Preço da arroba de boi em São Paulo sobe 10% e pressão cambial eleva valores no mercado internacional

A arroba de boi em São Paulo sobe 10%, elevando custos para consumidores e exportadores e ajustando oferta no mercado nacional e internacional.
Arroba de boi em São Paulo sobe 10% nos primeiros meses de 2026
A arroba de boi começou o ano em R$ 319 no estado de São Paulo e atingiu R$ 351, refletindo uma alta de 10% no preço. Essa valorização impacta diretamente o mercado interno e externo. Thiago Bernardino de Carvalho, analista do Cepea, destaca que esse ajuste reflete o menor ritmo da oferta típica do período, somado ao manejo e retenção de fêmeas para inseminação, fatores que limitam a disponibilidade de bois para abate.
Pressões cambiais elevam preço da arroba no mercado internacional
Além da alta em reais, o preço da arroba em dólar subiu 18% neste ano, passando de US$ 58 para US$ 68,5, devido à queda do dólar no mercado doméstico. Historicamente, superar US$ 60 foi raro, ocorrendo apenas em momentos pontuais como agosto de 2008, novembro de 2010, junho de 2021 e março de 2022, quando chegou a US$ 73, recorde absoluto. Essa valorização representa um desafio para a competitividade da carne brasileira no mercado externo, especialmente com o dólar a R$ 5,15 e a arroba em R$ 351.
Investimentos históricos sustentam crescimento da pecuária brasileira
Os investimentos realizados em 2021 e 2022 ampliaram a capacidade produtiva, com a pecuária alcançando avanços expressivos. O Brasil se tornou o maior produtor mundial de carne bovina, superando os Estados Unidos, segundo dados do Usda. A evolução da estrutura dos confinamentos permitiu que 9,25 milhões de animais fossem criados nesse sistema, representando 21% do total abatido, cenário fundamental para aumentar a oferta e atender tanto o mercado doméstico quanto o internacional.
Ajustes sazonais na oferta geram tensão entre pecuaristas e frigoríficos
No início de 2026, a oferta mais contida de animais para abate, combinada com condições climáticas que melhoram o pasto, resultou em um cenário de retração na disponibilidade de carne. Esse ajuste de oferta está gerando um embate entre pecuaristas, que retêm animais para reprodução, e frigoríficos, que buscam manter o abastecimento. Carvalho aponta que a oferta no campo está se ajustando para equilibrar demanda e estoque.
Exportações brasileiras beneficiadas por demanda global, mas condicionadas ao câmbio
A China continua como um comprador importante da carne brasileira, e outras nações, incluindo os Estados Unidos, retomaram importações do Brasil. A baixa oferta global de carne favorece as exportações brasileiras, porém a manutenção desse cenário dependerá da evolução do câmbio. A valorização do real pode reduzir a competitividade do produto nacional, influenciando o volume exportado e os preços oferecidos no exterior.
Perspectivas para o mercado interno e internacional até o segundo semestre
Até março e abril, os preços devem se manter firmes devido à oferta restrita e à demanda constante. O segundo semestre apresenta incertezas ligadas à redução possível das compras chinesas e à concorrência da Argentina na região. A expectativa é que o Brasil possa equilibrar um menor volume de exportações com uma maior movimentação financeira interna, estimulada pela isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5.000, eleições e o calendário da Copa do Mundo, que podem aquecer o consumo doméstico.
Fonte: www1.folha.uol.com.br





