Seul cobra explicações da Ucrânia sobre divulgação de informação sigilosa envolvendo desertores da Coreia do Norte

Coreia do Sul solicitou pedido oficial de desculpas à Ucrânia após presidente Zelensky revelar na ONU transferência de dois prisioneiros norte-coreanos para Seul, informação que Seul considera sigilosa.
A Coreia do Sul requisitou formalmente um pedido de desculpas à Ucrânia após o presidente ucraniano Volodimir Zelensky revelar publicamente, em discurso na Assembleia Geral da ONU, que dois prisioneiros de guerra norte-coreanos foram transferidos para Seul. Segundo autoridades sul-coreanas, essa operação deveria permanecer sob sigilo devido a acordos de confidencialidade que Kiev teria violado, o que Kiev nega.
Zelensky afirmou que os dois homens foram capturados em combate na guerra contra a Rússia e enviados à Coreia do Sul. Eles faziam parte de tropas norte-coreanas que apoiavam a ofensiva russa. O presidente sul-coreano Lee Jae Myung acusou a Ucrânia de quebrar o acordo de confidencialidade e comprometer a segurança dos prisioneiros e de seus familiares, além de prejudicar as relações bilaterais.
Em resposta, o assessor presidencial sul-coreano Seong Ghi-hong manifestou forte pesar e exigiu explicações formais. O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul convocou o embaixador ucraniano, Andrii Vieshkin, para registrar o protesto contra a divulgação unilateral e a negação do acordo. A embaixada ucraniana não se pronunciou.
Na Ucrânia, os dois militares deram entrevistas manifestando o desejo de permanecer na Coreia do Sul, onde a legislação prevê acolhimento e apoio a desertores norte-coreanos, considerados parte do território sul-coreano. Seul vinha solicitando que esses prisioneiros não fossem devolvidos a Pyongyang, onde poderiam sofrer perseguições.
Desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), mais de 34 mil norte-coreanos, majoritariamente civis, buscaram refúgio na Coreia do Sul, com deserções militares sendo raras. Especialistas interpretam que Zelensky pode ter exposto o episódio para reforçar o alerta sobre a participação norte-coreana no conflito russo-ucraniano e buscar maior apoio internacional.
O governo sul-coreano temia que a divulgação abrupta da informação provocasse reações adversas da Coreia do Norte e prejudicasse o diálogo diplomático entre Pyongyang e os Estados Unidos.









