A Universidade Federal de Roraima (UFRR) sediou, nos dias 1º e 2 de agosto, uma oficina crucial sobre a atuação de assistentes sociais junto aos povos indígenas. Promovida pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e pelo Conselho Regional de Serviço Social de Roraima (CRESS-RR), a iniciativa reuniu profissionais indígenas, representantes de diversos CRESS do país e membros de importantes articulações e grupos de pesquisa. O objetivo central foi aprimorar as práticas e fortalecer o apoio a essas comunidades.
A abertura do evento foi marcada por uma calorosa acolhida, conduzida por assistentes sociais indígenas de diferentes etnias. Juntos, eles criaram um mural simbólico, representando a união entre o Serviço Social e a luta indígena em todo o Brasil. Esse gesto inicial já demonstrava o espírito colaborativo e a busca por soluções conjuntas que permeariam os debates nos dias seguintes.
Laurinete Silva, presidenta do CRESS-RR, ressaltou a importância da realização do evento em Roraima, estado que enfrenta desafios significativos em relação à exclusão socioterritorial dos povos indígenas. “Somos o último regional a ser criado, ainda em processo de consolidação, em um estado que também sofre com a exclusão socioterritorial dos povos indígenas e com a emergência nacional dos povos Yanomami”, enfatizou, sublinhando a necessidade urgente de atenção e ação por parte dos profissionais da área.
Durante a mesa de debates, Elizângela Pankararu (Apoinme) e Raquel Pataxó (Articulação) apresentaram uma análise crítica da conjuntura indígena, com foco na dimensão étnica e nos desafios enfrentados. Elizângela Pankararu, por exemplo, apresentou dados alarmantes sobre violações de direitos, racismo e exclusão de políticas públicas, enfatizando a necessidade de um olhar atento do Serviço Social para a diversidade e para o combate ao apagamento desses povos.
Os participantes foram divididos em grupos de trabalho temáticos, abordando áreas como saúde e educação, previdência e assistência social, migrações e refúgio, e racismo, identidade, terra e território. As discussões buscaram identificar violações de direitos, barreiras de acesso a políticas sociais e estratégias para aprimorar o atendimento, considerando as especificidades culturais e experiências dos povos indígenas. Ao final, o grito uníssono de “Demarcação já” ecoou, reforçando a principal reivindicação dessas comunidades.
Fonte: http://www.folhabv.com.br





