A polêmica por trás de “O Brutalista” e o uso da IA no Oscar


Entenda as controvérsias envolvendo o filme vencedor de três estatuetas na premiação

A polêmica por trás de "O Brutalista" e o uso da IA no Oscar
Cena do filme "O Brutalista". Foto: CNN Brasil. — Foto: O "Brutalista" foi indicado a Melhor Filme no Oscar 2025

O uso de IA em "O Brutalista" gerou polêmica durante o Oscar, questionando a autenticidade das atuações.

A polêmica do uso da inteligência artificial em “O Brutalista”

“O Brutalista” se destacou no Oscar 2025, levando para casa três estatuetas, incluindo Melhor Ator para Adrien Brody. No entanto, a premiação foi marcada por uma controvérsia: o filme, majoritariamente falado em inglês, utilizou inteligência artificial para ajustar diálogos em húngaro. Essa escolha levantou questões sobre a autenticidade das atuações de Brody e Felicity Jones, que também estavam na disputa pelo Oscar.

O editor do filme, Dávid Jancsó, declarou que a tecnologia da empresa ucraniana Respeecher foi empregada para refinar o diálogo em húngaro, algo que visava tornar a fala dos atores mais autêntica. Essa decisão, no entanto, gerou críticas e desconfiança sobre a validade das performances, levando a um debate sobre o papel da inteligência artificial no cinema.

O que motivou a utilização da IA

O uso da IA no filme não foi uma decisão arbitrária. Segundo Jancsó, o desejo de manter a precisão na pronúncia do húngaro levou à adoção dessa tecnologia. Ele explicou que as atuações de Brody e Jones foram preservadas, e a IA apenas refinou certas vogais e letras. A equipe de som trabalhou em conjunto com a Respeecher para garantir que o resultado final respeitasse a autenticidade das performances, e não as substituísse.

Jancsó complementou que, apesar de ser possível realizar ajustes manualmente, o tempo na pós-produção é limitado, especialmente considerando o orçamento restrito do filme, que não ultrapassou US$ 10 milhões. A utilização da IA, portanto, foi uma maneira de acelerar o processo sem comprometer a qualidade das atuações.

Pontos essenciais da controvérsia

O uso de IA em “O Brutalista” levantou questões sobre a autenticidade das atuações. A discussão é relevante para o futuro do cinema. A decisão de usar tecnologia foi uma resposta às dificuldades financeiras e de tempo, com um orçamento inferior a US$ 10 milhões. A IA foi utilizada apenas para ajustes em diálogos em húngaro, sem interferir nas falas em inglês, conforme afirmado pelo diretor Brady Corbet. O editor destacou que os atores gravaram suas próprias vozes, que serviram de modelo para a IA, garantindo que as performances permanecessem genuínas.

“Devemos ter uma discussão muito aberta sobre quais ferramentas a IA pode nos oferecer.”

Consequências e reações sobre o debate da IA

A polêmica em torno do uso da inteligência artificial em “O Brutalista” não apenas dividiu opiniões entre críticos e espectadores, mas também trouxe à tona um debate necessário sobre a presença da tecnologia na indústria cinematográfica. O diretor Corbet e Jancsó, ambos defensores do uso da IA, acreditam que a tecnologia pode revolucionar a forma como histórias são contadas. Corbet enfatizou que o uso da IA foi uma ferramenta para aprimorar, e não para substituir, o trabalho dos atores.

Além disso, o uso da IA na criação de desenhos arquitetônicos no final do filme também foi um ponto de discussão. Embora a tecnologia tenha influenciado a arte visual, os designs finais foram feitos à mão, destacando a colaboração entre inovação tecnológica e criatividade humana. A utilização de inteligência artificial neste contexto reflete uma tendência crescente na indústria, onde tecnologias emergentes são integradas ao processo criativo.

A importância da discussão sobre a tecnologia no cinema

O debate sobre o uso da IA em filmes como “O Brutalista” é crucial. Com o avanço das tecnologias, o cinema é desafiado a repensar suas práticas tradicionais. As reações ao filme indicam que muitos espectadores ainda têm receios em relação à IA e suas implicações na autenticidade e na arte.

Assim, é essencial que a indústria cinematográfica promova um diálogo aberto sobre o uso de tecnologias emergentes, reconhecendo seus benefícios e limitações. À medida que mais produções adotam a IA, a necessidade de diretrizes claras e éticas sobre sua aplicação se torna cada vez mais evidente.

Reflexão final sobre a inovação no cinema

“O Brutalista” não apenas conquistou prêmios, mas também levantou questões importantes sobre o futuro da narrativa cinematográfica. O uso da inteligência artificial, apesar da controvérsia, pode representar um passo em direção a novas formas de contar histórias. A forma como o público e a indústria responderão a essas inovações determinará o rumo das produções futuras.

Portanto, a discussão em torno da IA no cinema é fundamental para moldar um futuro onde tecnologia e arte possam coexistir de maneira harmoniosa, respeitando a autenticidade das performances e a criatividade dos artistas.


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