O vice-presidente Geraldo Alckmin assegurou que o Brasil está preparado para enfrentar os desafios impostos pelas tarifas dos Estados Unidos, destacando a menor dependência do mercado americano em comparação com décadas passadas. A declaração foi feita durante um debate sobre conjuntura política promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em Brasília.
Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ressaltou que apenas 3,3% das exportações brasileiras são diretamente afetadas pelas tarifas. “Vai passar. Na década de 1980, era 24% a nossa exportação para os EUA. Hoje, é 12%. E o que está afetado é 3,3%. Isso é o que está afetado no tarifaço”, observou.
Contudo, o vice-presidente alertou que cerca de 36% das exportações aos EUA são as mais impactadas pela tarifa de 50%, atingindo principalmente setores da indústria de manufatura. “Indústria de máquinas, equipamentos, calçados e têxtil. Esses são os que sofrem mais”, explicou, diferenciando esses produtos de commodities como carne e café, que encontram mercados alternativos com maior facilidade.
Em resposta, o governo federal está buscando expandir mercados por meio de acordos comerciais, como o Mercosul-União Europeia, com potencial de ser concretizado ainda este ano. Além disso, negociações com EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), Singapura e Emirados Árabes Unidos também estão em andamento.
Ademais, Alckmin destacou as medidas internas adotadas pelo governo para mitigar os efeitos negativos das tarifas, incluindo a abertura de linhas de crédito, a suspensão de tributos sobre insumos importados (drawback) e o aumento da restituição de tributos federais para empresas afetadas. No âmbito internacional, o Brasil formalizou uma reclamação na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas americanas. “Você não pode usar política regulatória por razões partidárias, políticas”, enfatizou o vice-presidente.
Fonte: http://agorarn.com.br










