Tecnologia combina formato, veias e fluxo sanguíneo para reduzir fraudes em pagamentos e acessos

A biometria da palma da mão surge como alternativa à biometria facial para autenticação presencial, combinando análise de formato, linhas, veias e fluxo sanguíneo para maior segurança.
A biometria facial consolidou-se como método principal para autenticação em bancos, fintechs e plataformas digitais por conta da ubiquidade das câmeras nos celulares. No entanto, para operações presenciais, cresce o interesse pela biometria da palma da mão, que combina a análise do formato, linhas da pele, padrões das veias sob a pele e fluxo sanguíneo. Segundo Marco Zanini, CEO da DINAMO Cyber Security Company, essa tecnologia permite prova de vida durante a autenticação, aumentando a segurança contra fraudes. O avanço das fraudes digitais, especialmente com o uso de inteligência artificial e deepfakes, expôs vulnerabilidades da biometria facial, já que o rosto está amplamente disponível na internet e sujeito a falsificações.
A tecnologia da Tencent, por exemplo, emprega sensores ópticos e infravermelhos para captar características únicas da mão, incluindo veias que aparecem como linhas escuras devido à absorção de luz infravermelha pela hemoglobina. Essa biometria apresenta taxas muito baixas de falsa aceitação (inferior a 0,0000001%) e falsa rejeição (inferior a 0,01%), processando a autenticação em menos de 300 milissegundos. João Santos, CEO da TREEAL, destaca que a biometria palmar tem uma assertividade mil vezes maior que a facial, analisando mais de 40 parâmetros, como pressão sanguínea, músculos e nervos, tornando difícil sua falsificação.
Atualmente, os usos principais incluem pagamentos, transporte público e controle de acesso. Na China, a biometria palmar está implementada em estabelecimentos comerciais, estações de metrô e ambientes corporativos, com mais de 50 milhões de usuários ativos e 2 bilhões de transações processadas. Um exemplo é a rede 7-Eleven China, que aumentou em 25% a eficiência dos caixas e teve 70% dos usuários escolhendo a palma da mão para pagamento. No Brasil, um projeto piloto no metrô de Brasília testou o sistema para 3 mil usuários, incluindo idosos.
A expectativa é que a biometria da mão possa substituir cartões e celulares para diversas operações cotidianas, como pagamentos e acessos a eventos, integrando funcionalidades em um único gesto. Embora o custo dos sensores ainda seja relevante (US$ 70 a US$ 300 por unidade), a comercialização tende a ser baseada em contratos de serviço por usuário ou transação, o que pode reduzir o impacto financeiro em larga escala.
Especialistas indicam que a biometria palmar não substituirá completamente as tecnologias atuais, mas fará parte de sistemas multifatoriais de autenticação. Também cresce o interesse pela biometria comportamental, que avalia padrões únicos de interação do usuário com dispositivos. Segundo Santos, o futuro será marcado por “multibiometrias”, combinando diferentes métodos conforme o risco e complexidade da operação, reforçando a segurança digital de forma adaptável.










