A segurança no trânsito da BR-101, especialmente no trecho que corta o Espírito Santo, tem sido um tema de debate constante. Frequentemente, a responsabilidade pela redução de acidentes recai sobre a concessionária responsável pela administração da via. No entanto, um olhar mais aprofundado revela que a questão é multifacetada e exige a colaboração de todos os envolvidos.
De acordo com Christian Tanimoto, gerente de Atendimento ao Usuário da Ecovias 101, a segurança viária é um tripé composto por engenharia, educação e esforço legal. A concessionária atua diretamente na engenharia, buscando criar e manter vias seguras com sinalização e infraestrutura adequadas. Paralelamente, investe em educação, promovendo campanhas de conscientização e programas de treinamento.
O esforço legal, por sua vez, abrange a fiscalização do cumprimento das leis de trânsito, a aplicação de penalidades e a criação de regulamentos que desencorajem comportamentos de risco. A integração desses três pilares é fundamental para mitigar os alarmantes índices de acidentes, lesões e mortes no trânsito, que, segundo o Atlas da Violência, somaram 34,8 mil óbitos em 2023.
Embora a Ecovias 101 reconheça a importância da duplicação das vias e da instalação de dispositivos de segurança, dados recentes apontam para uma realidade preocupante. “Na BR-101 no Espírito Santo, 44% das vítimas fatais entre janeiro e junho de 2025 não usavam cinto de segurança”, ressalta Tanimoto. Além disso, 56% dos acidentes no trecho concedido ocorreram em pistas duplicadas.
Esses números evidenciam que o comportamento do motorista desempenha um papel crucial na segurança viária. A ausência de reação ou a reação tardia do condutor figuram entre as principais causas de acidentes. Essa constatação se alinha aos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indicam que 90% dos acidentes são causados por falha humana.
A Ecovias 101, em parceria com o Ministério dos Transportes, a Agência Nacional de Transportes Terrestres e o Tribunal de Contas da União, está implementando um novo contrato de concessão que prevê a duplicação de mais de 170 quilômetros e investimentos de R$ 10 bilhões. No entanto, a concessionária ressalta que a mudança efetiva depende de uma transformação na cultura do trânsito.
“É preciso superar a lógica do ‘nós contra eles’ e construir um esforço coletivo, onde todos estejamos unidos com o objetivo em comum de salvar vidas no trânsito”, defende Tanimoto. A conscientização e a responsabilidade individual são peças-chave para reverter o cenário atual e garantir um trânsito mais seguro para todos.





