Adaptação de Samuel Beckett explora a dualidade entre otimismo e desespero no Festival de Curitiba

Dias Felizes, adaptação de Beckett, retorna ao Festival de Curitiba com direção de Paulo de Moraes e elenco da Armazém Companhia de Teatro.
Confira a programação completa das apresentações de Dias Felizes
- 3 e 4 de abril de 2026 / Guairinha: Dias Felizes – 20h30
A releitura de Samuel Beckett no Festival de Curitiba 2026
No Festival de Curitiba 2026, a Armazém Companhia de Teatro retorna com a adaptação de Dias Felizes, obra seminal de Samuel Beckett que explora o delicado equilíbrio entre o otimismo e o desespero dentro da condição humana. As apresentações estão marcadas para os dias 3 e 4 de abril, às 20h30, no Auditório Salvador de Ferrante, conhecido como Guairinha, no centro de Curitiba. A direção de Paulo de Moraes, premiado em 2024 por seu trabalho em Brás Cubas, confere uma nova dimensão ao texto, enfatizando a luta da protagonista com o inexorável avanço do tempo. Este contexto atualiza o clássico para ressoar com temas contemporâneos, como a crise ambiental e o isolamento social.
Direção e interpretação: nuances de um clássico moderno
Paulo de Moraes propõe uma ressignificação da peça ao focar na personagem Winnie, vivida por Patrícia Selonk, que se encontra metaforicamente enterrada e enfrenta uma existência marcada por rituais cotidianos. Através da representação de objetos simbólicos — uma escova de dentes, batom, espelho e até um revólver — o espetáculo enfatiza a tentativa desesperada de manter a sanidade e a esperança diante do absurdo. O personagem Willie, interpretado alternadamente por Felipe Bustamante, Isabel Pacheco e Jopa Moraes, representa uma presença silenciosa e multifacetada, que ora acompanha, ora desafia a protagonista, criando uma dinâmica que reforça o debate sobre a solidão e a companhia na experiência humana.
Temas existenciais e ambientais presentes em Dias Felizes
Originalmente associada à ameaça da catástrofe nuclear, a obra de Beckett ganha novas interpretações diante do cenário contemporâneo do aquecimento global e da instabilidade social. A figura de Winnie, definida por Beckett como “um pássaro com óleo em suas penas”, traduz a condição de seres humanos presos entre a esperança e o colapso iminente. A montagem da Armazém Companhia destaca essas camadas ao construir uma narrativa que dialoga com a crise existencial individual e coletiva, refletindo a urgência e o desespero que permeiam o século XXI. O uso do humor ácido e das repetições no texto reforça o caráter cruel e fascinante dessa jornada entre o riso e a ruína.
Acessibilidade e impacto cultural do espetáculo
Além de sua profundidade temática, a produção investe na inclusão ao oferecer audiodescrição durante as apresentações, ampliando o acesso ao público com deficiência visual. O espetáculo tem duração aproximada de 75 minutos e é indicado para maiores de 14 anos. Com os ingressos esgotados, Dias Felizes evidencia a força da dramaturgia contemporânea no Brasil e o papel do Festival de Curitiba como palco para debates culturais essenciais. A iniciativa contribui para manter viva a relevância do teatro como espaço de reflexão crítica e experimental.
O Festival de Curitiba e o incentivo à cultura local
A Mostra Lucia Camargo, parte do Festival de Curitiba, apoia produções como Dias Felizes por meio de parcerias com órgãos governamentais e patrocinadores como Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná. Este suporte fomenta a diversidade artística e possibilita que companhias como a Armazém apresentem trabalhos que desafiam o público a confrontar questões profundas, ampliando o panorama cultural da cidade e do país. O sucesso da montagem reforça a importância de investimentos contínuos na cultura para a formação de um público crítico e engajado.
Fonte: www.parana.pr.gov.br
Fonte: Entre o riso e a ruína: Armazém Companhia de Teatro apresenta










