Inflação de alimentos acelera e pressiona alta do IPCA-15 em outubro


Preços do grupo alimentação e bebidas sobem 0,88% na prévia de outubro, indicando tendência de alta

Inflação de alimentos acelera e pressiona alta do IPCA-15 em outubro
Cupom fiscal de compras — Foto: METRÓPOLES (@BrenoEsakiFoto)

Inflação de alimentos acelera em setembro e prévia de outubro indica alta de 0,88%. Pressão vem de hortaliças e transporte. Custos de tubérculos, leite e cereais sobem, enquanto óleos e aves recuam.

A inflação do grupo alimentação e bebidas voltou a acelerar em setembro, registrando alta de 0,83%, segundo dados do IBGE. A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) para outubro aponta aumento ainda mais expressivo, com os preços subindo 0,88% no período de 16 de setembro a 14 de outubro, mais que o dobro da alta de 0,40% observada na medição anterior.

De janeiro a setembro, o grupo acumulou alta de 4,37%, superando a variação da inflação geral medida pelo IPCA, que foi de 3,95%. Algumas capitais brasileiras apresentaram variações ainda maiores no período, como Porto Alegre (5,91%), Aracaju (5,71%) e Goiânia (5,52%).

Os subgrupos com maiores elevações foram tubérculos, raízes e legumes (46,54%), leite e derivados (12,47%) e cereais, leguminosas e oleaginosas (10,74%). Em contrapartida, registraram quedas óleos e gorduras (5,65%), aves e ovos (4,99%) e bebidas e infusões (3,37%).

Na análise do IPCA-15 de outubro, a alta da alimentação no domicílio foi predominante, com aumento de 1,01%, contra 0,38% em setembro. Destaques de alta foram tomate (24,54%), cebola (13,63%), batata inglesa (10,96%) e arroz (5,80%). Houve recuos em cenoura (-10,67%), frutas (-1,37%) e café moído (-1,16%).

Especialistas do mercado e institutos econômicos chamam atenção para fatores que podem manter a pressão sobre os preços dos alimentos nos próximos meses, incluindo condições climáticas adversas ligadas ao El Niño, que podem afetar produção e oferta, e o impacto do aumento do preço do petróleo — que ultrapassou US$ 117 o barril do tipo brent — sobre o custo do transporte.

O coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, André Braz, destaca que a alta pode não se manter de forma contínua, pois oscilações na oferta podem equilibrar os preços. Já o economista Rodolfo Olivo, da FIA Business School, ressalta que a entressafra e fatores sazonais, especialmente na produção de carne, também influenciam a dinâmica do mercado.

O contexto atual reforça a necessidade de monitoramento constante dos indicadores para avaliar os impactos da inflação de alimentos sobre o custo de vida e o orçamento das famílias brasileiras.

Fonte: metropoles.com


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