Setor gastronômico da capital cresce em número de estabelecimentos, mas enfrenta desafios financeiros que impactam casas antigas

Curitiba tem mais de 5,5 mil restaurantes em operação, com crescimento de 16,4% em dez anos, mas bares e restaurantes tradicionais fecham devido a custos elevados e desafios financeiros.
Curitiba conta atualmente com 5.528 restaurantes em atividade, representando um crescimento de 16,4% nos últimos dez anos, conforme dados da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamentos. Esse cenário revela uma dinâmica de abertura e fechamento constante no setor gastronômico da capital paranaense.
Apesar do aumento no número de estabelecimentos e crescimento nas vendas — o Índice Abrasel-Stone indicou alta de 7,4% em agosto na comparação anual — muitos bares e restaurantes tradicionais anunciaram encerramento das atividades nos últimos meses. Entre os casos recentes, estão o Mukeka, Camponesa do Minho, Kapele, GreenGo, Wonka, Bar do Pedro Lauro (PL), Casa Pagu, Shinobis, Villa Bambu, Bar do Tatára e A Landerna, este último com mais de 55 anos de história.
Desafios financeiros e operacionais
Segundo Luís Fernando Menuci, presidente da Abrasel Paraná, somente cerca de 40% dos restaurantes estão efetivamente gerando lucro. Entre os custos que pressionam o setor estão gás, carnes, energia elétrica, manutenção e serviços, que muitas vezes não podem ser integralmente repassados aos clientes.
O contexto inflacionário, com o IPCA-15 acumulando 3,09% no ano e 4,24% em 12 meses até agosto, afeta o poder de compra do consumidor, impactando a frequência nos estabelecimentos. “O cliente busca uma experiência com preço que considere justo, mas o achatamento salarial dificulta esse equilíbrio”, aponta Menuci.
Novos modelos e o papel do delivery
O delivery ampliou o alcance dos restaurantes, especialmente no Paraná, que figura entre os estados com maior volume de buscas nesse serviço. Contudo, as taxas dos aplicativos — em torno de 23% — e promoções podem reduzir significativamente a rentabilidade, chegando a consumir metade do valor do produto em alguns casos.
Experiência como diferencial competitivo
Menuci destaca que, além da comida, o restaurante deve oferecer uma “experiência de vivência” para fidelizar clientes, um desafio maior para estabelecimentos independentes e tradicionais que enfrentam concorrência ampliada e custos elevados.
O fechamento recente de casas tradicionais em Curitiba evidencia os desafios enfrentados pelo setor, marcado por mudanças no comportamento do consumidor, pressões financeiras e necessidade de inovação para manter a competitividade no mercado local.
Fonte: bemparana.com.br









