Triangulação de pagamentos usava intermediários e empresas de fachada para ocultar vantagens ilícitas

Polícia Federal revela esquema de triangulação financeira envolvendo o Banco Master e ex-servidores do Banco Central para repassar vantagens de forma oculta.
A Polícia Federal detalhou um esquema de triangulação financeira que envolvia o Banco Master e ex-servidores do Banco Central, segundo investigação divulgada em setembro de 2026. O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, utilizava intermediários para repassar vantagens a funcionários da autoridade monetária de forma oculta.
Método do esquema e atuação dos intermediários
O esquema consistia em uma estrutura que impedia o dinheiro de sair diretamente do Banco Master ou de Vorcaro. Inicialmente, os recursos eram transferidos do banco para uma empresa do mesmo grupo. Em seguida, passavam a uma empresa ligada a um intermediário, como Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Só então o valor chegava ao destinatário final. Essa triangulação dificultava a rastreabilidade dos pagamentos e servia para ocultar a origem e o destino dos recursos.
Fabiano Zettel é apontado pela Polícia Federal como o principal elo operacional do esquema, criando empresas para movimentar os valores sem ligação direta com a família ou o banco. Ele também integrava um grupo informal chamado ‘A Turma’, que monitorava adversários e atuava para proteger os interesses do Banco Master, inclusive com práticas de intimidação.
Envolvimento de ex-servidores do Banco Central
Entre os nomes citados estão Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central. Conforme a investigação, ambos atuavam em defesa dos interesses do Banco Master. Belline teria recebido cerca de R$ 4 milhões por meio de contratos fictícios de consultoria. Paulo Sérgio é suspeito de ter recebido vantagens ocultas pela venda de um sítio em Minas Gerais por R$ 4,8 milhões para uma empresa ligada ao grupo, mesmo com sua família mantendo o uso do imóvel.
Defesa e posicionamentos
Até o momento, apenas a defesa de Belline Santana se manifestou, negando qualquer irregularidade. O advogado Leonardo Palazzi afirma que as acusações são baseadas em trechos fragmentados da investigação e que os depoimentos afastam indícios de crime. Também citou que Vorcaro negou pagamentos ilícitos, reforçando que os serviços prestados foram legítimos.
A investigação segue em andamento, e nenhuma condenação foi proferida até o momento. A Polícia Federal mantém apuração sobre o esquema para aprofundar os elementos de prova.
Fonte: gazetadopovo.com.br










