Mostra 'Dada' na Galeria Yehudi Hollander-Pappi transforma loja em escultura viva e promove reflexão sobre o mercado de arte

Adam Milner apresenta 'Dada', exposição que transforma loja paulista em escultura, debatendo arte e mercado na Galeria Yehudi Hollander-Pappi.
Confira a programação da exposição ‘Dada’ de Adam Milner
Local: Galeria Yehudi Hollander-Pappi, al. Lorena, 1295, Jardins, São Paulo
Período: Até 14 de março
Horários: Terça a sexta, das 11h às 19h; sábado, das 11h às 17h
Entrada: Gratuita
Adam Milner exposição arte comércio e sua abordagem inovadora
A exposição “Dada” de Adam Milner na Galeria Yehudi Hollander-Pappi em São Paulo questiona os limites entre arte e mercado, apresentando uma loja de bugigangas como uma única escultura. Inspirado no dadaísmo, o artista americano constrói um diálogo crítico ao manter o comércio ativo dentro da galeria, mesclando consumo e produção artística num só espaço. Essa lógica desafia a percepção tradicional sobre o que é arte, evidenciando que a dimensão comercial é parte integrante do sistema artístico contemporâneo.
Adam Milner, conhecido por seu interesse em objetos cotidianos, utiliza elementos comuns como pôsteres antigos, bonecos e latas vazias, configurando uma instalação que funciona simultaneamente como loja e obra de arte. Essa estratégia remete ao conceito do “objeto encontrado”, popularizado pelo dadaísta Marcel Duchamp, que deslocava objetos banais para o campo artístico, atribuindo-lhes novo significado.
Estrutura da exposição e o conceito de arqueologia do banal
Além da loja, a mostra apresenta obras inéditas feitas a partir de fragmentos coletados nas ruas e ambientes urbanos de São Paulo e Nova York. Cartões, papéis de seda, confetes e outros materiais cotidianos são enquadrados ou incorporados em pinturas feitas com tecidos e papéis reaproveitados. Essas peças funcionam como vitrines internas, revelando uma arqueologia do banal que transforma resíduos em arte.
Milner destaca a melancolia e o humor presentes em seus trabalhos, como ocorre nas velas de aniversário em formato de zero, que acumuladas evocam tanto a passagem do tempo quanto uma reflexão sobre o significado dos números. Este interesse pela escavação de objetos comuns é uma tentativa de encontrar sentido e verdade no que normalmente seria descartado, ressignificando o cotidiano por meio da arte.
A dimensão pessoal e a integração da vida com a produção artística
A exposição incorpora também elementos do espaço íntimo do artista, como fotografias do quarto de seu pai e uma escultura em alumínio produzida por ele nos anos 1990, nunca antes mostrada publicamente. Essa inclusão amplia o diálogo entre o público e o privado, trazendo uma camada afetiva e autobiográfica para a mostra.
Adam Milner define sua prática artística como uma sobreposição contínua entre o tempo de vida e o tempo de produção, afirmando não se considerar um “artista de ateliê” tradicional. Ele trabalha enquanto experimenta a vida, recolhendo materiais durante festas, caminhadas e viagens, o que resulta em uma obra constantemente em construção e transformação.
Reflexões políticas e sociais na exposição de Adam Milner
Ao abordar a relação entre produção artística e ritmo de vida, Milner defende uma redução significativa da jornada de trabalho, sugerindo algo como três dias por semana. Para ele, essa mudança é uma posição política contra o ritmo acelerado e degradante do mundo contemporâneo. Ele relaciona essa perspectiva à sua própria mostra, que não busca preencher o espaço com excesso de obras, mas sim refletir sobre o descanso e a desaceleração.
A exposição “Dada” emerge num contexto global marcado por ascensão do autoritarismo e crises sociais, utilizando o humor e o absurdo para provocar reflexão crítica. Ao fazer do espaço expositivo um local de comércio e experiência estética, Milner fortalece o debate acerca das fronteiras da arte e sua inserção no mercado, convidando o público a repensar hábitos de consumo e a própria natureza da criação artística.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Divulgação










