Um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, soa o alarme: 2025 pode se classificar entre os três anos mais quentes já registrados. A constatação reforça uma tendência preocupante de aquecimento extremo, com sérias implicações para ecossistemas, economias e a vida de bilhões de pessoas em todo o mundo.
Divulgado às vésperas da COP30 em Belém, o relatório apresenta dados alarmantes sobre a concentração de gases de efeito estufa. Níveis recordes de dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) foram detectados na atmosfera. O CO₂, por exemplo, atingiu 423,9 partes por milhão (ppm), um pico histórico, com um aumento sem precedentes de 3,5 ppm em apenas um ano.
A temperatura média global entre janeiro e agosto de 2025 ficou 1,42 °C acima dos níveis pré-industriais. Embora ligeiramente abaixo do recorde de 2024 (1,55 °C), os últimos 11 anos (2015-2025) representam a sequência mais quente já registrada nos últimos 176 anos. Esse aquecimento persistente coloca em risco a meta de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C, conforme estabelecido no Acordo de Paris.
“Diante do atual ritmo de aquecimento e emissões, será praticamente impossível manter a meta de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C”, alertou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM. No entanto, ela enfatizou que reduzir as temperaturas a esse patamar até o final do século permanece “essencial”.
A situação dos oceanos também é crítica, absorvendo mais de 90% do calor excedente do planeta. Em 2024, o calor oceânico atingiu um novo recorde, contribuindo para o aumento do nível do mar, a intensificação de tempestades tropicais e o derretimento das calotas polares. O Ártico registrou a menor extensão máxima de gelo em março de 2025, enquanto a Antártida permanece abaixo da média histórica.
Os eventos climáticos extremos já estão causando impactos devastadores em todo o mundo. Em 2025, inundações nos Estados Unidos resultaram em mais de 130 mortes, enquanto a Europa e o Mediterrâneo enfrentaram temperaturas de até 50,5 °C. Ciclones e enchentes afetaram milhões na África e na Ásia. No Brasil, a seca prolongada voltou a castigar a Amazônia e o Centro-Sul, agravando incêndios florestais e pressionando os sistemas de energia.
Para a OMM, o relatório serve como base científica para as decisões a serem tomadas na COP30, especialmente em relação ao financiamento climático. O documento também destaca que, embora o número de países com sistemas de alerta precoce tenha aumentado, 40% do planeta ainda permanece vulnerável a desastres naturais.
Fonte: http://soudepalmas.com.br










