alexandre de Moraes impôs o uso de tornozeleira eletrônica ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como medida cautelar, sem que o líder político tivesse sido condenado por qualquer crime e sem provas concretas de que havia um plano de fuga. Também ordenou buscas, prisões e bloqueios financeiros contra empresários, políticos e influenciadores acusados de supostos “atos antidemocráticos”, muitas vezes com base em inquéritos sigilosos e decisões que não passam pelo crivo do plenário do STF. A concentração de poder nas mãos de um único magistrado deveria preocupar qualquer defensor da democracia. O Judiciário existe para arbitrar conflitos dentro dos limites da lei, mas não pode se tornar ele próprio um agente político com capacidade de impor vontades pessoais acima das instituições. Leia mais: Escala 6×1: Lula se apropria de pauta eleitoreira na busca por mais 4 anos no poder O mais grave é o silêncio, ou, pior, a conivência, das demais esferas do poder. O Senado, que tem a prerrogativa constitucional de fiscalizar e até julgar ministros do Supremo, permanece inerte diante do acúmulo de arbitrariedades. O Ministério Público Federal (MPF), que deveria atuar como fiscal da lei, raramente questiona os métodos e os fundamentos das decisões de Moraes. E no próprio STF, seus colegas de toga evitam confronto direto, mantendo a aparência de harmonia institucional enquanto decisões fundamentais seguem sendo tomadas de forma solitária. Não se trata de questionar a importância do combate à desinformação, ao golpismo ou à incitação à violência. Mas é preciso que isso ocorra dentro dos marcos legais e com respeito aos direitos e garantias fundamentais. O poder sem contrapeso é sempre um risco, mesmo quando exercido por aqueles que se dizem defensores da democracia. Se os ministros do Supremo podem tudo, quem poderá detê-los? A resposta, por enquanto, parece ser ninguém. E esse é um dos sinais mais preocupantes do Brasil contemporâneo e talvez a maior comprovação de que a tão sólida democracia do país realmente está em ruínas. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Paraná turbina investimentos em habitação e injeta R$ 225 milhões só no 1º semestre

Estado bate recorde com recursos voltados a moradias populares, regularização fundiária e projetos inéditos para idosos e famílias de baixa renda. O governo do Paraná acelerou os aportes na área de habitação e já investiu R$ 225 milhões só nos seis primeiros meses de 2025. O valor representa quase tudo que foi gasto no setor durante todo o ano passado, quando os recursos somaram R$ 251 milhões. A meta da gestão Ratinho Júnior é ampliar o alcance do Casa Fácil Paraná, principal programa estadual de moradia, com foco em grupos mais vulneráveis. Entre as principais novidades está a criação de um subsídio de R$ 80 mil exclusivo para pessoas com mais de 60 anos que querem comprar a casa própria. A medida é considerada inédita no país e quadruplica o valor do benefício padrão, que costuma ficar em R$ 20 mil. Segundo o governo, a primeira etapa já tem orçamento garantido para mil idosos. Outro foco tem sido atender famílias que vivem em áreas sem escritura. Com o programa Paraná Regularizado, o objetivo é legalizar até 50 mil imóveis irregulares, gratuitamente, para quem ganha até três salários mínimos. Só para essa frente foram reservados R$ 100 milhões. No interior do estado, cidades pequenas também foram contempladas. O Casa Fácil Municípios vai entregar mais de 4 mil casas em municípios com até 25 mil habitantes. As moradias são voltadas a famílias com renda de até dois salários mínimos e, nesses casos, serão 100% custeadas pelo Estado, sem financiamento para os beneficiados. Há ainda uma linha específica para o campo: com recursos próprios e apoio do governo federal, mais de mil moradias rurais estão previstas, com custo simbólico de R$ 750 para cada agricultor familiar. Leia mais: Governo Ratinho Junior realiza maior contratação da história da Polícia Civil do Paraná Outra iniciativa em andamento é o Banheiro em Casa, voltado a famílias que vivem em moradias sem sanitário. O projeto vai garantir a construção de mais de 3 mil módulos sanitários, com apoio da Sanepar e da Cohapar. Segundo o governo, o ritmo de investimentos está acelerado para enfrentar o déficit habitacional e garantir moradia digna. Além das ações de construção e regularização, seguem ativos programas como Vida Nova, para reassentar famílias em situação de risco, e Viver Mais, com moradias adaptadas a idosos. A expectativa é que o volume total de investimentos em 2025 ultrapasse, com folga, o valor registrado em 2024 — consolidando o Paraná como referência nacional na área. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Moraes dá 24h para defesa explicar entrevista de Bolsonaro e ameaça prender ex-presidente

