Aumento Alarmante de Acidentes Aumenta Filas por Cirurgias Ortopédicas em Campo Grande

O sistema de saúde pública de Campo Grande enfrenta um desafio crescente: o aumento expressivo no número de acidentes de trânsito, que sobrecarrega os hospitais e agrava a espera por cirurgias ortopédicas. Pacientes aguardam por anos para realizar procedimentos essenciais, enquanto a rede hospitalar luta para atender a demanda emergencial. A situação exige atenção urgente para evitar o colapso do atendimento ortopédico na capital.

De acordo com dados do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia), a priorização de emergências resultou no cancelamento de 1.450 cirurgias eletivas de alta complexidade no ano passado em todo o país. A coordenadora do Sistema de Regulação Municipal, Larissa Missirian, ressalta que a cada emergência atendida, cinco cirurgias agendadas são adiadas, impactando diretamente a vida dos pacientes que aguardam por tratamento.

Em Campo Grande, a situação é ainda mais crítica devido à limitação de hospitais especializados em politraumatismo, como a Santa Casa, referência para pacientes do SUS. O Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian) também recebe casos complexos, mas com capacidade limitada. “Para completar, temos poucas opções de hospitais que atendem a ortopedia e Campo Grande recebe pacientes de todas as regiões de Mato Grosso do Sul”, avalia Larissa Missirian.

A espera prolongada pode agravar o estado de saúde dos pacientes, levando a sequelas irreversíveis. Um exemplo é o caso de um jovem de 25 anos, vítima de um acidente de moto, que aguardava por uma cirurgia de reconstrução no braço. Diante da demora e do risco de perder os movimentos, ele recorreu à Justiça para garantir o tratamento, que determinou o sequestro de R$ 264,5 mil dos cofres da prefeitura para custear a operação na rede particular.

“A ortopedia sempre foi o nosso gargalo”, reconhece Larissa Missirian, apontando outros fatores que contribuem para a longa espera, como o envelhecimento da população e as complicações de doenças crônicas. O Ministério Público Estadual investiga possíveis falhas na estrutura de atendimento ortopédico, que levam pacientes a buscar tratamento na rede particular, gerando altos custos. A falta de um banco de ossos na rede pública agrava ainda mais a situação, com apenas a Unimed oferecendo esse serviço na cidade.

Fonte: http://www.campograndenews.com.br