Investigação da PF revela esquema com acesso a dados protegidos e sistemas internacionais

Relatório da Polícia Federal indica que Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão acessaram investigações sigilosas em Juiz de Fora, Minas Gerais, com apoio de grupo descrito como milícia privada, envolvendo acesso a sistemas da Interpol e FBI.
A Polícia Federal entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) relatório que aponta o acesso indevido a investigações sigilosas na Delegacia de Polícia em Juiz de Fora, Minas Gerais, por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. A informação consta no inquérito da Corte, cujo sigilo foi parcialmente retirado pelo ministro André Mendonça no dia 10 de setembro.
A investigação indica que o acesso ilegal aos dados foi viabilizado por um esquema criminoso articulado por um grupo denominado “A Turma”, que teria utilizado sistemas exclusivos como o da Polícia Federal (ePol), além de organismos internacionais como a Interpol e o FBI. O policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, preso durante as apurações, é apontado como responsável por garantir a cooperação de agentes policiais para cumprir ordens de Vorcaro em Belo Horizonte.
O relatório detalha que o grupo acessou indevidamente informações restritas, como inquéritos com o nome de Daniel Vorcaro, e aponta crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
Um trecho do documento destaca troca de mensagens que indicam acompanhamento de relatórios da Interpol e FBI. Luiz Phillipi Mourão e Marilson Roseno integravam a milícia privada denominadas “A Turma”, responsável por pressionar pessoas de interesse do banqueiro.
Luiz Phillipi Mourão faleceu em 6 de março após tentativa de suicídio na Superintendência Regional da Polícia Federal durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
O ministro André Mendonça atendeu ao pedido do presidente do STF, Edson Fachin, para retirar o sigilo de parte da investigação, fundamentando a decisão na inclusão do tema na pauta do plenário marcada para 15 de setembro, que tratará do relatório da Polícia Federal com suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.
A investigação segue em andamento e busca aprofundar a auditoria nos sistemas da Polícia Federal, com o objetivo de identificar toda a extensão do acesso ilícito e seus envolvidos.









