
A janela partidária no Paraná escancarou o que boa parte da classe política ainda tenta disfarçar: a fidelidade dura exatamente até onde vai a conveniência.
A debandada de deputados estaduais para o PL, na esteira do projeto de Sergio Moro, não é movimento ideológico — é oportunismo em estado bruto. Muitos desses parlamentares passaram anos pendurados na estrutura do governo de Ratinho Junior, usufruindo cargos, emendas, agenda e visibilidade. Eram base quando interessava. Agora, simplesmente viraram a casaca.
E aqui está o ponto mais gritante da incoerência: até poucos dias atrás, nomes como Paulo Gomes, Matheus Vermelho, Flávia Francischini e Denian Couto disputavam espaço ao lado do governador, reivindicando para si a assinatura das mudanças do estado. Posavam como protagonistas da transformação do Paraná, vendiam ao eleitor a imagem de parceiros diretos de um governo que, segundo eles próprios, colocou o estado em outro patamar. Sempre colados a Ratinho, sempre prontos para dividir o crédito.
Bastou a janela abrir — e o discurso evaporou.
Há quem tenha sido, ao menos, transparente na incoerência. Mauro Moraes já vinha sinalizando sua escolha, rompeu, perdeu espaço e assumiu o lado que queria. É discutível, mas é coerente.
O problema — e o que revolta — são os recém-convertidos. Deputados que até dias atrás viviam à sombra do governo, colhendo benefícios e capital político, e que agora fingem que nada disso existiu. Não explicam, não justificam, não sustentam. Apenas mudam.
É o retrato mais cru da política sem memória — e sem palavra.
Não houve ruptura por princípio. Houve cálculo. Houve cheiro de poder. Houve a velha lógica de sempre: estar onde parece mais vantajoso, custe o que custar.
E custa. Custa credibilidade. Custa confiança. Custa a já desgastada relação entre eleitor e política.
No fim, sobra a constatação incômoda: para alguns, o projeto nunca foi o Paraná.
Sempre foi — e continua sendo — o poder a qualquer custo.










