Deputada do PT ressalta diálogo de Lula com setores diversos, mas nega adoção de tabelamento de juros

Gleisi Hoffmann retoma críticas ao mercado financeiro e esclarece que diálogo do presidente Lula com setores diversos não implica adoção do tabelamento de juros.
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) retomou nesta segunda-feira (2) críticas ao mercado financeiro, afirmando por meio de publicação no X que o setor tem o ‘DNA do autoritarismo’ e estaria favorável à eleição de Flávio Bolsonaro. A petista destacou que, diante desse cenário, é natural que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dialogue com pessoas que pensam diferente da Faria Lima, mas frisou que isso não significa adoção das ideias dessas pessoas.
A manifestação de Gleisi ocorreu após controvérsia envolvendo o apoio de integrantes do governo, incluindo a própria deputada, à proposta conhecida como tabelamento de juros. A estratégia, defendida pelo economista André Lara Resende—um dos criadores do Plano Real—propõe um arranjo para redução gradual das taxas de juros, atualmente em 13,75%, para cerca de 7,5% ao ano, por meio de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional a ser criado.
No domingo (1º), Gleisi havia endossado o artigo de Lara Resende, classificando-o como fundamental para enfrentar o que chamou de ‘ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira’. O tema ganhou repercussão nacional após informações sobre um possível encontro entre Lula e o economista, o que foi desmentido nesta segunda pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Durigan negou reuniões agendadas e afirmou que não estão sendo avaliadas medidas como tabelamento dos juros da taxa Selic ou o uso de reservas cambiais para compensar eventuais saídas de capitais.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também ressaltou que somente o ministro da Fazenda tem autorização para tratar da política econômica, considerando especulações como descoladas da realidade e prejudiciais ao país.
A proposta de Lara Resende foi elogiada igualmente pelo economista José Sérgio Gabrielli, coordenador do plano de governo de Lula, que publicou documento defendendo alternativas às políticas de austeridade consideradas prejudiciais ao eleitor.
Críticos à proposta apontam a crise fiscal como fator que mantém os juros elevados e expressam preocupação com a autonomia do Banco Central. Há ainda comparações com políticas do governo Dilma Rousseff que antecederam a recessão de 2015.
Gleisi finalizou sua postagem destacando que o suposto encontro entre Lula e Lara Resende causou pânico no mercado, mas que dialogar sobre uma proposta não é sinônimo de adotá-la, reiterando que Lula conversará com diferentes visões, sem compromisso de implementar todas as ideias discutidas.
Gleisi Hoffmann destaca diálogo plural de Lula e rejeita vínculo com tabelamento
- Gleisi critica mercado financeiro por suposto apoio a Flávio Bolsonaro.
- Defende diálogo do presidente Lula com setores diversos, sem compromisso de adoção de propostas.
- Controvérsia sobre tabelamento de juros envolve economistas ligados ao governo.
- Ministro da Fazenda nega reunião entre Lula e André Lara Resende e descarta avaliação da medida.
- PT reforça que só o ministro da Fazenda deve falar sobre política econômica.
- Proposta enfrenta críticas quanto à autonomia do Banco Central e contexto fiscal do país.
Fonte: gazetadopovo.com.br









