Após rompimento com Podemos, PSDB mira federação com Solidariedade

Negociação com Renata Abreu travou por disputa de comando; tucanos agora buscam acordo com Paulinho da Força

A fusão entre PSDB e Podemos foi oficialmente sepultada, mas os tucanos já têm outro plano na manga. Com o fim das negociações com a deputada Renata Abreu, presidente do Podemos, o PSDB agora articula uma possível união com o Solidariedade, comandado por Paulinho da Força. A informação foi confirmada por lideranças dos dois partidos ao Politiza.

Fernando Francischini foi secretário de Segurança Pública de Beto Richa e agora ambos podem acabar na mesma legenda casa fusão ou federação entre PSDB e Solidariedade avancem (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

A tentativa de fusão com o Podemos naufragou após mais de um ano de conversas, principalmente por causa de uma disputa interna sobre quem controlaria a nova legenda. O presidente do PSDB, Marconi Perillo, queria manter o protagonismo, enquanto Renata Abreu não aceitava abrir mão de espaço. Sem acordo, a junção ruiu.

Se a fusão ou federação entre PSDB e Solidariedade realmente sair do papel, o movimento vai colocar lado a lado duas figuras com um histórico político delicado no Paraná: Beto Richa e Fernando Francischini. Em 2015, Francischini foi secretário de Segurança Pública no governo Richa e esteve diretamente envolvido na gestão da operação policial que terminou com o confronto violento contra professores na Praça Nossa Senhora de Salete, episódio que até hoje é lembrado como um dos momentos mais tensos da gestão tucana.

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Após o episódio, os dois se distanciaram politicamente. Richa seguiu com sua trajetória tradicional dentro do PSDB, enquanto Francischini mergulhou na onda bolsonarista e se consolidou como um nome de discurso mais duro e linha de frente na segurança pública. Caso a fusão avance, os dois vão precisar dividir o mesmo espaço partidário nas articulações para as eleições de 2026, o que promete um novo capítulo nessa relação marcada por colaboração no passado e distanciamento nos anos seguintes.

PSDB não quer que barco afunde

De olho em 2026 e pressionado pela cláusula de barreira, o PSDB agora enxerga no Solidariedade uma nova oportunidade de ganhar musculatura política. A sigla de Paulinho tem bancada menor, mas presença em sindicatos e influência em alguns estados estratégicos.

As conversas ainda estão em estágio inicial, mas a pressa dos tucanos é grande: a legenda precisa ampliar sua representatividade para não encolher ainda mais nas próximas eleições. O fracasso com o Podemos mostrou que fusões partidárias, embora estratégicas, esbarram em vaidades e disputas de poder. Com o Solidariedade, o PSDB aposta em um cenário mais flexível.

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