Dados do TSE mostram aumento de queixas contra partidos e queda nas contra candidatos à Presidência no segundo turno

No segundo turno das eleições de 2026, denúncias contra candidatos à Presidência caíram enquanto queixas contra partidos, coligações e federações subiram; dados do TSE mostram mudança no foco das representações eleitorais.
Dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam uma mudança no perfil das denúncias eleitorais no segundo turno das eleições de 2026. Enquanto em 2022, 49% das queixas estavam direcionadas a candidatos à Presidência, esse percentual caiu para 36,4% em 2026. Já as denúncias contra partidos, coligações e federações cresceram de 41,4% para 58,8%, tornando-se o principal foco da fiscalização.
Segundo o sistema Pardal, plataforma do TSE para registro de irregularidades eleitorais, foram contabilizadas 5.794 denúncias até 23 de outubro. Do total, 53,3% dos casos foram baixados, ou seja, arquivados ou encerrados por falta de provas ou inconsistências. Cerca de 25,9% foram formalizados como processos judiciais, e 20,7% permanecem em análise pelas autoridades eleitorais.
Especialistas atribuem a mudança ao aprimoramento das ferramentas tecnológicas do Pardal, que agora realiza triagem automática e concentra denúncias direcionadas a material de campanha impulsionado por perfis partidários. Além disso, advogados e cientistas políticos observam que a arquitetura das coligações, especialmente a única com sete legendas na disputa presidencial, e o tipo de infrações típicas do segundo turno, como propaganda em bens públicos e militância de rua sem menção a candidatos específicos, elevam o número de queixas contra as siglas.
A cientista política Carolina Venuto destaca que, embora a migração das denúncias para os partidos possa reduzir a exposição direta dos candidatos, isso não os isenta da responsabilidade. “A percepção do eleitor não distingue automaticamente partido, candidato e estrutura, e a imprensa tende a relacionar as denúncias também aos concorrentes”, explica.
Além das atualizações tecnológicas, o aumento da estrutura jurídica das campanhas para fiscalizar adversários e a digitalização dos mecanismos de denúncia têm facilitado a participação dos eleitores no controle das propagandas eleitorais.
O cenário revela uma adaptação das estratégias de controle e fiscalização no pleito, refletindo no deslocamento do foco das denúncias para as entidades partidárias, o que traz novas dinâmicas para o acompanhamento do processo eleitoral neste segundo turno.
Fonte: metropoles.com









