Presidente do Senado busca eliminar transição para acelerar aprovação da PEC que beneficia trabalhadores e desafia governo Lula

Davi Alcolumbre mandou estudar a retirada do período de transição na PEC que acaba com a escala 6×1, pressionando por aprovação imediata e impondo desgaste ao governo Lula.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), colocou fogo na discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim imediato da escala 6×1. Em gesto inesperado, ele encomendou à assessoria técnica um estudo para modificar a tramitação e eliminar o período de transição previsto na proposta, acelerando a vigência da nova regra para logo após a promulgação, sem espera.
Alcolumbre desafia governo Lula e surpreende sindicalistas
A medida foi confirmada por integrantes do Senado e relatada por líderes sindicais após reunião com o presidente da Casa na última quarta-feira. A iniciativa pegou de surpresa os movimentos sindicais, que já esperavam entraves no Senado. Para eles, o gesto de Alcolumbre demonstra disposição em acelerar a aprovação, apesar das resistências tradicionais da Casa.
— Tem todas as condições para implementar isso de uma vez só, é muito mais racional do que por etapas — afirmou Sergio Nobre, presidente da CUT, ao comentar a sinalização de Alcolumbre.
Pressão contra transição atende parte do governo, mas incomoda o Planalto
O texto aprovado na Câmara prevê 60 dias de transição para garantir as duas folgas semanais. No entanto, Alcolumbre defende acabar com esse intervalo, implementando a mudança de imediato, um ponto que já foi demanda do governo Lula, mas que teve que ceder para garantir o avanço às pressas da PEC na Câmara.
O senador Paulo Paim (PT-RS) confirmou que Alcolumbre pretende apresentar emenda de redação para retirar a transição, mostrando disposição para que o projeto seja aprovado rapidamente, contrariando a estratégia oficial do Palácio do Planalto.
Calendário de votação em aberto, mas pressão política cresce
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), ainda negocia o calendário de votação com Alcolumbre. Sindicalistas saíram da reunião confiantes que a votação acontecerá até agosto, embora o presidente do Senado tenha feito críticas públicas à pressão do governo para que o tema seja aprovado antes das eleições, acusando o Planalto de constranger parlamentares.
— Não seria um artifício para ameaçar os parlamentares, dizendo que quem votar contra ficará contra 37 milhões de trabalhadores? — questionou Alcolumbre em discurso.
O impacto político por trás do debate
A PEC do fim da escala 6×1 é uma das apostas mais populares do governo Lula para garantir votos na campanha de reeleição. Mas o presidente do Senado, conhecido pelo jogo político independente, parece disposto a controlar a condução da proposta, acelerando a tramitação e desafiando o Planalto a manter sua pressão midiática e política.
Este embate reflete as tensões entre os poderes e os interesses no Congresso, mostrando que a pauta trabalhista, mesmo popular, pode servir de palco para disputas de influência e estratégias pré-eleitorais.










