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Fachin reprime desembargador durante julgamento do CNJ

Presidente do CNJ interrompe fala de Reimão dos Reis em processo disciplinar que resultou em afastamento

Fachin reprime desembargador durante julgamento do CNJ
Processo disciplinar terminou com punição de 120 dias por acúmulo de processos e comportamento inadequado. (Foto: Reprodução/YouTube/CNJ)

Edson Fachin, presidente do CNJ, interrompeu o desembargador Evandro Reimão dos Reis durante julgamento de processo disciplinar que resultou no afastamento do magistrado por 120 dias devido a baixa produtividade e conduta inadequada.

Edson Fachin, presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), interrompeu o desembargador Evandro Reimão dos Reis durante a sessão que julgava o processo administrativo disciplinar do magistrado nesta terça-feira (20). Reimão tentou tomar a palavra sem autorização para apresentar uma ‘matéria de fato’, alegando isonomia com membros do Ministério Público para evitar punição. Fachin ressaltou que o momento processual não era adequado para tal argumento, reforçando o dever do magistrado de respeitar as regras e a ordem dos julgamentos.

O plenário do CNJ confirmou por unanimidade a condenação do desembargador à pena de disponibilidade por 120 dias, o que corresponde ao afastamento do cargo, mas com manutenção do salário. É a segunda penalidade mais severa prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional, atrás apenas da aposentadoria compulsória. Durante o afastamento, o magistrado está proibido de exercer atividades profissionais além da docência universitária. Como já cumpriu tempo em afastamento cautelar, poderá retornar ao tribunal após o período.

Durante a fiscalização da corregedoria no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), foi constatado acúmulo significativo de processos parados, com 663 decisões aguardando assinatura há meses e mais de 10 mil processos à espera de triagem ou decisão final. Em uma sessão, Reimão incluiu 295 processos na pauta e votou apenas em três, o que gerava transtornos para advogados e partes envolvidas.

Além da baixa produtividade, a investigação apontou um ambiente de trabalho tenso e hostil. Servidores relataram situações de estresse e ansiedade, com relatos de tratamento agressivo do desembargador, que se manifestava por mensagens em tom ríspido e uso excessivo de letras maiúsculas. O excesso de trabalho e a falta de cortesia foram destacados pela equipe de fiscalização como fatores para o clima negativo no gabinete.

O CNJ, com a decisão, reforça a importância da gestão adequada e do comportamento ético dos magistrados para o bom funcionamento do Judiciário. Fachin reafirmou a necessidade de respeito às normas institucionais durante a sessão, mantendo a ordem no julgamento do processo disciplinar.

Fonte: gazetadopovo.com.br