Com a automação crescente, líderes precisam desenvolver julgamento e habilidades interpessoais

A inteligência artificial assume tarefas gerenciais antes manuais, exigindo dos líderes maior capacidade de interpretar dados e focar em competências humanas como julgamento e inteligência emocional.
A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente nas rotinas empresariais, assumindo tarefas que antes demandavam tempo e esforço dos gestores, como análise de dados de desempenho, apoio em contratações e automação de processos. Com essa transformação, surge o desafio para as empresas e seus líderes: o que passa a diferenciar um bom gestor quando a tecnologia executa parte das funções analíticas e operacionais?
Michele Martins, executiva de negócios e pessoas na Equanimus, destaca que, embora o acesso a dados seja ampliado pela IA, a importância do gestor se mantém, pois cabe a ele interpretar e usar estrategicamente as informações geradas. “Um bom gestor de dashboard precisa ser estratégico, saber lidar com o volume e a velocidade das informações que a IA entrega”, afirma.
Juliana Maria Silva, head do Senior HCM para produtos de Talent Acquisition e Talent Management da Senior Sistemas, reforça que os líderes devem se adaptar e aprender a trabalhar com essas novas ferramentas. A responsabilidade pela mudança de mentalidade não pode ser transferida exclusivamente às equipes; os líderes precisam conhecer a tecnologia para orientar seus times efetivamente.
Especialistas alertam que a pressão para implementar IA pode levar empresas a acelerar processos sem revisar sua eficácia. Juliana pondera que “escalar o caos” — ou seja, automatizar processos ineficazes — não traz ganhos reais. É fundamental redesenhar operações antes de aplicar a tecnologia.
Outro ponto crucial é o excesso de informações. Michele compara o cenário atual com a expansão do people analytics, quando a coleta de dados antecipou a definição de usos claros, gerando confusão. O líder estratégico saberá filtrar e contextualizar essas informações para a tomada de decisões.
Nesse contexto, habilidades humanas como julgamento, discernimento, visão sistêmica e inteligência emocional ganham peso. Juliana destaca que o líder precisa questionar os dados apresentados pela IA e fundamentar suas decisões em valores, ética e experiência acumulada.
Além disso, a interação humana permanece essencial, especialmente na gestão de pessoas. A automação de tarefas não pode substituir o contato pessoal, a escuta ativa e a construção de vínculos, que são determinantes para o engajamento e retenção de talentos.
Assim, a liderança do futuro será marcada pela capacidade de interpretar tecnologia, tomar decisões críticas e fortalecer relações humanas, utilizando a IA como ferramenta para melhorar processos e resultados, sem abrir mão da responsabilidade e do protagonismo da gestão humana.










