Um novo levantamento nacional revela dados alarmantes sobre o consumo de álcool entre adolescentes no Brasil. De acordo com o estudo, mais da metade dos jovens experimentou bebidas alcoólicas antes dos 18 anos, e cerca de 25% adotaram o hábito de beber regularmente antes da maioridade. A pesquisa, conduzida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acende um sinal de alerta para os riscos associados ao consumo precoce de álcool.
Entre os adolescentes de 14 a 17 anos, a cerveja lidera a preferência, seguida pelas bebidas do tipo ice e destilados como vodka e gim. O estudo destaca que o sabor adocicado das bebidas ice e seu forte apelo comercial contribuem para a popularidade entre os jovens. Festas, bares e até mesmo a própria casa, com a tolerância de familiares, são os principais locais de consumo, influenciados também pelo ambiente escolar e pelos amigos.
A pesquisa revela ainda a facilidade com que os jovens têm acesso às bebidas alcoólicas. Cerca de 75% dos entrevistados afirmaram não encontrar dificuldades para comprar os produtos, e muitos relataram adquirir bebidas por preços abaixo do normal, o que indica riscos de adulteração e contrabando. “Os adolescentes desenvolvem mais transtornos (associados ao álcool), independentemente de classe social, educação e sexo”, adverte Clarice Madruga, coordenadora do Lenad e professora da Unifesp.
Curiosamente, o levantamento aponta que as meninas bebem com mais frequência do que os meninos, embora eles tendam a consumir maiores quantidades de álcool quando bebem. Quase 30% das adolescentes entre 14 e 17 anos já experimentaram álcool, enquanto a taxa entre os meninos é de 25,8%. No entanto, os episódios de consumo pesado são mais comuns entre os rapazes.
Os especialistas alertam para as consequências do consumo precoce de álcool, como o aumento das chances de dependência na vida adulta e a associação com comportamentos de risco, como direção sob efeito de álcool, violência e sexo desprotegido. “Álcool não é seguro na adolescência e vale proteger esse período com limites claros em casa e supervisão da venda e do uso”, ressalta Olivia Pozzolo, psiquiatra e pesquisadora do Cisa, enfatizando a importância da proteção dos jovens.
Além do álcool, o estudo também investigou o consumo de tabaco, cigarros eletrônicos e a participação em jogos de apostas entre adolescentes. A pesquisa revelou que 7,9% dos adolescentes já experimentaram tabaco e que os cigarros eletrônicos são mais populares entre os jovens do que entre os adultos. As apostas esportivas online também se destacam, com mais de 70% dos jovens que apostam utilizando plataformas digitais.
Diante desse cenário, os pesquisadores defendem a implementação de políticas públicas mais eficazes para restringir o acesso dos adolescentes a substâncias nocivas. Clarice Madruga enfatiza a importância de medidas que visem os responsáveis pela venda dos produtos, como o combate à venda informal de bebidas alcoólicas e de cigarros eletrônicos perto de escolas. Essas ações, combinadas com programas de prevenção nas escolas, são essenciais para proteger a saúde e o futuro dos jovens brasileiros.










