Publicações patrocinadas no X destacam favoritismo de Flávio, mas lei eleitoral proíbe impulsionamento por terceiros estrangeiros

Contas estrangeiras no X fazem publicações pagas em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, prática vedada pela legislação eleitoral brasileira.
Perfis estrangeiros na rede social X, antigo Twitter, têm promovido publicações patrocinadas em apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Essas postagens destacam previsões da plataforma Polymarket que indicam um favoritismo do candidato na disputa eleitoral. A própria rede social identifica as publicações como “parceria paga”, evidenciando o caráter patrocinado do conteúdo.
De acordo com especialistas em direito eleitoral consultados, a Lei nº 9.504/1997 proíbe expressamente o impulsionamento eleitoral por terceiros, inclusive aqueles localizados fora do Brasil. A legislação veda ainda doações diretas ou indiretas provenientes de entidades ou governos estrangeiros, incluindo recursos destinados à publicidade eleitoral.
O especialista Jorge Washington Cançado detalha que o impulsionamento deve ser contratado exclusivamente por partidos, coligações, federações, candidatos ou seus representantes, com identificação clara do contratante. No entanto, as publicações patrocinadas observadas não cumprem esse requisito, pois não indicam a origem do pagamento. A comprovação de eventual ilicitude depende de investigação e cruzamento de dados por órgãos como a Receita Federal, podendo resultar em sanções que variam de multa a cassação de diploma.
Grande parte dos perfis estrangeiros que impulsionaram as postagens estão localizados nos Estados Unidos e incluem figuras com centenas de milhares de seguidores. Entre elas, estão contas seguidas por Flávio e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que também republicou algumas dessas mensagens. A Polymarket, plataforma de apostas utilizada como base para as previsões, é parceira oficial de previsões do X desde junho de 2025. O governo brasileiro bloqueou o acesso à Polymarket em abril de 2026 por falta de autorização para operar no país em atividades relacionadas a política e eleições.
A análise do site Factchequeado identificou que a maioria dos posts patrocinados pela plataforma favorecem políticos de direita ou criticam nomes da esquerda, usando o desempenho nas apostas como termômetro político. Essa estratégia também foi empregada em campanhas na Colômbia e no Peru.
A equipe de campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para esclarecimentos, mas não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem.
Fonte: metropoles.com









