Apesar dos gastos bilionários, Arábia Saudita enfrenta dificuldades para conter ofensiva dos houthis do Iêmen

Ataques recentes dos houthis expõem limitações da defesa saudita, mesmo com orçamento bilionário e equipamentos avançados. O grupo iemenita usa drones e mísseis balísticos para causar danos em múltiplas regiões do país.
Os ataques dos houthis à Arábia Saudita expõem os limites da capacidade militar do reino, mesmo com gastos anuais que superam US$ 64 bilhões, segundo dados da Bloomberg Economics. Nos últimos dias, mísseis e drones lançados do Iêmen causaram pelo menos 18 mortes e forçaram o fechamento do principal aeroporto de Riad. O grupo apoiado pelo Irã mantém a ofensiva, atingindo diversas cidades sauditas nesta semana.
A Arábia Saudita investe em baterias antimísseis Patriot da Raytheon, caças F-15 da Boeing e aeronaves de reabastecimento em voo, mantendo o maior orçamento militar do Oriente Médio. Contudo, os ataques dos houthis, que usam drones, mísseis de cruzeiro e balísticos de baixo custo, evidenciam desafios na defesa do território de mais de 2,1 milhões de km².
Defender um país de dimensões continentais com múltiplos alvos estratégicos, como instalações petrolíferas, bases aéreas e centros urbanos, é um desafio complexo. Mesmo com uma taxa de interceptação elevada, o volume e variedade dos ataques dificultam a neutralização, afetando os estoques de defesa sauditas.
Especialistas destacam a adaptação do grupo houthis, que desenvolveu experiência de guerra após anos de combate no Iêmen e fabrica armamentos com componentes chineses. O custo inferior das armas do grupo em comparação ao dos interceptadores sauditas impõe pressões econômicas e operacionais ao reino.
Além disso, as baterias Patriot têm cobertura direcional limitada, dificultando a proteção completa contra disparos vindos do sul, região de origem dos ataques houthis. A dependência da inteligência americana persiste, mesmo com avanços na modernização militar promovida pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.
A guerra iniciada em 2015 no Iêmen, com o controle da capital Sanaa pelos houthis, tem sido marcada por ciclos de escalada e trégua, sem solução militar definitiva. Analistas ressaltam que equipamentos e recursos financeiros não garantem a vitória, destacando a importância de treinamento, motivação e liderança.
O ex-secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, afirmou que esforços coordenados serão necessários para conter a ameaça dos houthis, reconhecendo a resiliência do grupo. O conflito reforça a capacidade que mísseis balísticos conferem a forças menores para impor custos elevados a adversários mais poderosos.
Com mísseis Quds-1 e Burkan com alcance de até 1.200 km, praticamente todo o território saudita está vulnerável aos ataques. Para especialistas, a situação no Iêmen indica que soluções exclusivamente militares são insuficientes para a estabilidade regional e segurança do reino.









