O Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo, tem enfrentado um aumento preocupante no número de vítimas de acidentes de moto. De janeiro a junho deste ano, foram registradas 3.078 ocorrências, um salto de 31,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 2.334 pessoas foram atendidas. A situação tem gerado impactos significativos na unidade de saúde e na rede municipal.
O crescente número de emergências causadas por acidentes de moto, 70% deles ocorridos em São Gonçalo, tem provocado o adiamento de cirurgias eletivas, principalmente em idosos e crianças. Segundo o ortopedista Carlos Neves, coordenador do serviço de ortopedia do Heat, a priorização dos casos de trauma de alta complexidade sobrecarrega as equipes médicas e impede a implantação de novos serviços.
“Os acidentes impactam diretamente na nossa assistência”, explica o ortopedista. “As fraturas de idosos, crianças e adolescentes acabam ficando para depois, porque temos que parar tudo para atender a emergência do trauma”. A faixa etária mais afetada está entre 18 e 30 anos, com um pico aos 20 anos, sendo comum encontrar jovens sem habilitação conduzindo motocicletas e se envolvendo em acidentes.
Além do impacto na emergência, o aumento de acidentes de moto eleva os custos hospitalares. Os traumas se tornaram mais graves e complexos, demandando implantes especiais, medicações de alto custo e longos períodos de internação e terapia intensiva. “São traumas cada vez mais desafiadores, com politraumatizados e polifraturados”, ressalta o médico.
Após a alta do Heat, cerca de 50% dos pacientes são encaminhados para reabilitação nas unidades de saúde municipais. Nos primeiros seis meses do ano, 1.539 pessoas deram continuidade ao tratamento com fisioterapia e consultas ambulatoriais com ortopedistas. A Prefeitura de São Gonçalo, em parceria com o Heat, lançou a campanha “Imprudência custa caro” para conscientizar a população sobre os perigos da irresponsabilidade no trânsito.
“A palavra é educação”, enfatiza o ortopedista. “Medidas simples de educação no trânsito e conscientização poderiam reduzir muitos acidentes. A imprudência custa caro para todos: para a vítima, para quem cuida da vítima e para toda a sociedade”. O médico ainda complementa que o indivíduo acidentado gera gastos contínuos com tratamento por um longo período ou permanentemente.
Fonte: http://odia.ig.com.br