Ministro do STF deu 24 horas para advogados explicarem vídeos e falas do ex-presidente nas redes sociais, mesmo após ordem de proibição. Caso não haja justificativa, prisão pode ser decretada. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que os advogados de Jair Bolsonaro (PL) se manifestem em até 24 horas sobre o descumprimento de medidas cautelares que proíbem o ex-presidente de usar redes sociais e conceder entrevistas, direta ou indiretamente. A decisão foi assinada nesta segunda-feira (22), três dias após a imposição das restrições. Entre as proibições impostas na última sexta-feira (18), estão o uso de redes sociais, o uso de tornozeleira eletrônica, o toque de recolher noturno e a proibição de contato com diplomatas e outros investigados. As medidas foram aplicadas após indícios de tentativa de interferência nos processos em que Bolsonaro é réu, inclusive o que apura tentativa de golpe de Estado. Mesmo com as ordens, Bolsonaro participou de um evento na Câmara dos Deputados e teve sua fala registrada em vídeo, publicado por uma conta identificada como de apoio ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Nas imagens, ele mostra a tornozeleira eletrônica, critica a medida e diz que está sendo humilhado injustamente. “Isso aqui é um símbolo da máxima humilhação em nosso país. Uma pessoa inocente. Covardia o que estão fazendo com um ex-presidente da República”, disse, em vídeo postado nas redes sociais. Leia mais: Perícia conclui: pen drive da casa de Bolsonaro é “irrelevante” em inquérito Moraes reforçou que a proibição de uso das redes inclui transmissões, retransmissões e qualquer veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de falas, inclusive feitas por terceiros. Ele também alertou que, se a defesa não justificar adequadamente a exposição de Bolsonaro nas plataformas digitais, poderá decretar a prisão do ex-presidente de forma imediata. A decisão representa um novo escalonamento na tensão entre o STF e o entorno de Bolsonaro, que vem criticando as medidas judiciais envolvendo as investigações sobre tentativa de golpe, milícias digitais e ataques às instituições. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!

Vereadora é acusada de exibir vídeos reais de abuso infantil durante palestras contra pedofilia

Denúncia foi feita por ONG ao Ministério Público e à Polícia Civil A vereadora de Curitiba, Sargento Tânia Guerreiro (Podemos), é alvo de uma denúncia feita por uma ONG ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) e à Polícia Civil (PC). Segundo o ofício, a parlamentar teria exibido vídeos reais de abuso sexual infantil durante palestras contra a pedofilia. Os órgãos de investigação confirmaram que o caso está sob apuração, mas informaram que o procedimento corre em sigilo. A denúncia mais recente envolve uma palestra realizada em 10 de maio de 2024, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Cerca de 130 pessoas estavam na plateia quando, segundo a ONG Elos Invisíveis, a vereadora mostrou vídeos com cenas explícitas de abuso, incluindo crianças gritando. Em outra palestra, feita por Guerreiro em abril de 2025 em uma faculdade particular de Curitiba, a vereadora descreve em detalhes casos de violência sexual contra crianças e afirma manter os vídeos no próprio celular. Uma das pessoas que acompanhou a apresentação relatou que uma colega vomitou durante a exibição e outra saiu chorando. Segundo o relato, a vereadora justificou que os vídeos eram mostrados “para que as pessoas entendessem o que é pedofilia”. Essa não teria sido a primeira vez. Em 2021, durante uma palestra na Câmara de Matinhos, no Litoral do Paraná, a vereadora também teria apresentado imagens de ferimentos nos órgãos genitais de crianças supostamente abusadas. Leia mais: Pimentel freia a indústria da multa e muda a lógica dos radares em Curitiba A Câmara Municipal de Curitiba chegou a abrir uma sindicância, mas confirmou o arquivamento do caso sem dar detalhes. Em nota enviada à imprensa, a vereadora afirmou que “o conteúdo dessas palestras é exclusivamente destinado a maiores de 18 anos, com aviso claro e explícito”. Ela disse ainda que “a proteção da criança e a defesa de sua inocência são pautas inegociáveis que norteiam sua vida e seu mandato” e que acompanha o processo com “serenidade e responsabilidade”. A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB-PR, Ana Lúcia Oliveira, afirmou que a exibição de imagens reais de violência sexual contra crianças, mesmo em contextos educativos, pode configurar crime. “Se comprovada a exibição desse tipo de material, há indícios de violação do artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que trata da posse e divulgação de pornografia infantil. A pena é de reclusão de um a três anos e multa”, disse. Ela também alertou para os riscos da exposição de conteúdo sensível sem mediação técnica. “Isso pode causar danos significativos, reforçar estigmas e comprometer políticas públicas sérias”, afirmou. A OAB-PR já enviou ofícios ao Ministério Público cobrando providências, mas lembra que não tem poder investigativo. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!