Polícia Federal enfrenta sucessivos adiamentos em depoimentos-chave que atrasam investigação sobre fraudes financeiras

A Polícia Federal enfrenta sucessivos adiamentos de depoimentos essenciais na investigação do Banco Master, impedindo a conclusão do inquérito antes do segundo turno das eleições.
A Polícia Federal (PF) enfrenta dificuldades para concluir o inquérito relacionado às fraudes financeiras envolvendo o Banco Master devido a uma série de adiamentos em depoimentos considerados essenciais. A Operação Compliance Zero, que investiga o caso, esperava fechar ao menos uma frente até agosto, mas sucessivos cancelamentos e remarcações de oitivas empurraram o cronograma para além do previsto.
Na última quinta-feira (15), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um diretor do banco BRB prestaram depoimento em Brasília, mas as interrupções anteriores afetaram o ritmo das investigações. Entre as testemunhas cujo depoimento foi cancelado estão André Esteves, controlador do BTG Pactual, e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, ambos intimados para esclarecer possíveis favorecimentos ao Banco Master por parte de ex-servidores da autarquia.
Oficialmente, as defesas alegam falta de acesso integral aos autos para justificar os adiamentos. Nos bastidores, a proximidade do segundo turno das eleições e a incerteza política futura também são apontadas como fatores que influenciam o atraso. O caso envolve múltiplos poderes e instituições, incluindo Executivo, Congresso, Banco Central, BRB e Supremo Tribunal Federal.
Desde o início da investigação, deflagrada em novembro de 2025, quase duas dezenas de depoimentos foram adiados ou suspensos, o que dificulta o cruzamento de informações e a elaboração dos relatórios finais. A PF solicitou recentemente mais 60 dias para concluir a apuração, mas com as oitivas travadas, não há previsão clara para o encerramento dos inquéritos.
A complexidade do caso e o volume de personagens envolvidos tornam o desafio ainda maior para a Polícia Federal, que busca equilibrar o cumprimento do cronograma com as garantias legais das defesas. A sucessão de adiamentos, entretanto, amplia o risco de que a apuração se estenda para além do período eleitoral, afetando o cenário político e judicial do país.
Fonte: gazetadopovo.com.br










