Jornalista pioneiro enfrentou ditadura, contribuiu para causas ambientais e deixou legado de resistência e paixão pela natureza

Anthony de Christo, pioneiro do jornalismo ambiental no Brasil, lutou contra a ditadura e defendeu a liberdade de imprensa, deixando legado de coragem e compromisso.
Anthony de Christo jornalismo ambiental marcou a história do Brasil ao unir resistência política e defesa da natureza. A trajetória deste jornalista, que faleceu em 2025 aos 82 anos, ganha destaque pela coragem demonstrada durante a ditadura militar, período em que foi preso e torturado. Sua atuação pioneira no jornalismo ambiental e o compromisso com a liberdade de imprensa refletem uma carreira que ultrapassou as redações para impactar políticas públicas e a consciência ambiental nacional.
Pioneirismo no jornalismo ambiental em tempos difíceis
Nascido no Rio de Janeiro e formado em engenharia química, Anthony mudou o rumo profissional ainda na faculdade, engajando-se no jornalismo político e ambiental. Nos anos 1960, migrou para São Paulo para integrar a primeira equipe da revista Veja, em uma época em que o país vivia a repressão da ditadura militar. Trabalhou também na Gazeta Mercantil e na TV Cultura, destacando-se por abordar temas ambientais em um cenário em que tal pauta era pouco explorada.
Durante a repressão, Anthony não apenas sofreu prisões e tortura, mas também participou de atos simbólicos de resistência, como acompanhar o enterro do jornalista Vladimir Herzog, morto sob tortura, ato que se tornou emblemático para a luta contra a ditadura. Após deixar as redações, atuou como assessor na Cetesb e na Secretaria do Meio Ambiente, acompanhando operações importantes de controle de poluição, reflorestamento e emergências ambientais, como o incêndio na Vila Socó, em Cubatão.
Legado pessoal e profissional de resistência e amor à natureza
Anthony era conhecido por prezar a união familiar e cultivar a paixão pela natureza, hábitos que compartilhou com seus oito filhos e netos. Apesar das adversidades enfrentadas, manteve a serenidade e a esperança, valorizando a liberdade de expressão e a democracia. Além disso, dedicava-se a construir brinquedos de madeira para os netos e admirava a literatura brasileira, com destaque para Jorge Amado.
Sua esposa, Su Kuei Yun Christo, ressalta a superação do trauma político e o compromisso com as causas ambientais. Os filhos lembram dele como um homem calmo, que gostava de observar pássaros e transmitir valores políticos e sociais importantes. Essa combinação de vida pessoal e profissional fez de Anthony um exemplo de resistência, conhecimento e amor pelo país e pelo planeta.
Destaques da trajetória de Anthony de Christo
Formação e início: Engenharia química, transição para o jornalismo durante a faculdade.
Carreira: Trabalhos na Veja, Gazeta Mercantil, TV Cultura; pioneiro em jornalismo ambiental.
Resistência: Prisão e tortura durante a ditadura; participação no enterro simbólico de Vladimir Herzog.
Atuação pública: Assessor na Cetesb e Secretaria do Meio Ambiente; monitoramento de operações ambientais.
- Vida pessoal: Pai de oito filhos, avô dedicado; valorizava a união e o amor à natureza.
Serviço e legado para futuros jornalistas e cidadãos
O legado de Anthony de Christo reforça a importância da liberdade de imprensa e do jornalismo ambiental como ferramentas essenciais para a democracia e a sustentabilidade. Para o Verão Maior de 2026, sua história inspira ações de conscientização e valorização da natureza, sobretudo em tempos de crise climática. A trajetória de Anthony é um convite à reflexão sobre a responsabilidade profissional e social de jornalistas e cidadãos no Brasil contemporâneo.
Para quem deseja conhecer mais sobre a história do jornalismo ambiental e a luta pela liberdade de imprensa no Brasil, a vida de Anthony de Christo é uma referência essencial e um exemplo de coragem e dedicação que ultrapassa gerações.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Arquivo Pessoal





