Um estudo recente do Imaflora revela um aumento significativo nas transações de madeira nativa nos estados do Amapá e Acre, sinalizando uma reconfiguração nos negócios da região amazônica. O Anuário Timberflow 2024, que analisou dados públicos, destaca como essa dinâmica está redesenhando o cenário regional do comércio madeireiro.
Embora o Pará e o Mato Grosso continuem liderando o ranking de vendas de madeira em tora, o crescimento expressivo no Amapá e Acre antecipa um reordenamento nas estratégias de logística, ações e compras responsáveis na Amazônia Legal. Essa mudança aponta para uma nova distribuição das atividades madeireiras na região.
Além da ascensão do Amapá e Acre, o Anuário também revela a importância do mercado interno, com São Paulo se destacando como principal destino da madeira. Paralelamente, as exportações têm crescido, buscando mercados cada vez mais exigentes, com os Estados Unidos liderando como principal comprador, seguidos pela Holanda e França.
Leonardo Sobral, diretor de florestas e restauração do Imaflora, enfatiza a importância do Anuário Timberflow para o setor. “Analisando os dados de 2024, pode-se notar uma concentração das transações em três estados da Amazônia Legal (Pará, Mato Grosso e Rondônia), o que reflete em um maior número de negócios com madeira da região”, destacou Sobral, ressaltando como o estudo oferece dados cruciais para a tomada de decisões estratégicas.
No Amapá, Mazagão se consolida como o principal polo madeireiro, concentrando mais de 60% do volume de madeira em tora transacionada. No Acre, a produção se concentra em Feijó e Rio Branco, que juntos respondem por mais de 60% das transações estaduais. Em ambos os estados, a exploração se concentra em poucas espécies, como angelim, maçaranduba e cumaru.
O padrão de concentração por espécie, segundo o estudo, oferece oportunidades para calibrar o planejamento de oferta e manejo, além de abrir caminho para a diversificação do portfólio florestal. A ampliação do uso de espécies menos exploradas e a busca por novos mercados podem diluir riscos e reduzir a pressão sobre as madeiras de alto valor.
Em relação às concessões florestais federais, o Anuário aponta que foram transacionados 379 mil metros cúbicos de tora em 2024, com o Pará respondendo por 79% desse total. Felipe Pires, coordenador de Pesquisas em Florestas e Restauração do Imaflora, reitera que o Anuário fornece informações valiosas para a definição de estratégias para o setor florestal.










