Denúncias aumentam após segundo turno e governo anuncia medidas contra práticas no trabalho

O Ministério Público do Trabalho recebeu 3.080 denúncias de assédio eleitoral em 2026, com aumento significativo após o segundo turno das eleições. Governo e Judiciário anunciam ações para coibir práticas no ambiente de trabalho.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 3.080 denúncias de assédio eleitoral durante o ciclo eleitoral de 2026, com um aumento expressivo nas denúncias após o segundo turno das eleições, que ocorreu em 25 de outubro. Dessas denúncias, 1.143 foram registradas entre 26 e 28 de outubro. São Paulo lidera o número de denúncias, com 575 casos, seguido por Minas Gerais (316), Paraná (303) e Rio de Janeiro (229). Esses quatro estados concentraram mais da metade das denúncias recebidas.
O procurador do MPT Maurício Coentro ressaltou que o órgão monitora denúncias de assédio eleitoral desde 2018, especialmente no período pré-eleitoral. O aumento registrado em 2026, particularmente após o segundo turno, motivou o anúncio de medidas coordenadas entre o governo federal, o MPT e o Judiciário trabalhista para enfrentar a prática no ambiente de trabalho.
Entre as ações anunciadas, está a possibilidade de restringir crédito para empresas flagradas cometendo assédio eleitoral. Também está em avaliação a criação de uma lista pública com as empresas envolvidas, como instrumento de transparência.
Paralelamente, o governo divulgou dados sobre violência política contra apoiadores do presidente Lula, contabilizando 45 casos desde o segundo turno, incluindo 10 mortes, três delas de indígenas. As ocorrências incluem agressões físicas, atropelamentos intencionais, atentados a tiros, coação contra povos indígenas e abuso policial. Os estados com maior número de casos são Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
O ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, atribuiu os ataques a apoiadores do candidato derrotado Flávio Bolsonaro e afirmou que o governo buscará responsabilizar os envolvidos, com a concentração dos processos na Procuradoria-Geral da República e atuação da Polícia Federal para identificação dos responsáveis. Também serão cobradas ações das corregedorias para punir policiais envolvidos.
Essas medidas refletem a preocupação das autoridades com o aumento da tensão política e os impactos no ambiente de trabalho e na segurança dos cidadãos após o resultado eleitoral.
Fonte: metropoles.com










