Governador de São Paulo conquista adesão da caserna diante da rejeição à fuga de Flávio aos EUA

Após a derrota eleitoral de 2026 e a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA, militares das Forças Armadas criticam o senador por 'abandono de tropa' e passam a apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como novo nome forte na política nacional.
A derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026 e sua saída para os Estados Unidos sem reconhecer o resultado oficial geraram críticas significativas entre integrantes das Forças Armadas brasileiras. Militares ativos e inativos classificam a atitude do senador como um “abandono de tropa”, considerando-a incompatível com os valores de caráter, honra e lealdade esperados no meio militar.
Esse episódio reforçou a adesão da “família militar” – termo que inclui membros ativos, inativos, parentes e pensionistas das Forças Armadas – ao governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), capitão da reserva do Exército. Tarcísio, que já era apontado como nome preferido para uma candidatura presidencial em 2030, passou a ser visto como alternativa mais alinhada aos valores conservadores e à estabilidade institucional.
Militares entrevistados pela reportagem destacam o histórico de Tarcísio no Exército, incluindo sua formação no Instituto Militar de Engenharia e atuação na missão de paz da ONU no Haiti, como elementos que fortalecem sua imagem perante a caserna. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro é lembrado por ter deixado o Exército com restrições disciplinares, o que contribui para a percepção de distanciamento do meio militar tradicional.
Apesar de Tarcísio ter sido ministro no governo Bolsonaro e manter relação com o grupo bolsonarista, a expectativa entre militares é de que haja um rompimento político no próximo ciclo eleitoral, com uma possível cisão que levaria a maioria a apoiar o governador paulista.
O contexto político das Forças Armadas permanece tenso, sobretudo após o julgamento da trama golpista relacionada ao 8 de Janeiro, no qual 21 militares foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A atuação do STF é criticada por parte dos militares por suposta parcialidade, especialmente em relação ao governo Lula, gerando questionamentos sobre a dosimetria das punições aplicadas.
Além disso, a militarização da política segue em ascensão, com aumento no número de militares da reserva e reformados eleitos para cargos públicos. Entretanto, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que determina a transferência automática para a reserva de militares da ativa que se candidatam encontra resistência dentro das Forças Armadas.
O governador Tarcísio tem buscado manter diálogo com a caserna, elogiando o ministro da Defesa José Múcio Monteiro, reconhecido por sua atuação conciliadora entre as instituições civis e militares.
Reações militares e cenário político
- Militares criticam Flávio Bolsonaro por deixar o país após derrota eleitoral sem reconhecer resultado
- Tarcísio de Freitas ganha destaque como líder alinhado aos valores conservadores e preparado para presidência
- Resistência e divisão persistem entre bolsonaristas radicais e maioria da caserna em apoio a Tarcísio
- Condenações no STF relacionadas à trama golpista geram insatisfação e questionamentos sobre penas
- Cresce presença de militares na política, enquanto PEC sobre candidatura de militares da ativa enfrenta rejeição
O cenário político demonstra uma reconfiguração das alianças dentro das Forças Armadas, com reflexos na política nacional e nas eleições futuras.









