A vida é um mosaico de lembranças, algumas que nos aquecem o coração, outras que preferiríamos esquecer. Como sabiamente observou Canuto Mendes de Almeida: “Boa memória tem quem se lembra do que tem que lembrar e esquece do que tem que esquecer. Má memória tem quem esquece do que tem que lembrar e lembra do que tem que esquecer”. Este relato nos convida a refletir sobre quais memórias cultivamos e como elas moldam nossa perspectiva.
O incidente que despertou essas reflexões no autor envolve a busca frenética de Salete por seu cartão do SUS, que a fez recordar uma viagem peculiar à Iguape. Em um dia frio, ao atravessarem a ponte “João Carvalho” após pegarem um táxi na Ilha Comprida, Salete percebeu, já no consultório médico, que havia esquecido seu casaco no veículo. A princípio, a situação pareceu um contratempo inevitável.
Meses se passaram, e a lembrança do casaco perdido já era quase uma anedota. Certo dia, ao entrarem em uma loja na Avenida Copacabana, na Ilha Comprida, um homem chamou a atenção do casal. O olhar fixo do desconhecido indicava um reconhecimento, uma memória compartilhada que estava prestes a se revelar.
Para a surpresa de Salete e do autor, o homem se aproximou e confirmou suas suspeitas: ele era o taxista da viagem à Iguape. Em um gesto de honestidade inesperada, ele retornou com o casaco esquecido, guardado com cuidado durante todos aqueles meses. “Esse foi o casaco que a senhora deixou dentro do taxi lá em Iguape”, disse ele.
A atitude nobre do taxista, que também era dono de uma loja na movimentada Avenida Copacabana, transcendeu a simples devolução de um objeto perdido. Tornou-se uma poderosa lição sobre a importância da honestidade e da integridade, uma memória que certamente permanecerá viva na mente do casal. Estejamos, portanto, atentos aos acontecimentos e abertos aos aprendizados que eles podem nos proporcionar.
Fonte: http://www.folhabv.com.br










