A paisagem de Atafona, em São João da Barra, é um testemunho dramático da força da natureza. A cada ano, a localidade, situada na foz do Rio Paraíba do Sul, sofre transformações radicais, com o avanço implacável do oceano redesenhando a sua orla. O que antes eram ruas vibrantes e casas de veraneio, hoje são memórias submersas, engolidas pela erosão costeira.
Atafona se tornou um ponto crítico no debate sobre erosão costeira e aquecimento global. “Visitar Atafona continua sendo um dos passeios mais extraordinários da região”, dizem os moradores, apesar da aflição. Nas últimas décadas, a erosão implacável já destruiu mais de 400 residências e alterou o mapa da região, forçando famílias a recomeçar suas vidas em outros locais.
Estudos científicos apontam para uma combinação de fatores como causa do problema. O aumento do nível do mar, impulsionado pelas mudanças climáticas, é um dos principais. Soma-se a isso a diminuição do volume de água do Rio Paraíba do Sul, intensificada pelo desvio do Rio Guandu para abastecer o Rio de Janeiro, enfraquecendo a resistência do rio contra o avanço do mar.
A esperança renasce com a recente destinação de R$ 500 mil em emenda parlamentar, liderada pelo senador Carlos Portinho (PL), para a Universidade Federal Fluminense (UFF). O objetivo é iniciar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTA), etapa crucial para o desenvolvimento de um projeto de contenção da erosão costeira.
A comunidade local, unida pela ONG SOS Atafona, luta incansavelmente pela preservação do balneário. Moradores e veranistas se mobilizam na busca por soluções que possam conter o avanço do mar e garantir a sobrevivência de Atafona. A persistência e o engajamento da população demonstram a importância de encontrar soluções sustentáveis para este desafio ambiental.
Fonte: http://odia.ig.com.br










