Um estudo alarmante divulgado pelo UNICEF em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que a região amazônica enfrenta índices alarmantes de violência contra crianças e adolescentes. Os dados, referentes ao período de 2021 a 2023, contabilizam mais de 38 mil casos de estupro e cerca de 3 mil mortes violentas intencionais de vítimas com até 19 anos. A pesquisa destaca a urgência de ações para proteger a população mais vulnerável da região.
O estudo aponta disparidades significativas em relação ao restante do país, especialmente em áreas rurais. “O estudo revela dinâmicas territoriais muito distintas dos crimes contra crianças e adolescentes na Amazônia em relação ao restante do Brasil, especialmente quando se considera o nível de urbanização”, explica Cauê Martins, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A análise detalhada expõe a necessidade de políticas públicas específicas para cada contexto.
Especificamente, a taxa de violência sexual em municípios rurais da Amazônia, na faixa etária de 10 a 14 anos, chega a 308 vítimas por 100 mil habitantes, superando em 57% a média de municípios urbanos fora da região. Em contrapartida, as mortes violentas intencionais em centros urbanos amazônicos apresentam taxas 31,9% superiores às de outras áreas urbanas do país. Essa escalada da violência está intrinsecamente ligada à atuação de facções criminosas na região Norte.
A presença e expansão de facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em áreas vulneráveis têm um impacto direto nos índices de violência. Autoridades do Amazonas estimam que nove em cada dez homicídios dolosos no estado estão relacionados ao crime organizado. Essa dinâmica também se reflete no aumento da violência contra mulheres, especialmente em regiões de fronteira, onde a atuação desses grupos é mais intensa.
Os dados revelam que a Amazônia, composta por mais de 700 municípios em nove estados, apresenta uma taxa de violência sexual de 141,3 casos a cada 100 mil crianças e adolescentes em 2023, 21,4% acima da média nacional. Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Acre lideram o ranking dos estados com maior incidência, expondo a urgência de medidas preventivas e de proteção.
Diante desse cenário preocupante, o UNICEF e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública enfatizam a importância de enfrentar as diferentes formas de violência contra crianças e adolescentes na Amazônia Legal e em todo o Brasil. Entre as recomendações, destacam-se a capacitação de profissionais que atuam na região e o fortalecimento de políticas de combate às atividades ilícitas, buscando garantir um futuro mais seguro para a juventude.
Fonte: http://odia.ig.com.br










