Especialistas defendem abrir o parque para lazer gratuito e modernizar prédios públicos para revitalizar o entorno central

Anhangabaú público é mote para projeto que visa reabrir o parque como área de lazer gratuita e estimular renovação imobiliária no centro paulistano.
Proposta do Anhangabaú público para requalificar o centro de São Paulo
O Anhangabaú público é a principal referência no debate sobre a requalificação do centro de São Paulo a partir de janeiro de 2026. O arquiteto Silvio Oksman defende que o Vale do Anhangabaú volte a ser um parque urbano totalmente aberto ao público e gratuito, revertendo a atual gestão privada que limita o acesso em dias de grandes eventos com cobrança de ingresso. Oksman destaca que essa mudança é fundamental para que o espaço recupere sua função original de área de lazer e se torne um motor para o desenvolvimento do entorno.
Revisão da concessão e impacto na vida urbana
A restrição de acessos causada pela concessão para eventos privados tem provocado reclamações dos moradores e dificultado a atração de investimentos imobiliários na região. O excesso de barulho e o fechamento frequente do espaço transformaram o Anhangabaú em um local menos convidativo para moradia e comércio. O plano de Oksman propõe revisar a concessão pública para garantir o uso irrestrito do parque para atividades culturais, esportivas e recreativas gratuitas, revertendo os efeitos negativos sobre o tecido urbano e a convivência local.
Modernização e concessão de prédios públicos no entorno
Silvio Oksman sugere que a prefeitura conceda imóveis públicos próximos ao Anhangabaú para a iniciativa privada, com a finalidade de realizar retrofit e transformá-los em habitação social, residências para classe média e escritórios. Esse modelo misto de uso permitiria a geração de receitas para a manutenção do parque e para compensar a perda de arrecadação decorrente do fim da exploração privada exclusiva. Além disso, esses imóveis poderiam receber incentivos fiscais municipais, estimulando a recuperação do patrimônio histórico e arquitetônico da região central.
Ativação dos equipamentos urbanos e melhoria da oferta de lazer
A proposta também prevê a reativação dos equipamentos instalados no vale, como os 850 jatos d’água que funcionam como elemento refrescante nos dias quentes, atualmente praticamente desligados. Os quiosques localizados nas laterais do parque, que permanecem fechados e cercados por grades, seriam reabertos para oferecer serviços públicos e privados, tornando o espaço mais atraente e dinâmico para os frequentadores. Além disso, a inserção de mobiliário urbano móvel, como cadeiras, mesas e equipamentos esportivos, ajudaria a tornar o ambiente mais acolhedor e versátil.
Incentivos e estímulos para o repovoamento do centro
O plano integra a proposta de criar estímulos específicos para o Anhangabaú, complementando o programa municipal já existente para a modernização de prédios no centro da cidade. A recuperação dos imóveis poderia contar com benefícios como isenção de impostos e reembolso parcial dos custos com obras. Esta estratégia visa atrair incorporadores e construtores a investir no retrofitting de edifícios, contribuindo para a densificação residencial e o fortalecimento da economia local. A revitalização do parque serviria como catalisador para esse processo, valorizando o entorno imediato e qualificando a região.
Desafios e perspectivas para a implementação do projeto
Embora o projeto de requalificação do Anhangabaú público tenha recebido destaque na série Centro em Transição, ainda não há posicionamento oficial da prefeitura ou da concessionária responsável sobre a revisão da concessão e as mudanças propostas. O antigo hotel Esplanada, um dos prédios públicos próximos, atualmente abriga secretarias estaduais e não tem previsão de desocupação. A viabilização do plano dependerá da articulação entre o poder público, iniciativa privada e sociedade civil para redefinir o uso do espaço, equilibrar interesses e garantir a sustentabilidade financeira e social da área.
A transformação do Anhangabaú em um parque urbano aberto, ativo e integrado à vida do centro paulistano representa uma oportunidade para resgatar a identidade histórica do local, fomentar o turismo, ampliar a oferta de lazer e contribuir para o repovoamento e a valorização imobiliária da região central de São Paulo. O projeto propõe um modelo inovador de gestão público-privada que pode servir de referência para outras áreas urbanas em processo de revitalização.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Eduardo Knapp/Folhapress





