Novas tecnologias aceleram trabalho jurídico, mas dúvidas sobre redução de honorários aumentam

Escritórios de advocacia nos EUA adotam IA para acelerar processos, mas clientes questionam se eficiência resultará em redução de honorários.
A inteligência artificial (IA) vem sendo adotada por grandes escritórios de advocacia nos Estados Unidos para aumentar a eficiência em processos jurídicos, como revisão de contratos e elaboração de documentos para ofertas públicas iniciais. Ferramentas como o Agreement Analyzer, da Sullivan & Cromwell, e o Go Public, da Cooley, exemplificam essa tendência, acompanhada por investimentos significativos do setor.
Apesar dos ganhos operacionais, clientes têm questionado se essa eficiência será refletida em descontos nas contas cobradas. Conforme relato de Neill Jakobe, vice-presidente da Ropes & Gray, clientes reconhecem a agilidade proporcionada pela IA, mas esperam impacto nos valores pagos.
Alguns clientes utilizam a própria IA para identificar cobranças que poderiam ser reduzidas, buscando descontos entre 20% e 30% no total das faturas. Escritórios, por sua vez, argumentam que a tecnologia altera a composição do trabalho, com menos tarefas manuais e mais análise estratégica, e que a redução de horas faturáveis ainda não é tão expressiva.
Além disso, o setor enfrenta concorrência de escritórios “nativos de IA”, que oferecem preços fixos e utilizam intensamente a tecnologia, como exemplificado pela Norm AI, que recentemente captou US$ 260 milhões em investimento.
A pressão de clientes por modelos alternativos de cobrança, como preços fixos para trabalhos repetitivos, tem sido debatida internamente. Pesquisa do Citi indica que 35% dos grandes escritórios pretendem modificar seus modelos por hora no próximo ano devido à IA, e 65% até 2035.
Líderes do setor, como Jon Ballis, da Kirkland & Ellis, reconhecem a possibilidade de ampla adoção de precificação por projeto. A discussão sobre o uso da IA e os impactos nos honorários tem sido incorporada nas negociações com clientes, mas a mudança nos modelos de cobrança permanece gradual.










