Alckmin Defende Lei da Reciprocidade Contra Tarifas Americanas


Vice-presidente apresenta a medida como correção, não retaliação, em meio a pressões do tarifaço dos EUA

Alckmin Defende Lei da Reciprocidade Contra Tarifas Americanas
Vice-presidente Geraldo Alckmin em entrevista sobre a Lei da Reciprocidade — Foto: CanalGov/Reprodução

Alckmin rejeita retaliação e posiciona a Lei da Reciprocidade como resposta jurídica a tarifas americanas que impactam exportações brasileiras.

O vice-presidente Geraldo Alckmin reforçou que a Lei da Reciprocidade, sancionada pelo Congresso no ano passado, não se trata de retaliação, mas de uma resposta institucional diante de uma situação injusta criada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. “A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin em entrevista coletiva ao lado do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

Governo estrutura resposta e apoio emergencial

O Executivo brasileiro está finalizando um pacote de medidas para amparar os setores mais atingidos pelo tarifaço americano, que prevê sobretaxas de até 37,5% sobre produtos nacionais, afetando cerca de 18% das exportações ao mercado dos EUA — o que equivale a aproximadamente US$ 7,4 bilhões. A estratégia do governo está dividida entre apoio financeiro direto às empresas, diversificação dos mercados de exportação e diálogo constante com os setores produtivos para mensurar os impactos.

Entre as medidas em avaliação, estão ofertas de crédito via programa Brasil Soberano para capital de giro e investimentos, além da flexibilização temporária do regime de drawback para preservar benefícios fiscais daqueles exportadores que perderem mercado nos EUA. O governo também considera ajustes nas exigências de manutenção de empregos para empresas que receberem apoio emergencial.

Busca por novos mercados e desafios dos setores industriais

Com a intensificação dos embates comerciais, a ApexBrasil passa a focar na abertura e consolidação de novos destinos para produtos brasileiros, mirando países como Índia, México, Singapura, Japão e os mercados do Sudeste Asiático, além de avançar nas negociações de acordos comerciais com blocos como Mercosul-União Europeia e Mercosul-EFTA.

Os setores mais vulneráveis ao impacto das tarifas são eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados — segmentos que têm no mercado americano importantes destinos para suas exportações. O governo destaca a importância da diversificação para reduzir a dependência do mercado estadunidense, especialmente em produtos industriais de maior valor agregado.

Calendário decisivo na disputa comercial

O governo brasileiro monitora atentamente a decisão dos EUA sobre a possível aplicação cumulativa da sobretaxa adicional de 12,5% em decorrência de acusações de trabalho forçado, prevista para ser anunciada na próxima sexta-feira. A sobretaxa inicial de 25% entrará em vigor em 29 de julho para produtos já em trânsito para os Estados Unidos.

Até lá, o Ministério do Desenvolvimento intensificará reuniões com setores afetados, como plásticos, máquinas, veículos, borracha e calçados, para consolidar um diagnóstico preciso e definir as medidas de socorro final. Uma missão oficial à Índia está prevista para ampliar oportunidades comerciais, especialmente para fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.

O ministro Márcio Elias Rosa deixou claro que, embora a medida americana seja considerada injusta pelo governo brasileiro, todas as ações possíveis serão tomadas para amenizar os prejuízos sofridos pelas empresas exportadoras. “O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo”, afirmou o ministro.


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