Cortes de orçamento expõem falta de mensuração eficaz do custo-benefício da inteligência artificial

Empresas como a Accenture impõem limites rígidos ao uso de IA diante da dificuldade em mensurar seu valor real, revelando necessidade urgente de controle e avaliações mais precisas.
A recente decisão da Accenture em restringir o uso da inteligência artificial (IA) a um teto mensal de US$ 29 por colaborador evidencia um desafio crescente nas empresas: comprovar que a IA vale o que custa. A medida, que exige aprovação para uso superior ao limite, surgiu após análises que mostraram grande variação no consumo, sem critérios claros de qual uso realmente traz resultados relevantes. Este episódio reflete uma realidade comum, inclusive em empresas brasileiras, onde o uso da IA cresce mas a mensuração de seu impacto ainda é incipiente.
Teto financeiro expõe falta de métricas
Inicialmente, a Accenture estimulou o uso da IA para impulsionar a produtividade — chegando a vincular promoções à frequência de uso da ferramenta. No entanto, a adoção sem parâmetros claros gerou consumos excessivos, como transformar PDFs em apresentações, atividade que não justificaria modelo de IA mais caro. O ajuste no teto financeiro foi uma resposta ao desperdício, mas não diferencia usos eficientes daqueles supérfluos.
O desafio da mensuração e controle
Um estudo recente mostra que apenas 25% das empresas brasileiras medem efetivamente o uso de IA, embora a maioria planeje ampliar a tecnologia. A falta de controle sobre custos e resultados cria um cenário onde a tecnologia se torna um custo fixo inevitável, sem garantia de retorno.
Especialistas apontam cinco pilares para melhor gestão da IA: alfabetização digital para escolha adequada de modelos; mensuração do impacto real no tempo e qualidade das tarefas; controle financeiro individualizado; mapeamento de processos para definir responsabilidades; e qualidade dos dados utilizados para evitar respostas genéricas e ineficientes.
Preparação para o futuro da IA nas empresas
Profissionais que usam IA devem monitorar tarefas-chaves, mensurar tempo e custos antes e depois da adoção da tecnologia, e testar modelos mais econômicos para garantir eficiência. Estar munido desses dados é fundamental para negociar exceções e justificar investimentos.
Embora a Accenture tenha fôlego para corrigir rumos após meses, muitas empresas brasileiras enfrentam limitações para ajustes financeiros e gerenciais, o que torna o planejamento e a mensuração prévia ainda mais essenciais. A experiência mostra que a inteligência artificial não é apenas ferramenta de inovação, mas também um desafio de gestão que deve ser encarado com critérios rigorosos para maximizar seu valor nas organizações.





