Fábio Pagnozzi deixou defesa após divergências sobre condições políticas e honorários

Fábio Pagnozzi renunciou como advogado de Carla Zambelli após cobrança de apoio político em troca de representação. Divergência expôs conflito interno na defesa da ex-deputada.
Fábio Pagnozzi protocolou nesta quinta-feira (17) sua renúncia ao mandato como advogado da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL) na ação penal relatada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A decisão se deu após divergências relacionadas a um acordo que envolvia apoio político em troca da representação jurídica.
Fontes próximas ao caso informaram que Zambelli procurou Pagnozzi por ser conhecido do marido dela, coronel da reserva da Polícia Militar Antônio Aginaldo de Oliveira, alegando incapacidade para pagamento de honorários. Um acordo teria sido proposto para que o advogado a representasse em troca de apoio político.
Cartas trocadas entre Zambelli e Pagnozzi confirmam a promessa de apoio, incluindo a intenção da ex-deputada de comunicar essa decisão em janeiro de 2026. Entretanto, diante da cobrança do advogado, Zambelli decidiu pela nomeação de Eduardo Maurício para seu lugar.
Pagnozzi, filiado ao Novo e candidato a deputado federal por São Paulo, apoiava a candidatura de Rita Zambelli (PL), mãe de Carla. Em entrevista, Pagnozzi afirmou que trabalhou sem receber, mas passou a considerar que a ex-deputada não cumpriu o que foi combinado.
Na renúncia, o advogado citou um “intransponível óbice ético” e o Código de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Em nota, Eduardo Maurício contestou as alegações, afirmando que Pagnozzi distorceu fatos e que a destituição ocorreu por tentativa de impor apoio político em troca de silêncio sobre informações pessoais, ferindo o sigilo profissional. Maurício destacou que Zambelli apoia exclusivamente sua mãe e que Pagnozzi atuava pró-bono buscando visibilidade.
Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão em maio de 2025 por contratar um hacker para invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela deixou o Brasil antes do trânsito em julgado e foi presa na Itália, onde o pedido de extradição brasileiro foi rejeitado por questões processuais. Também possui condenação por porte ilegal de arma.
A troca na defesa ocorre em meio a desdobramentos judiciais e políticos relevantes para a ex-deputada e sua família, com impacto direto nas eleições de 2026.
Fonte: gazetadopovo.com.br









