Medidas incluem mandatos fixos, código de ética e mudanças no processo de impeachment

O Congresso avalia propostas para reformar o STF, buscando maior transparência e limites à atuação individual dos ministros, incluindo mandatos e regras para impeachment.
O Congresso Nacional está em fase de avaliação de um conjunto de sete propostas que miram reformar o Supremo Tribunal Federal (STF) com objetivo de estabelecer limites mais claros e legais para a atuação dos ministros. Esse movimento surge em meio a polêmicas recentes envolvendo supostos abusos de autoridade e conflitos de interesse, que colocaram sob escrutínio a atuação individual dos magistrados.
Código de ética e transparência
Uma das propostas centrais é a criação de um código de conduta obrigatório para os ministros, que atualmente não possuem regras detalhadas que regulem sua conduta privada, especialmente em situações que envolvem familiares ou eventos financiados por empresas com interesses judiciais. A iniciativa visa estabelecer critérios objetivos para evitar conflitos, como contatos com advogados de partes interessadas. Diferentemente da autorregulação atual do Judiciário, a proposta pretende dar força de lei a essas normas, garantindo transparência e critérios claros para punições.
Mandatos fixos e fim da vitaliciedade
Um ponto chave das discussões é a substituição da vitaliciedade — que permite permanência no cargo até os 75 anos — por mandatos fixos, que variam entre 8 e 15 anos. Isso garantiria renovação periódica na composição do tribunal, com impactos diretos na dinâmica institucional e na percepção pública sobre o STF.
Mudanças na indicação e aprovação
O processo de indicação também está em análise para ser mais restrito. Sugere-se a criação de listas tríplices elaboradas por órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ou tribunais superiores e que a indicação seja obrigatoriamente de juízes de carreira. Além disso, a aprovação final pelo Senado passaria a exigir um quórum qualificado de dois terços, ampliando o controle e o consenso parlamentar.
Limitação das decisões monocráticas
O Congresso discute restringir as decisões monocráticas, que permitem que um único ministro suspenda leis aprovadas ou políticas públicas. A proposta determina que temas de grande impacto nacional sejam obrigatoriamente julgados pelo colegiado, evitando que decisões individuais prevaleçam sobre os Poderes com representação democrática.
Alteração no processo de impeachment
Atualmente, o presidente do Senado detém exclusividade para decidir sobre abertura de processos de impeachment contra ministros do STF, o que tem gerado críticas quanto ao engavetamento de pedidos. As propostas em estudo preveem que denúncias apresentadas por qualquer cidadão sejam votadas pelo plenário do Senado por maioria simples, ou que a decisão seja tomada por colegiado de senadores ou mesa diretora, retirando o poder absoluto de uma única autoridade.
Essas propostas refletem um esforço do Legislativo para ampliar o controle e a transparência sobre o STF, buscando equilibrar a atuação dos magistrados e fortalecer a democracia por meio da responsabilização e da renovação institucional. O debate segue aberto nas comissões do Senado e da Câmara, com possíveis desdobramentos ainda neste ano.
Fonte: gazetadopovo.com.br










