Iniciativa curitibana amplia protagonismo de mulheres na literatura e desafia exclusão histórica

Criado em Curitiba, o Coletivo Marianas combate a invisibilidade feminina no mercado editorial, promovendo visibilidade, publicações e sororidade entre escritoras e artistas.
O Coletivo Marianas, originado em Curitiba e liderado inicialmente por Andréia Carvalho Gavita, retoma uma crítica feroz à histórica invisibilidade das mulheres nos espaços de protagonismo cultural. Em entrevista ao programa Arte & Cultura da TV Assembleia, a escritora e editora Melissa Reinehr detalha a estratégia do grupo para derrubar barreiras no mercado editorial, tradicionalmente dominado por homens e hierarquias consolidadas.
Desde 2014, o coletivo não apenas promove visibilidade para escritoras, mas também implementa uma cadeia produtiva editorial completa protagonizada por mulheres — da revisão à ilustração. São cerca de 90 lançamentos mensais, número que expõe a competência e o potencial feminino ignorados pelo establishment cultural.
Melissa destaca o caráter político dessa iniciativa: “Vamos lá, mulherada, vamos fazer acontecer, brilhar, produzir, ilustrar, escrever e se ver e se ler”. Essa sororidade não é apenas um gesto simbólico, mas uma pressão organizada para garantir espaço e reconhecimento, que se traduz em eventos, rodas de poesia, oficinas e presença firme em feiras literárias — um movimento que ultrapassa Curitiba e já ganhou certificação do Ministério da Cultura como Ponto de Cultura.
O debate no programa também abordou a dimensão terapêutica da escrita para as mulheres envolvidas. Melissa aponta que a experiência coletiva fortalece a confiança e ajuda a superar bloqueios psicológicos e sociais, questionando as limitações impostas historicamente: “É um movimento de incentivar as mulheres a olhar para a sua história e começar a separar o joio do trigo”.
A atuação do Coletivo Marianas expõe a contradição do mercado editorial que, embora cheio de mulheres competentes, ainda resiste em lhes conceder o devido protagonismo. A iniciativa surge como reação firme à exclusão e ao apagamento, apostando na força da união e na produção cultural genuinamente feminina para redesenhar o cenário literário.
Literatura como arma política
O Coletivo simboliza a luta contra a invisibilidade e desigualdade de gênero no campo cultural. A presença massiva e organizada das mulheres no mercado editorial, com autonomia total no processo criativo e produtivo, representa não apenas um avanço artístico, mas um recado claro ao sistema estabelecido: é hora de abrir espaço, reconhecer talento e libertar vozes outrora silenciadas.
Fonte: assembleia.pr.leg.br










