Em um feito inédito, o Amapá terá representantes na final do concurso de samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro. As composições de número 103 e 105 venceram a etapa estadual em evento realizado no Trapiche Santa Inês, em Macapá, no último sábado, reunindo artistas, torcedores e amantes do carnaval em clima de celebração.
Inspirados no enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Floresta Negra”, os compositores amapaenses traduziram a sabedoria popular e a espiritualidade amazônica em versos, homenageando o pesquisador Mestre Sacaca. Esta é a primeira vez que sambas criados no Amapá competirão em uma das escolas de samba mais tradicionais do Brasil.
O Governo do Amapá oferecerá apoio logístico e financeiro aos vencedores, incluindo passagens e ajuda de custo, para garantir sua participação na semifinal do concurso no Rio de Janeiro. A iniciativa foi viabilizada pelo diálogo entre o governador Clécio Luís, a presidente da Mangueira, Guanayra Firmino, e a articulação do senador Davi Alcolumbre, estabelecendo uma ponte entre o carnaval carioca e a produção cultural amapaense.
“É um momento histórico, estamos muito felizes em ver duas composições sendo escolhidas”, comemorou a secretária de Estado da Cultura, Clícia Vieira Di Miceli, destacando a potência, a poesia e a identidade do Amapá, que agora ecoarão na Sapucaí. “É um orgulho ver a Amazônia Negra se apresentando para o mundo”, completou.
O vice-presidente da Mangueira, Moacir Barreto, enfatizou a importância da etapa amapaense para a história do samba. “A Mangueira sempre foi a voz do povo e da raiz. Ver compositores amapaenses ocupando esse espaço é a prova de que o carnaval também é Amazônia, também é floresta”, afirmou, ressaltando o fortalecimento da identidade da escola com a inclusão da cultura amapaense.
Camila Lopes, uma das autoras do samba 105, expressou seu orgulho em ver a composição chegar à final, sob a liderança do mestre Francisco Lino, de 92 anos, amigo de Sacaca. Já Piedade Videira, compositora do samba 103, destacou a importância do apoio recebido e a representatividade da identidade amapaense nos versos criados.
Com a vitória dos sambas 103 e 105, o Amapá consolida sua presença no cenário carnavalesco nacional, levando para o Rio de Janeiro a riqueza e a força da cultura amazônica. O samba nº 103, intitulado “Verônica dos Tambores”, foi criado pela equipe formada por Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior e Marcelo Zona Sul.





